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BUSINESS TRAINING COURSE (BTC/ FMP/ GE): Historicidade, Pioneirismo e Educação Empresarial (Décadas de 1950/ 1980: RJ/SP/MG)

In Artigos, Uncategorized on outubro 9, 2015 at 1:35 am

Texto para Discussão

 

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc.

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail:dioneavocat@gmail.com;

SUMÁRIO:

 

  1. INTRODUÇÃO
  2. FUNDAMENTAÇÃO
  3. METODOLOGIA
  4. RESULTADOS
    • BTC/ FMP/ GE (Décadas de 1950/ 1980)
    • A INFLUÊNCIA DO BTC/ FMP/ GE NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

(FEA/ UFRJ; FEA/ USP; EBAP/ FGV – 1960/ 2000)

  • DSc. GEORGE S. GUERRA LEONE

(FEA/ UFRJ; EBAP/ ISEC/ FGV;FAF/ UERJ; UFPB)

  • DSc. JOSÉ CARLOS MOREIRA

(ADM/ FEA/ USP)

  • O BTC/ FMP/ GE NAS EMPRESAS MARKETING-ORIENTED
  • INFLUÊNCIA PIONEIRA DO BTC/ FMP/ GE (Décadas de 1970/ 1980):

GRUPO SILVIO SANTOS/ SBT – SISTEMA BRASILEIRO DE TV

  • PROGRAMA DE EDUCAÇÃO ESTRATÉGICA EMPRESARIAL

 FUNDADA NO BTC/ FMP/ GE E FOCADA EM MARKETING

  1. ANÁLISE/ CONCLUSÃO/ NOVAS PESQUISAS

NOTAS

BIBLIOGRAFIA

ANEXOS

******************************************************************************

 

ABSTRACT

 

BUSINESS TRAINING COURSE (BTC/ FMP/ GE):

Historicidade, Pioneirismo e Educação Empresarial

(Décadas de 1950/ 1980: RJ/SP/MG)

 

Texto para Discussão

 

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ E-Mail: dioneavocat@gmail.com;

Este artigo sintetiza ampla pesquisa sobre raízes histórico-epistemológicas do famoso BTC/FMP/GE (Business Training Course/ Financial Management Program/ General Eletric do Brasil – 1957/ 1987), por 30 anos, convertido no mais importante Programa de Formação Contábil/ Financeiro Brasileiro (Alquimia de uma Corporação – A Magia de um Treinamento), onde muitos de seus graduados, além se dispersarem por múltiplas empresas, fruto de  atuação direcionada/ intensiva de head-hunters, se tornaram professores das nossas principais universidades (FEA/USP; FEA/UFRJ; EBAP/ISEC/FGV), que reconheceram sua diplomação como pioneira titulação docente (Progressão Funcional/ Notório Saber/ Livre-Docência/ Doutorado Direto), mas completamente ignorado pela literatura acadêmica. Pretende-se aqui demonstrar que o BTC/FMP/GE, surgido na década de 1950, em resposta às dificuldades (teóricas/práticas), à nível mundial, de divisionalizar corporação global,  verticalmente integrada, como a GE, utilizando como paradigma o conhecido Modelo GM (Alfred Sloan–My years in General Motors), denominado pioneiramente como Descentralização Federal (Concept of  the Corporation–A Study of General Motors– Peter Drucker-1945), promoveu pioneiramente a mais profunda Revolução Paradigmática no Pensamento Contábil/ Financeiro Mundial, antecipando embrionariamente as modernas concepções de Controle Gerencial, como destacado por George Sebastião Guerra Leone, ex-aluno (1ªturma). A partir das inúmeras críticas formuladas ao BTC/FMP/GE, enquanto propagador de disfuncional concepção de Controladoria Tradicional, focada na contabilização de multiplicidade de dados como um fim em si mesmo, com ênfase no polêmico/ contundente/ irônico texto de Peter Drucker (Controle, Controles e Administração), o presente artigo se propõe discutir sua contraposição dialética à Perspectiva Gerencial Marketing Oriented (J&J/ Lever/ P&G), como meio de estabelecer um Novo Paradigma de Educação Empresarial Estratégico-Generalista, fundamentado/ dialogando com concepções de Roger Barki (GE: 1ª Turma do BTC/ Financial Controller–15 anos – 1957/1972; J&J:Marketing Controller–12 anos–1973/1985), através de fontes informacionais dispersas, inexistentes nas bibliotecas universitárias/ sites internet, demandando rastreamento em sebos (www.estantevirtual.com.br), articuladas com amplo vivenciamento/ reflexões/ grupos de discussão dos autores nesta temática (1981/2015), operacionalizada através de análise epistemológica-paradigmática (exegético- hermenêutica).
 

Palavras Chaves:

 

1-) EPISTEMOLOGIA CONTABIL-FINANCEIRA; 2-) CONTABILIDADE GERENCIAL;

3-) EDUCAÇÃO ESTRATÉGICA EMPRESARIAL; 4-) GENERAL ELETRIC; 5-) BTC/FMP/GE;

BUSINESS TRAINING COURSE (BTC/ FMP/ GE):

Historicidade, Pioneirismo e Educação Empresarial

(Décadas de 1950/ 1980: RJ/SP/MG)

Texto para Discussão

 

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: dioneavocat@gmail.com;

  1. INTRODUÇÃO

Este artigo sintetiza ampla pesquisa sobre as raízes histórico-epistemológicas do famoso BTC/ FMP/ GE (Business Training Course/ Financial Management Program/ General Eletric do Brasil – 1957/ 1987) (1), que durante 30 anos se converteu no mais importante Programa de Formação Contábil/ Financeiro Brasileiro, onde muitos de seus graduados, além se dispersarem por múltiplas empresas, fruto de  atuação direcionada/ intensiva de head-hunters,  se tornaram professores das nossas principais universidades (FEA/ USP; FEA/ UFRJ; EBAP/ ISEC/ FGV), que reconheceram sua diplomação como pioneira titulação docente (Progressão Funcional/ Notório Saber/ Livre-Docência/ Doutorado Direto), como abaixo demonstrado, mas completamente ignorado pela literatura acadêmica.

Pretende-se aqui demonstrar que o BTC/ FMP/ GE, surgido na década de 1950, em resposta às dificuldades (teóricas/ práticas), à nível mundial, de divisionalizar uma corporação global,  verticalmente integrada, como a GE, utilizando como paradigma o conhecido Modelo GM (Alfred Sloan – My years in General Motors), denominado pioneiramente como Descentralização Federal (Concept of  the Corporation – A Study of General Motors –  Peter Drucker – 1945), promoveu pioneiramente a mais profunda Revolução Paradigmática no Pensamento Contábil/ Financeiro Mundial, antecipando embrionariamente as modernas concepções de Controle Gerencial, como destacado por George Sebastião Guerra Leone (2), ex-aluno de sua 1ª turma, a saber:

Contabilidade Gerencial (Custeio Direto; Margem de Contribuição; Contabilidade por Responsabilidade; Controladoria; Planejamento Economico-Financeiro); Planejamento Estratégico Corporativo; PIMS (Profit Impact of Marketing Strategy; Relevance Lost; Balanced Scorecard; ABC – Activity Based Costing; EVA – Economic Value Added (Cadeias de Valor); Reengenharia de Processos (Custeio de Chão de Fábrica); Just-in-Time; TOC- Theory of Constraints; Six Sigma (Jack Welch);

  1. FUNDAMENTAÇÃO

Nosso interesse específico está focado na análise do complexo processo de transplante da Cultura Organizacional da GE, através de profissionais egressos do BTC/ FMP, caracterizada por conhecida Orientação Gerencial Contábil/ Financeira, para as chamadas empresas Marketing Oriented/ Mass Merchandising (P&G – Procter & Gamble; Unilever; Johnson & Johnson) (3), cuja Dinâmica Comercial (Produtos de Baixo Valor Unitário; Compra Repetitiva; Distribuição Geográfica Pulverizada; Auto-Serviço; Embalagem Comunicativa) (4),  é realizada através de Estruturas Gerenciais Matriciais, operacionalizadas, de maneira descentralizada, por  meio de Gerentes de Produto/ Marca. Neste contexto, onde os próprios Analistas Financeiros são denominados Marketing Controller, o Processo Decisório depende principalmente de Pesquisas Antropológicas sobre Comportamento Psico-Social da Clientela (Etno-Gráficas/ Qualitativas/ Group Discussion/ Anticipation and Decision Making: the need for information) tendo como benchmarking a ESOMAR (European/ World Society for Opinion and Marketing Research) (5), muito mais do que de um Sistema de Controladoria Tradicional (Planos Estratégico/ Tático/ Operacional/ Orçamentos; Relatórios Comparativos Periódicos: Curto/ Médio/ Longo Prazos – Mensal/ Acumulado/ Orçado –  Reuniões Periódicas de Prestação de Contas/ Arguição Oral)!

A partir das inúmeras críticas formuladas ao BTC/ FMP/ GE, enquanto propagador de disfuncional concepção de Controladoria Tradicional, focada na contabilização de multiplicidade de dados como um fim em si mesmo, com ênfase no polêmico/ contundente/ irônico texto de Peter Drucker (Controle, Controles e Administração) (6), o presente artigo se propõe discutir sua contraposição dialética à Perspectiva Gerencial Marketing Oriented, como meio de estabelecer um Novo Paradigma de Educação Empresarial Estratégico-Generalista, fundamentado/ dialogando com as concepções de Roger Barki (GE: 1ª Turma do BTC/ Financial Controller – 15 anos – 1957/ 1972; J&J: Marketing Controller – 12 anos – 1973/ 1985), através de fontes informacionais dispersas, raras nas bibliotecas universitárias/ sites internet, demandando rastreamento em sebos (www.estantevirtual.com.br), articuladas com o amplo vivenciamento/ reflexões/ grupos de discussão dos autores nesta temática (1981/ 2015), operacionalizada através de análise epistemológica-paradigmática (exegético- hermenêutica), com os seguintes destaques (7):

  • ALQUIMIA DE UMA CORPORAÇÃO – A MAGIA DE UM TREINAMENTO – Basseto, José Luiz (Org.) –  12 Co-Autores – Edições Inteligentes – São Paulo – 2004 – 237 págs.;
  • GUIA COMPLETO DO FUNCIONAMENTO DE UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE – Barki, Roger; Alzogaray, Josy –  Editora Vozes – Petrópolis – 1985 – 200 págs.;
  • COMO DIRIGIR UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE – Barki, Roger; Alzogaray, Josy –  Editora Espaço & Tempo – 1987 – 200 págs.;

 

QUESTÕES CENTRAIS DA PESQUISA

PRESSUPOSTOS/ HIPÓTESES

  1. O BTC/ FMP/ GE, surgido na década de 1950, teve como objetivo difundir uma Nova Pedagogia/ Pensamento Contábil/ Financeiro/ Fiscal, na fronteira do conhecimento, dado as dificuldades conceituais/ operacionais de divisionalizar uma corporação mundial integrada verticalmente como a General Eletric, baseado no Modelo General Motors (Estrutura Multi-Divisional), devido a questão dos custos/ preços internos de transferência;
  2. No Brasil, a implantação do BTC/ FMP/ GE (1957/ 1988) assumiu o caráter de verdadeira Seita Religiosa Contábil-Financeira, tendo seus conceitos/ egressos  disseminados numa multiplicidade de empresas e nas nossas principais universidades, mas que acabaram sendo objeto de reiteradas críticas dada a ênfase em Sistemas de Controles  Desfuncionais (Informação como fim em si mesmo);
  3. Nas chamadas Empresas Marketing-Oriented/ Mass Merchandising (P&G; Lever; J&J), bem como nas Centrais de Televisão/ Produção Artística, a Perspectiva Contábil/ Financeira/ Fiscal do BTC/ FMP/ GE sofreu a mais ampla Revolução  Paradigmática, com ênfase na Flexibilização/ Enxugamento dos Sistemas de Controle;
  4. Já na década de 1950, à nível mundial/ brasileiro, o BTC/ FMP/ GE antecipou a grande Revolução no Pensamento Contábil/ Financeiro/ Fiscal Contemporâneo (Controladoria/ Contabilidade Gerencial/ Responsabilidade/ Custeio de Chão de Fábrica; Planejamento Estratégico Corporativo; Profit Impact f Marketing Strategy; Relevance Lost; Balanced Scorecard; Activity Based Costing; Economic Value Added; Cadeias de Valor; Reengenharia de Processos; Just-in-time; Theory of Constraints; Six Sigma), demonstrando a importância do seu estudo, enquanto raízes histórico-epistemológicas, para plena compreensão das técnicas/ pensamento moderno;
  5. O BTC/ FMP/GE (Financial Oriented), contraposto à Perspectiva Mercadológica/ Mass Merchandising (Procter & Gamble/ Lever/ Johnson & Johnson/ Grupo Silvio Santos/ Sistema Brasileiro de Televisão. Desenvolveu embrionariamente um inusitado Modelo de Educação Estratégica Empresarial (Auto-Didata/ Intuitivo/ Motivante), demandador de futuros estudos acadêmicos aprofundados, visando sua adaptação/ aproveitamento para fundamentar inovadora Campanha Nacional de Cidadania Gerencial Brasileira, nos moldes discutido por Max Weber (Ética Protestante e Espírito Capitalista); 

 

 

  1. METODOLOGIA

A presente pesquisa não se propõe a ser uma Dissertação Teórico-Empírica (Teste de hipóteses, modelos ou teorias a partir de dados primários e secundários), mas sim um Estudo Teórico-Analítico (Análise crítica ou comparativa de uma tese, teoria ou modelo já existente, a partir de um esquema conceitual bem definido), a saber:

análise  semiótica  erudita (hermenêutica/ exegética), voltada para rastrear/ explicitar raízes histórico-epistemológicas (BTC/ FMP/ GE x J&J/ LEVER/ P&G), baseado na busca de uma articulação dialética sui generis (Conhecimento Técnico x Competência Gerencial), como meio de captar/ apreender sua endógena/ embrionária/ revolucionária Proposta de Educação Estratégica Empresarial, visando estimular novos estudos/ pesquisas sobre temática emergente, completamente ignorada pela academia;

Nesse contexto, cabe destacar as reiteradas críticas à vigente Endogenia Positivista Acadêmica (Processos de Avaliação Inter-Pares – Associações Nacionais de Pesquisa e Pós-Graduação), amplamente formuladas pela Comunidade Cientifico-Educacional Brasileira (CAPES/ CNPQ/ FINEP/ ABC), como se infere da polêmica aula inaugural proferida pela Prof. Marilena Chauí (É um crime o currículo Lattes – FAU/ USP – 8/8/2014) (8), reiterando o pensamento da Escola de Louvain, que juntamente com a New School of Social Research (NSSR), lidera conhecido/ antigo Movimento Anti-Positivista Mundial, a saber (Dinâmica da Pesquisa Social – os pólos da prática cientifica – Paul de Bruyne; Jacques Herman; Marc de Schoutheete – Prefácio de Jean Ladriére) (9):

 

“A prática científica não é redutível a uma sequência de operações, de procedimentos necessários e imutáveis, de protocolos codificados. Tal concepção, que converte a metodologia numa tecnologia, repousa na visão rigorista e ‘burocrática’ do design, fixado no início da pesquisa e de uma vez por todas, concretizando-se no que W. H. White chama de ‘mania de projeto’. Ao contrário parece que a complexidade das problemáticas em ciências sociais exige interpenetrações e voltas constantes entre os pólos epistemológico, teórico, morfológico e técnico da pesquisa. (…)

A reflexão crítica e dialética só se desenvolve em oposição a corpos estabelecidos, a experiências já conhecidas. A crítica dialética é aqui concebida como demolição de todos os conceitos estabelecidos, adquiridos, cristalizados, ‘mumificados’ e dos quadros de referência teóricos. É um apelo à ‘derrubada perpétua dos ‘sistemas’ em benefício do aprofundamento sempre renovado dos problemas’”

Karl Popper, herdeiro intelectual do Circulo de Viena (Neo Positivismo/ Empirismo Lógico), no seu clássico livro (A Lógica da Descoberta Científica) (10), num fecundo processo de auto-crítica, passa a dar importante papel a Problematização Epistemológica (Lógica da Descoberta), em sintonia direta com conhecida formulação de Albert Einstein, in verbis:

“Formular um problema é frequentemente mais essencial que lhe dar solução, que pode ser questão de habilidade matemática ou experimental. Provocar o aparecimento de novas sugestões e possibilidades, considerar  velhos problemas de um angulo novo, isso exige uma imaginação criadora e marca um real progresso da ciência”! (A Evolução da Física – Albert Einstein/ Leopold Infeld – A Revolução da Física – 1938) (11);

 

O presente artigo (Texto para Discussão) optou por adaptar as normas editoriais (ABNT), por se tratar de uma análise sobre raízes histórico-epistemológicas (exegética/ hermenêutica), onde o contexto bibliográfico (Perfil/ Nome Completo dos Autores; Prefácios/ Apresentações/ Orelhas – Datas/ Edições/ Notas/ Referências – Títulos/ Sub-Títulos – Genese/ Contexto Editorial), viabilizador de cruzamento crítico de dados (confronto/ acareação) pode ser mais importante do que seu conteúdo intrínseco! Daí a reprodução (in verbis), dentro do texto principal, de detalhes bibliográficos, que normalmente poderiam ser colocados como links (notas de rodapé), como meio de induzir/ promover uma leitura mais introspectiva/ vivenciada/ erudita (Dialética do Concreto – Karel Kosik)! (12)

 

  1. RESULTADOS
    • BTC/ FMP/ GE (Décadas de 1950/ 1980)

Em agosto/ 1957, a GE (General Eletric) iniciou revolucionário Programa  de Treinamento denominado BTC (Business Training Course), com nomenclatura alterada, a partir dos anos 80,   para FMP – Financial Management Program, que durante 30 anos, até meados da década de 1980, teve imensa influência no Pensamento/ Educação Contábil/ Financeira Brasileira (Universitária/ Empresarial), completamente ignorada pela literatura existente! Iniciado em sua sede (Edifício Andorinha, objeto de grande incêndio em 1986 – RJ), o BTC/ FMP/ GE teve turmas simultâneas em suas diversas unidades (Parque Industrial Tomas Alva Edison – RJ/DF; Escritório Central SP/ SP – Rua Antonio de Godoy; Fábricas de Santo André/ Campinas/ Belo Horizonte).

Urgem estudos/ pesquisas acadêmicas sobre o BTC/ FMP, dado a grande antecipação/ influência exercida por suas concepções na moderna Teoria Contábil/ Financeira! Sua historicidade, baseadas em fontes dispersas, foi transformada em verdadeira seita folclórica/ lapidar, como demonstra seus almoços comemorativos anuais e o livro auto-biográfico, organizados/ publicado por seus egressos: Alquimia de uma Corporação – A Magia de um Treinamento – (José Luiz Bassetto (Org.) – 12 Co-Autores –  Edições Inteligentes – 2004).

Nas palavras sábias de George Sebastião Guerra Leone, considerado um dos pais/ pioneiros da Contabilidade de Custos no Brasil, aluno da 1ª turma do BTC (RJ/ 1957), além de menção especial no prefácio de sua obra pioneira (Aos meus pais … À General Eletric S. A., pela minha formação profissional – dedico este livro – Custos – Um Enfoque Administrativo –  Editora da FGV – 1ª Edição: 1971), afirma assertivamente em artigo especial para o referido Alquimia de uma Corporação: já no final da década de 1950, o BTC antecipava os modernos conceitos de BSC- Balanced Scorecard; ABC – Activity Based Costing e Cadeia de Valor, através do chamado Curso 202 (Orçamentos e Medições), focado no chão de fábrica, in verbis:

O Projeto de Medições está registrado nas apostilas do BTC, que fazem parte de um conjunto de 17 volumes encadernados que guardo comigo, há quase 50 anos, com enorme carinho e que são consultados por mim constantemente. Os dois capítulos contêm 56 páginas! (13)

 

O BTC/FMP/GE, desde 1957, foi o equivalente a um atual MBA Contabilidade/ Finanças, incluindo 6 disciplinas básicas (Contabilidade; Custos; Orçamento; Análise Financeira; Auditoria; Sistemas de Informação), lecionadas durante 2/3 anos (1 aula dupla semanal – final/ início do expediente – 4 provas sem marcação prévia –  exame final aos sábados, simultâneos RJ/SP – trabalhosa  carga de exercícios de casa; curso prévio de nivelamento), aberta a funcionários (nível superior; excepcionalmente ensino médio) e trainees universitários, mas que, concomitante, cumpriam intensa jornada de trabalho funcional, só sendo liberados em metade da carga horária didática semanal (50% GE + 50% Aluno). Reprovados eram desligados sumariamente do programa e promoções/ aumentos salariais diretamente relacionados/ hierarquizados pelos desempenhos acadêmicos discentes. Durante esse período (30 anos), concluíram o BTC/FMP cerca de 500 alunos, correspondendo a 1/3 do total de matriculados!

Cabe lembrar que o BTC/ FMP/ GE foi reconhecido como o equivalente ao Grau de Mestre para efeito de titulação docente universitária brasileira, na Área de Contabilidade/ Finanças/ Controle (UFRJ/ USP/ FGV) fazendo com que diversos de seus ex-alunos aí atuassem intensivamente! Através de Agencias de Emprego (Head Hunter), diversas empresas clientes (Petrobrás; Vale do Rio Doce; O Globo; GSS/ SBT; Unibanco; Johnson & Johnson) passaram a demandar profissionais egressos do BTC/ GE, fazendo com que houvesse ampla difusão dessa mentalidade gerencial nos meios empresariais brasileiros.

Na verdade, são poucos analisados/ conhecidos/ estudados os motivos que levaram a GE, a partir do início da década de 1950, haver se tornado pioneira na utilização de diversos conceitos/ práticas contábeis modernos (Contabilidade por Responsabilidade; Margem de Contribuição;  Custeio Direto; Custo Padrão; Lifo/ Fifo; Indicadores de Desempenho; Preços de Transferência), que acarretariam, a-posteriori, em âmbito mundial, o referido surgimento do BTC/ FMP!

Como demonstrou  Alfred Chandler (Strategy and Structure – Chapters in the history of modern industrial enterprise) (14) , no período de 1920/ 1950, grandes conglomerados empresariais americanos (Du Pont; GM – General Motors; Exxon; Sears) passaram a adotar a chamada Estrutura Multi-Divisional (Centralização: Planejamento/ Controle; Des-Centralização: Operações), voltada para permitir articular Tamanho/ Flexibilidade!

Exemplo mais acabado dessa concepção foi a GM (General Motors), cujo Modelo Estratégico-Organizacional se tornou paradigma mundial. Peter Ferdinand Drucker (1909/ 2005), recém emigrado da Europa (Viena/ Londres), foi contratado para realizar um estudo vivenciado/ antropológico da GM, cujo modus operandi foi objeto de seu clássico livro (Concept of the Corporation – A Study of General Motors – 1945). Alfred P. Sloan (1875/ 1966), que havia sido o CEO GM durante todo o período de re-estrutururação organizacional, na sua auto-biografia (My Years in General Motors) (15) , ao confrontar/ superar Henry Ford (Filosofia de Produção em Massa: O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto), enfatizou que tal sucesso deveu-se à adoção de Gestão Estratégica de Investimentos (Centralização/ Alocação Discricionária dos Lucros Divisionais – Método Du Pont  – ROI = Margem x Rentabilidade), focada numa Perspectiva Gerencial Holística (Pensar Global/ Agir Local), de maior efeito sinergético/ mercadológico do que a simples descentralização organizacional em si!

Como acima exposto, a partir da década de 1950, a Modelo Organizacional GM, denominado por Drucker como Descentralização Federal, dada sua inspiração na Constituição Americana, passou a ser adotado/ transplantado, com grande sucesso, para divisionalizar diversas corporações centralizadas/ diversificadas (multi-produtos)! No entanto, esse tipo de perspectiva metodológica fracassou completamente quando sua aplicação foi tentada na GE (General Eletric Company), provocando amplo debate teórico, já que Grupos de Trabalho/ Consultores Organizacionais, para isso convocados, tiveram suas conclusões rejeitadas e sua prestação de serviços descontinuada! As vicissitudes da divisionalização da GE, foram discutidas no livro de Ralph Cordiner (New frontiers for professional managers – 1956), que foi Presidente/ Charmain/ CEO (1950/ 1963) (16), tendo sido muito questionado/ criticado por haver descentralizado a GE em 120 unidades.

O principal motivo é que, ao contrário da GM (17), a GE era muito mais diversificada (Lâmpadas; Eletro/ Eletrônicos Domésticos; Locomotivas; Turbinas de Avião; Motores; etc), possuindo uma multiplicidade de acionistas minoritários (Governança Corporativa Conflitiva) e sobretudo caracterizada por ampla integração vertical, envolvendo a questão (política) de definição de Preços Internos de Transferência! Segundo Drucker, a Teoria da Divisionalização Organizacional vigente não era suficiente para explicar o caso GE, necessitando criar o que chamou de Processo de Descentralização Simulada (Pseudo-Descentralização/ Realidade Virtual), cujo operacionalidade exigia a acima  referida Revolução Contábil-Financeira (Contabilidade por Responsabilidade; Margem de Contribuição; Custeio Direto; Custo Padrão;  Lifo/ Fifo; Indicadores de Desempenho; Preços de Transferência), o que levou o surgimento do BTC/ FMP, como expressão maior de um Movimento Mundial Messiânico (Catequização/ Evangelização  Contábil Financeira), nos moldes propugnados por Max Weber (Ética Protestante e Espírito Capitalista) (18), onde esse modo de produção de mercadorias foi conceituado/ caracterizado a partir de sua Perspectiva Contábil (Processo Decisório baseado em estudo de alternativas de Racionalização Economica), por Luca Pacioli (1545/ 1617), na emergência do Renascimento/ Revolução Comercial (Séculos XV/ XVI).

  • A INFLUÊNCIA DO BTC/ FMP/ GE NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS

(FEA/ UFRJ; FEA/ USP; EBAP/ FGV – 1960/ 2000)

No período anterior à implantação/ reconhecimento dos Programas de Pós-Graduação Stricto-Sensu (Década de 1970/1980), baseados no Parecer Newton Sucupira (Definição dos Cursos de Pós-Graduação – Parecer 977/ 1965 – CFE – Conselho Federal de Educação) (19) , a  Docência Universitária Brasileira era recrutada através de Concursos Públicos de Notório Saber (Defesa de Tese Auto-Didata –  Doutoramento Direto/ Livre Docência/ Cátedra), onde o BTC/ FMP/ GE foi pioneiramente aceito como equivalente ao Curso de Mestrado, para efeito de titulação acadêmica/ promoção funcional!

Na Área de Contabilidade/ Finanças, somente com a consolidação do Programas de Mestrado/ Doutorado (FEA/ USP; EAESP/ FGV; COPPEAD/ UFRJ) e o surgimento do ISEC/ FGV (Instituto Superior de Estudos Contábeis) com seu Curso Especial de Graduação para Bacharéis (Regime Especial – 18 Meses – Credenciado/ Registrado no CFC/ CRC), logo extinto e transformado em Mestrado, os corpos docentes das universidades brasileiras tiveram nos seus quadros diversos egressos do BTC/ FMP/ GE, entre outros (20):

  • FEA/ UFRJ: Bráulio Cortes Xavier Bastos (ex-Coordenador de Cursos BTC/ FMP/ RJ); Almir de Souza Carvalho; Nilo Gago Gonzales; Samuel Cogan;
  • FEA/ USP: José Carlos Moreira; Armando Catelli; Antonio Robles Junior; Rubens Famá; Nelson da Silva
  • FGV/ RJ: George Sebastião Guerra Leone

As diversas teses auto-didatas por eles defendidas, bem como suas diversas orientações discentes, são fundamentais, enquanto fontes bibliográficas primárias, para o estudo da Genese Historico-Epistemológica do Pensamento Financeiro-Contábil Brasileiro, com destaque à grande influência do BTC/ FMP/ GE, a saber (21):

  • ANTONIO ROBLES JUNIOR – Contribuição ao estudo da gestão e mensuração de custos da qualidade, no contexto da Gestão Estratégica de Custos (Doutorado – Orientador: Massayuki Nakagawa – FEA/ USP – 1993); Estrutura Financeira das Sociedades Anônimas Brasileiras – consideração sobre o endividamento das Companhias Abertas – (Mestrado –  Orientador: Eliseu Martins – FEA/ USP – 1981)
  • ARMANDO CATELLI – Sistema de Contabilidade de Custos Standard – (Doutorado – Orientador: José da Costa Boucinhas – FEA/ USP; 1972);
  • GEORGE SEBASTIÃO GUERRA LEONE – Custos: Um enfoque Administrativo (Doutorado/ Livre Docência – Orientador: Humberto Montano – FEA/ UFRJ –  1975)
  • RUBENS FAMA – Retorno sobre investimento: sua utilização no Brasil, face a inflação e a evolução da legislação sobre a correção monetária nos demonstrativos financeiros – (Mestrado – Orientador: José Carlos Moreira, FEA/ USP – 1980); Análise do desempenho operacional das empresas com a utilização de números índices: um estudo num conglomerado empresarial – (Doutorado – Orientador: José Carlos Moreira, FEA/ USP –  1987)
  • JOSÉ CARLOS MOREIRA – Orçamento da empresa como forma de controle financeiro, sua utilização na otimização de resultado (Doutorado – Orientadora: Lenita Correa Camargo – 1972)

Em relação ao BTC/ FMP/ GE, entre os seus principais propagadores didático-pedagógicos quer pelo sucesso editorial de seus livros, como pelo números de orientações discentes, cabe destacar:

  • DSc. GEORGE S. GUERRA LEONE (22)

      (FEA/ UFRJ; EBAP/ ISEC/ FGV;FAF/ UERJ; UFPB)

Através de 7 livros publicados, girando em torno de seu pioneiro best seller (Custos: Um Enfoque Administrativo – 2 Volumes – 13 Edições – Editora da FGV –  1971/ 2000), com destaque para suas visões mais modernas (Curso de Contabilidade de Custos: contém critério do custeio ABC – incluindo livro de exercícios Editora Atlas – 1996/ 2000), todas elas enraizadas no BTC/ GE (Curso de Orçamento e Medições – Custo de Chão de Fábrica – Budget & Measurement), onde foi aluno da 1ª turma (Edifício Andorinha – RJ/ DF – 1957/2) e pioneiro instrutor (1958/ 1963),  se tornando verdadeiro paradigma pedagógico universitário nacional nesta temática. Na década de 1970/ 1980, na condição de professor da EBAP/ FGV (Escola Brasileira de Administração Pública), tornou-se Consultor Empresarial das Organizações Globo, focado na complexa Gestão/ Contabilização de Custos Intangíveis (Jornalísticos/ Culturais/ Artísticos), que nos anos subsequentes (O Globo – Direção Executiva: Luiz Eduardo Vasconcellos; Rede Globo de Televisão – Vice-Presidência Financeira: Miguel Pires Gonçalves) foi continuada/ aprofundada por Natan Szuster, com base nos seus estudos pioneiros / expertise consultiva na área de Epistemologia Contábil/ Financeira (University of Illinois at Urbana-Champaign – . Pós-Doutorado – 1996 – 1997);

  • DSc. JOSÉ CARLOS MOREIRA (23)

(ADM/ FEA/ USP)

Foi aluno da 1ª turma do BTC/GE/SP (1958/1), quando ainda cursava o Bacharelado em Administração, tendo tido subsequente intensa atuação como Executivo Financeiro/ Controller (GE – Gerente de Orçamentos; GSS – Grupo Silvio Santos; Unibanco; TVS/ SBT/ RECORD – TV/ AM/ FM) e docente (FEA/ USP – 1962/ 2000). Seu livro Orçamento Empresarial – Manual de Elaboração (Editora Atlas – 5 edições – 1972/ 2002). Nas décadas de 1970/ 1990, lecionava somente disciplinas do Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu (Mestrado/ Doutorado), oferecidas em tempo integral (8 às 18 hs), somente aos sábados, alternando semestralmente entre os seus temas prediletos: Planejamento e Controle Financeiro; Finanças das Empresas Multinacionais. Seu Grupo de Estudos, organizado como Network Científico-Profissional, operacionalizado/ dinamizado através de reuniões sabáticas semanais, gerou uma multiplicidade de dissertações/ teses acadêmicas, bem como intensa atividade de Integração Universidade/ Mercado de Trabalho Executivo (Head Hunter/ Coach/ Orientador de Carreira Profissional). Concomitante ao lançamento da versão brasileira do clássico “Budgeting: profit planning and control” (Glenn A. Welsch – tradução e adaptação a terminologia contábil brasileira por Antonio Zoratto Sanvicente – Editora Atlas – 1971), Moreira, através de seus orientandos, liderou o desenvolvimento de livro de exercícios baseado em casos adaptados à realidade brasileira, traduzindo profunda antecipação dos modernos conceitos de Governança Corporativa, profundamente enraizados no BTC/ FMP/ GE;

  • O BTC/ FMP/ GE NAS EMPRESAS MARKETING-ORIENTED

A partir da década de 1920, a Filosofia Gerencial denominada Marketing Oriented, baseada na assertiva de que a missão principal de uma empresa seria criar um consumidor (atendimento de necessidades explícitas/ latentes), dada a crescente concorrência oligopolista (Fusões & Incorporações; Trustes Financeiros; Produção de Massa; Marketing), conforme difundido por uma multiplicidade de autores, então pioneiros/ contemporâneos (Peter Drucker; Philip Kotler; Theodor Levitt; Eugene Kelly) (24),  foi adotada/ implantada na seguinte ordem histórico-cronológica: (25)

  1. Bens de Consumo de Massa;
  2. Bens Semi-Duráveis de Consumo;
  3. Bens Duráveis de Consumo;
  4. Insumos Básicos;
  5. Bens de Capital;
  6. Comércio/ Varejo/ Serviços;
  7. Governo/ Utilidades Públicas.

 

Os chamados Bens de Consumo de Massa (Mass Merchandising) foram assim denominados devido à explicitação de suas 5 características centrais:

  1. Baixo Valor Unitário;
  2. Compra Repetitiva;
  3. Distribuição Geográfica Pulverizada;
  4. Auto-Serviço;
  5. Embalagem Comunicativa.

Evidentemente, para este tipo de produto, dotado de baixa complexidade tecnológica, o conhecimento das características psico-sociais da clientela se tornava variável central. Assim, os executivos das áreas mercadológico-comerciais dessas empresas tendiam a possuir maior influência/ poder organizacional do que os das áreas de finanças/ produção/ pessoal, tendendo assim a ser tornar a principal origem dos futuros Top Management (CEO/ PRESIDENT).

Numa relação com as maiores empresas mundiais (Fortune 500), as pioneiras do marketing moderno, são exatamente as que lideram neste ranking o setor de bens de consumo de massa (multiproduto), com destaque para 2 delas: (26)

  1. Procter & Gamble (Americana)
  2. Unilever (Anglo-Holandesa)

Com base no livro clássico de Philip Kotler (Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Controle), percebe-se claramente o pioneirismo da P&G na história do Marketing Moderno: adoção de uma concepção estratégica de marketing, baseada na adaptação criativa da empresa como um todo ao ambiente externo, ao invés de simplesmente ajuste produto/ mercado; comercialização de marcas múltiplas segmentadas, administradas por uma estrutura matricial colegiada/ descentralizada de Gerentes de Produtos Generalistas, voltada para articulação/ otimização de resultados (Share; Sales; Profit), configurando com mais de ½ século de antecedência o que posteriormente veio a ser conhecido/ praticado como BSU (Business Strategy Unit), pelas Top Management Consultant (BCG – Boston Consulting Group; McKinsey Company; ADL – Arthur D. Little; Booz, Allen & Hamilton)! (27)

Dado a importância do investimento publicitário neste segmento (Mass Merchandising), as grandes Agências de Propaganda Multinacionais aí atuantes também são obrigadas a adotar Estrutura Matricial de Operações (Atendimento; Criação; Mídia), com forte influência na Dinâmica Estratégica Organizacional dos Veículos de Comunicação (RTV; Jornais/ Revistas; Out-Door). (28)

Sendo o Marketing Moderno uma típica criação do capitalismo norte-americano, coube a Unilever (Anglo-Holandesa), desde os idos de 1930, monitorar/ captar/ adotar pari passu as estratégias de ação da P&G, difundindo/ utilizando em suas operações internacionais, com destaque para o Brasil, já que sua concorrente, pioneira mundial (state-of-art), só ingressou no nosso mercado, na década de 1980, mais de 50 anos depois dela! Foi oriunda da Lintas (Lever International Advertising Service) a estrutura inicial da Rede Globo de Televisão (Produção/ Comercialização), inclusive seu principal executivo (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o popular Boni. Discipulo de Rodolfo Lima Martensen, Diretor da Lintas e da ESPM). (29)

Assim a Unilever (Filial Brasileira – então Gessy Lever), organizou um pioneiro Management Trainee Programme (Duração: 2 anos; Candidatos: 20/ 30 por ano; Áreas: Gerente de Produto/ Inovação Tecnológica/ Pesquisa de Mercado/ Vendas ao Revendedor – Business-to-business/  Materiais/ Tecnológica/ Finanças/ Informática/ Pessoal; Perspectiva Estratégico-Gerencial: Generalista/ Marketing Oriented; Período: 1964/ 2015), cujos egressos passaram a ser assediados por atraentes propostas de emprego (Head Hunter; Agencias de Propaganda; Veículos de Comunicação; Institutos de Pesquisa de Mercado; Empresas Concorrentes/ Mass Merchandising), incluindo os mais diversos setores econômicos (Bens Semi-Duráveis/ Duráveis de Consumo/ Insumos Básicos/ Comércio/ Serviços/ Bancos/ Utilidades Públicas/ Governo), na medida em que pretendam desenvolver Cultura Organizacional Marketing Oriented/ Padrão de Gestão Matricial! (30)

Tanto nos Bancos Internacionais (City Bank; Chase; Santander; HSBC; ABN ANRO), como na telefonia celular (Vivo/ Claro/ Tim/Oi/ Brasil Telecom), houve intenso recrutamento de executivos de marketing/ gerentes de produto oriundos de empresas mass-merchandising (Unilever; J&J; Kibon; Colgate; P&G), sem demandar qualquer experiência prévia na área financeira/ tecnológica! Veja-se o caso do Executivo Manoel Amorim, atual CEO da Abril Educação, contratado para presidir a Vivo, com base na sua experiência prévia de Product Manager (P&G – USA), formação híbrida (Generalista: MBA – Harvard Business School; Tecnológica: Engenharia Química – Bacharelado – IME – Instituto Militar de Engenharia) (31)

No Brasil, a J&J (Johnson & Johnson –  Empresa Norte-Americana – Líder Mundial  no Mercado de Cuidados Pessoais), desde a década de 1970, sofreu intensa influência flexibilizada da Filosofia Marketing Oriented da P&G, difundida pela então Gessy Lever, tendo sido descentralizada através dos referidos BSU (Divisões Operacionais: PPC – Produtos para Criança; PPP – Produtos para Higiene Pessoal; PPS – Produtos para Saúde; Produtos Hospitalares; Produtos Farmacêuticos), gerenciada através de Comitês Matriciais de Produto e atendida pela Agência de Propaganda Lintas (Lever International Advertising Services), com o apoio do Instituto de Pesquisa de Mercado Mavibel (Unilever International Research)!(32)

Foi neste contexto que a J&J Brasil, interessada em incorporar uma Perspectiva de Controle Gerencial Economico-Financeiro, baseada no BTC/ GE (Business Training Course), optou pelo recrutamento do Executivo Roger Barki, que fora aluno de sua turma inicial, atuando nesta empresa por 15 anos (Agosto/ 1957 a 1972), para implantar uma concepção de Controller Divisional/ Corporativo, num contexto organizacional/ correlação de forças político-gerenciais antagônica, típica de uma Empresa Marketing Oriented, como seria destacado por ele mesmo,  após intensa vivência cotidiana (1972/ 1984), ao prefaciar seu livro, sintetizando seu Modelo Hibrido de Controladoria Financeiro-Mercadológica, a saber (33):

Este livro é uma consequência e reflexo de mim mesmo. Acho que ele vem nascendo dentro de mim desde quando iniciei um curso para estagiários na General Eletric: O B.T.C. (Business Training Course), que mais tarde transformou-se no F.M.P. (Financial Management Program). Eu fui o primeiro estagiário a ser contratado, em 1957, e um dos primeiros a ser transformado em instrutor. E isso me apaixonou! Ensinar, comunicar, transmitir experiências se mostrou fascinante para mim! E aí comecei a sentir que o melhor modo de ensinar é fazer com que o aluno participe. (…)

A esse clima juntei minha experiência prática, que conta agora 32 anos. Dentre eles estão os 15 anos em que trabalhei na General Eletric, 12 anos  de Johnson & Johnson, onde tive mais um grande desafio à comunicação quando tive que conviver com a área de marketing e transmitir conceitos financeiros a um pessoal não financeiro (…)

As concepções do BTC/ FMP/ GE, com o passar dos anos, tenderam a sofrer fortes críticas/ restrições, dada sua ênfase formalística/ burocrática, onde os Sistemas de Controle (Controladoria; Planejamento Economico-Financeiro: Curto, Médio e Longo Prazo; Filosofias de Custeio: Direto/ Indireto/ Absorção/ Padrão) tendiam a ser concebidos como um fim em si mesmo, ensejando uma famosa/ contundente/ irônica  crítica de Peter Drucker (Controle, Controles e Administração), aprofundando suas conhecidas/ anteriores idéias  sobre APO (Administração por Objetivos – Eficácia x Eficiência), a saber (34):

“No vocabulário das instituições sociais a palavra ‘controle’ não é o plural de ‘controle” Não apenas mais controles não propiciem necessariamente maior controle, como também as duas palavras, no contexto das instituições sociais, possuem um significado totalmente diverso. Os sinônimos de controles são mensuração e informação. O sinônimo de controle é direção. Os controles pertencem aos meios, o controle a uma finalidade. Os controles lidam com fatos, ou seja, com eventos do passado. O controle trata das expectativas, isto é, do futuro. Os controles são analíticos, dizem respeito ao que era e ao que é. O controle é normativo e diz respeito ao que deve ser. (…)

Quanto menor for o esforço necessário para obter controle, tanto melhor é o esquema de controle. Quantos menos controles forem necessários, tanto mais eficazes eles serão. Na verdade, acrescentar mais controles não redunda num controle melhor. Acaba é criando maior confusão. (§) A primeira pergunta que o administrador portanto deve fazer a si mesmo, ao criar ou utilizar um sistema de controles é, portanto, ‘Qual é o mínimo de informações de que necessito para manter o controle?”

Na verdade, as críticas ao BTC/ GE e seus desdobramentos subsequentes estão na linha direta de causação das grandes inovações contábeis das últimas décadas, daí a importância do seu estudo histórico-epistemológico (hermenêutico/ exegético), como aqui realizado, com os seguintes destaques: (35)

  1. Relevance Lost (H. Thomas Johnson e Robert S. Kaplan – 1987) em que é discutida a perda de relevância histórica dos Sistemas de Informação Contábil (Séculos XIX/ XX – Gerência de Custos x Contabilidade de Custos), concebida como crítica contundente/ radical/ convincente, que apoiaria o lançamento/ sucesso hegemônico  do moderno conceito de Balance Scorecard  (Robert S. Kaplan; David P. Norton), confirmando conhecido ditado popular: criar dificuldades primeiro, para vender facilidades depois! Cabe lembrar que a tradução deste livro no Brasil, foi objeto de 2 edições com conteúdos idênticos, mas tendo capas distintas (Contabilidade Gerencial – A Restauração da Relevância da Contabilidade nas Empresas – 1993 – 1ª ed.; A Relevância da Contabilidade de Custos – 1996 – 2ª ed.), sem que nenhuma delas reproduzisse o sentido semântico do título sensacionalista americano (Perda de Relevância/ Irrelevância Contábil), dado o receio de provocar conflito/ dissenção com a comunidade acadêmica/ profissional desta área;
  2. A chamada Reengenharia de Processos (BPR – Business Process Reengineering), com destaque para os seus trabalhos pioneiros (Reengineering the Corporation, a manifesto for business revolution – Michael Hammer/ James Champy; Process Innovation: reengineering work through Information Technology – Thomas H. Davenport; – 1992) foram claramente antecipadas pelo BTC/ FMP/ GE, como destacado por Guerra Leone, mostrando que a discutida Contabilidade de Custos de Chão de Fábrica tornou-se inquestionável embrião, de um lado do Método ABC (Activity based accounting – Robert S. Kaplan/ Robin Cooper) e de outro da Teoria dos Gargalos (TOC – Theory of Constraints –  Eliyahu M. Goldratt), enquanto critica radical ao mainstream estabelecido/ pensamento ortodoxo (Filosofias de Custeio: Direto/ Indireto/ Absorção/ Padrão), sustentando que o processo decisório gerencial é muito mais influenciado pelas restrições/ gargalos do que pelo custo em si;
  3. O Planejamento Estratégico Moderno, popularizado a partir da década de 1960 pelo BCG (Boston Consulting Group), caracterizado por uma Visão Globalizante/ Generalista/ Matricial do Processo Gerencial (Foco: fora para dentro; cima para baixo; Analise Ambiental: Macro/ Micro/ Mercados/ Clientes/ Concorrentes; Definição da Missão Empresarial; BSU – Business Strategy Unit;  Matriz de Portfólio; Curva de Experiência), também  teve sua origem, ainda no final da década de 1950, na GE (General Eletric), assessorada pela McKinsey Consultant;
  4.  O famoso PROJETO PIMS (Profit Impact of Marketing Strategy),  organizado em 1972, como MSI (Marketing Science Institute), enquanto organização não lucrativa de pesquisa, associada à HBS (Harvard Business School), caracterizado como o maior Banco de Dados de Simulações Empresariais Mundial (Modelagem Quantitativa; Explain ROI – Return on Investment; Variáveis Explicativas: Market Share, Product/ Service Quality; Marketing Expenditures; Investment Intesity; Corporate Diversity), teve sua origem na GE (Project PROM – Profitability Optmization Model), em 1960,  sob liderança de Fred J. Borch (Vice-President Marketing Services), que se tornaria CEO/ GE em 1964, sucedendo a Ralph Cordiner, sofrendo forte influência da mesma Perspectiva Contabil/ Financeira/ Fiscal que criou o BTC, dado a dificuldade operacional para divisionalizar uma corporação mundial integrada verticalmente, conforme acima discutido. Essa constatação se torna importante por haver sido explicitamente reconhecida em artigo à HBR (Harvard Business Review) por seus  principais teorizadores (Impact of strategy planning on profit performance – Study of 57 corporations with 620 diverse businesses, establishes  

Como acima exposto, para que as concepções de SISTEMAS DE CONTROLE ECONOMICO-FINANCEIRO (Controladoria; Planejamento Economico-Financeiro: Curto, Médio e Longo Prazo; Filosofias de Custeio: Direto/ Indireto/ Absorção/ Padrão) oriundos do BTC/ FMP/ GE pudessem ser transplantados/ adaptados/ operacionalizados, no âmbito da J&J, típica empresa Marketing Oriented/ Mass Merchandising, foi necessário que Roger Barki, com base na sua historicidade gerencial pregressa, como se diz em linguagem popular, se dispusesse a “plantar uma verdadeira bananeira mental”, abaixo discutida!

O BTC/ GE, durante seus anos iniciais (1957/ 1970), até sua posterior alteração para FMP (Financial Management Program – Décadas de 1970/ 1980), adotou uma auto-denominação ampliada/ distorcida/ abusiva, já que no seu sentido semântico original estrito (Business Training Course) sinalizava para a idéia de General Manager, transcendendo amplamente o escopo de um “mero”  Programa de Treinamento Contábil/ Financeiro/ Fiscal, cujos participantes, com raríssimas exceções, não eram oriundos das demais áreas funcionais (Comercial/ Vendas/ Marketing; Produção/ Tecnologia/ Engenharia)

Nas chamadas Empresas Marketing Oriented (P&G; UNILEVER; J&J), a palavra “Marketing” (36)  não é utilizada para designar Gerencia Funcional Comercial (Adaptação Produto/ Mercado), mas sim Gerencia Geral (Adaptação da Empresa Global ao Ambiente Externo), sendo operacionalizada através de Estrutura Matricial Descentralizada (Comitês Deliberativos Multi-Funcionais), liderados por um Gerente de Produto Generalista! Neste contexto, a Area Contábil/ Financeira passa ser denominada de Marketing Controller, demandando uma Praxis Gerencial Transversal (Multidisciplinar), similar aos atuais Business Games (Desafio Sebrae e outros)! Dada a dinâmica gerencial específica (flexível/ informal/ intrapreneuring/ focada em resultados), o Processo Decisório depende sobretudo de Pesquisas Antropológicas sobre Comportamento Psico-Social da Clientela (Etnográficas/ Qualitativas/ Group Discussion/ Anticipation and Decision Making: the need for information – ESOMAR – European/ World Society for Opinion and Marketing Research), muito mais do que de um Sistema de Controladoria Tradicional (Planos Estratégico/ Tático/ Operacional/ Orçamentos; Relatórios Comparativos Periódicos: Curto/ Médio/ Longo Prazos – Mensal/ Acumulado/ Orçado –  Reuniões Periódicas de Prestação de Contas/ Arguição Oral)!

  • INFLUÊNCIA PIONEIRA DO BTC/ FMP/ GE (Décadas de 1970/ 1980):

 GRUPO SILVIO SANTOS/ SBT – SISTEMA BRASILEIRO DE TV: (37)

Uma das experiências mais originais/ pioneiras de implantação de Controladoria Financeira em Empresas Diversificadas (Holding Central  + 3 Mini-Holdings Divisionais: Comércio; Serviços Financeiros; Rádio-Difusão) se deu no Grupo Silvio Santos, já início da década de 1970, fortemente influenciada pelo BTC/ FMP/ GE, sob liderança do Prof. DSc. José Carlos Moreira (ADM/ FEA/ USP), acima referido, que havia sido aluno da 1ª turma deste Curso em SP (1958/ 1960). Esse case history, completamente ignorado pela literatura administrativa-financeira, merece registro sob dupla perspectiva:

  • Rastrear/ apreender as raízes históricas do caldo de cultura organizacional que permitiu à Filosofia de Controle Gerencial se transformar numa verdadeira Religião Empresarial;
  • Conhecer/ analisar a gênese dos diferenciados Modelos de Custeio de Intangíveis Artísticos, capaz de captar a especificidade da Programação/ Produção Radio-Televisiva;

O referido caldo de cultura origina-se da historicidade do próprio Silvio Santos (Senor Abravanel), que ao contrário da visão folclórica de se tratar de self made man, além de filho de micro-empresário (Imigrante Judeu – Comércio de Bijouterias –  Cais do Porto do Rio de Janeiro – Praça Mauá), recebeu uma esmerada formação como Técnico de Contabilidade (1945/ 1948), na Escola Amaro Cavalcanti (Largo do Machado – RJ/DF), que é a atual FAF/ UERJ (Faculdade de Administração e Finanças), cujo currículo e corpo docente, na época, eram oriundos, em grande parte, da ETC/FGV (Escola Técnica de Comércio/ Fundação Getúlio Vargas). (38)

Na eleição de 1945, final do Estado Novo, impressionado com volume de vendas de um camelô que comercializava carteiras para guardar títulos de eleitor, no centro do RJ/ DF, adquiridas no Saara (Sociedade de Amigos da Adjacência da Rua da Alfandega), optou por esta profissão não como um fim em si mesmo, mas sim por identificar aí, um novo canal de distribuição das mercadorias vendidas pelo pai, limitando-se a trabalhar poucas horas diárias, durante o almoço da fiscalização, mantendo o irmão como olheiro. Significativamente, quando era detido, mobilizava os transeuntes com o argumento de que era um Estudante de Contabilidade, necessitando do dinheiro para compra de seus livros escolares! Na época, mesmo obtendo o 1º lugar num Concurso de Locutor de Rádio, tendo como 2º colocado o humorista Chico Anísio, após algum tempo voltou à atividade de camelô, por entendê-la como demandando menor carga horária de trabalho e mais lucrativa, o que caracteriza uma clara visão de negócios.

Durante seu Serviço Militar (Corpo de Paraquedista do Exército – Campo dos Afonsos), dado a identificação pelo corte de cabelo de recruta, viu-se proibido de continuar trabalhando como ambulante, levando-o sucessivamente a atuar em Niterói, inicialmente como animador noturno de rádio e depois concessionário da Barca da Canteira (Serviço de Bar/ Bingo/ Musical/ Locução/ Animação), que nos finais de semana era direcionada/ parqueada em Paquetá, permitindo-lhe agregar o serviço de aluguel de bicicletas. Em todos estes contextos já fazia amplo agenciamento publicitário (Alto-Falante/ Revistas de Palavras Cruzadas), colocando-se na posição de empresário/ empregador, dotado de embrionária estrutura organizacional.

Durante demorado período de manutenção/ reforma da Barca da Cantareira, onde estava instalado seu principal ativo fixo, é convidado para conhecer São Paulo por Representante da Cervejaria Antártica, da qual se havia tornado grande revendedor. Após ser vetado em concurso de calouros radiofônicos (Rádios Nacional/ Excelsior – Fundação Vitor Costa), em função de sua expertise anterior (RJ), é contratado por essas emissoras para o  Programa Manoel de Nóbrega, na condição de Locutor Publicitário, aproveitando-se do pedido de demissão/ casamento do funcionário anterior, que lhe transfere até o quarto de pensão, onde surgirá seu núcleo familiar matrimonial inicial: sogra, sua primeira esposa e cunhado adolescente/ braço direito! Concomitante com a Locução Radiofônica, transfere/ instala seu Bar de Inox nas imediações da rádio (SP), volta a explorar Agenciamento Publicitário (Revistas de Passa-Tempo), cria um Grupo de Shows em Praça Pública (Caminhonete Ambulante), que se tornou popular com a denominação de Caravana do Peru que Fala, em função de ainda ficar ruborizado ao falar, se financiando através de Propagandas de Candidatos Políticos/ Publicidade Comercial/ Rifas/ Sorteios!

Na época, Manoel de Nóbrega, amplamente conhecido/ eleito como vereador municipal (SP/ SP),  foi abordado por empresário alemão propondo-lhe sociedade no lançamento de uma versão de Carnê de Natal (Cesta de Presentes), que denominou Baú da Felicidade (BF), cabendo a aquele a Locução Publicitária e a este a Venda Pessoal! Multiplicidade de clientes, ludibriados com a não entrega do produto, levaram Nóbrega  a se decidir pelo fechamento do empreendimento, solicitando a Silvio Santos (SS), então Locutor Publicitário de seu programa, que fizesse o rescaldo do mesmo, dando plantão diário na loja comercial (Ponto de Venda), visando arrolar os compradores que deveriam ser ressarcidos! Após alguns dias, percebendo a potencialidade inexplorada do negócio, SS sugeriu a Nóbrega continuar a operação, com sua participação acionária, responsabilizando-se por toda comercialização/ operação, realizada com o auxílio do futuro cunhado adolescente, enquanto aquele continuaria/ intensificaria a Divulgação Publicitária Radiofônica.

Desde então, o BF realizou ampla diversificação mercadológica (Carnês Especiais/ Datas Festivas Anuais – Brinquedos/ Utilidades Domésticas/ Automóveis/ Casas/ Serviços Financeiros), apoiado em intensivo Esforço Promocional (Locução Radiofônica; Show em Praça Pública/ Caravana do Perú que Fala; Sorteios/ Bingos/ Patrocínios), chegando, desde 1960, à compra de Espaço Televisivo Dominical/ Semanal (TV Paulista/ SP – Canal 5 – Organizações Victor Costa; TV Globo a partir de 1966),  operacionalizado através da Publicidade Silvio Santos (PSS), embrião do atual SBT (TVS/RJ + REDE TUPI – SP/ RS/ PA + 50% RTV RECORD – RADIO AM/ FM – TV RECORD/ SP), apoiado por ampla Diversificação Empresarial Concêntrica (Lojas de Utilidades Domésticas; Revendedoras de Veículos; Construtoras Residenciais; Seguradoras; Corretoras de Seguro; Financeiras/ Distribuidores/ Corretoras de Títulos/ Capitalização/ Planos de Saúde/ Agências de Viagens; RTV- Emissoras/ Dubladoras/ Distribuição de Filmes/ Representação Publicitária/ Central de Produções Artísticas)!

Em termos gerenciais, Silvio Santos, dotado de diferenciada/ sólida Formação/ Perspectiva Contábil/ Financeira/ Atuarial (Teoria dos Jogos/ Risco Coletivo), sempre se auto vangloriou, em biografias/ entrevistas diversas, possuir um feeling especial para identificar/ recrutar seus assessores/ gestores. Obrigado a frequentar cotidianamente a Secretaria da Receita Federal (SRF/ SP), dada a necessidade de obter aprovação reiterada para suas Promoções/ Sorteios, convidou, ainda em meados da década de 1960,  o Superintendente Regional (ELIEZER PATRICIO – SR/ SRF/ SP), acompanhado por diversos assessores, para assumir a Presidência do Conselho de Administração (CONS.ADM/ GSS), tendo seu referido primeiro cunhado, como Diretor Executivo, promovendo uma ampla Cultura Corporativa de Auditoria Financeira. Neste contexto, ao assistirem um Curso de Controladoria Financeira, lecionado pelo Prof. DSc. José Carlos Moreira (ADM/ FEA/ USP), baseado no BTC/ FMP/ GE, o convidaram/ contrataram para implantar essa Metodologia de Controle Gerencial no GSS, o que o fez assessorado por diversos alunos/ orientandos acadêmicos, egressos desta universidade, baseado na acima referida Estrutura Multidivisional, a saber:

Holding Central: Conselho de Administração/ Diretoria Executiva/ Controladoria; Joint Venture (3 UENs); 3 Mini-Holding Divisionais: Comércio/ Varejo (6 UENs); Serviços Financeiros (8 UENs); RTV/ Comunicações – 15 UENs; UEN/ Estrutura: Gerente Geral + 4 Gestores Funcionais: Comercial/ Operacional/ Tecnológico/ Financeiro;

Nesse contexto, cumpre destacar que Silvio Santos não ocupava cargo executivo formal, colocando-se somente como Acionista Majoritário (Conselho de Administração – Reuniões Semanais – Governança Corporativa) e Apresentador/ Diretor Artístico, cuja remuneração era negociada com seus próprios empregados. Implantou-se um Programa de Planejamento e Controle Financeiro Ortodoxo (Curto/ Médio/ Longo Prazo – Mensal/ Anual/ Quinquenal), descentralizado ao nível das 32 UENs e com consolidações parciais/ global (3 Mini-Holding Divisional + Corporativo), incluindo Relatórios Comparativos de Acompanhamento Periódico (Variações: Realizado/ Orçado/ Ano Anterior – Mensal/ Acumulado Anual – Unidades de Negócios/ Divisões/ Global), objeto de Reuniões Mensais Presenciais (Apresentação/ Arguição Oral/ Avaliação/ Re-Direcionamento Executivo), envolvendo todos os Colegiados Diretivos Empresariais (UEN: 5 Gestores; Divisões: 5 Diretores; Holding: Chairman/ Diretor Executivo/ Controller)!

A implantação do Modelo BTC/ FMP/ GE no GSS gerou fortes reações na Divisão de Empresas de Comunicação (RTV/ Produção Artística), caracterizada por um Processo Decisório Informal/ Intuitivo/ Criativo (Feeling Artístico), legitimado pela presença cotidiana do próprio Silvio Santos (Dublê de Acionista Controlador/ Comunicador Mediático), fazendo com que surgissem as conhecidas Patologias Burocrático Orçamentárias, caracterizadas por multiplicidade de meios (diretos/ indiretos; explícitos/ implícitos) de maquiar os Sistemas de Controle Gerencial, por serem concebidos como um fim em si mesmo, situação prevista por Peter Drucker (Controles, Controle e Administração)!

De outro lado, dado o Processo de Integração Vertical Artística aí vigente, a questão central dos Métodos de Custeio/ Preços Internos de Transferência, de maneira similar ao ocorrido na GE, provocou amplas/ inovadores debates conceituais, levando a utilização pioneira de Apontadores de Produção Artísticos, inspirado no BTC/ FMP/ GE (Curso de Orçamento e Medições – Custo de Chão de Fábrica – Budget & Measurement), enfatizando a definição de critérios originais para classificação da contabilização artística entre Despesas Operacionais/ Custos Capitalizados, para o que se tornou necessário incorporar/ adaptar/ recriar a moderna Perspectiva Contábil-Financeira (Contabilidade por Responsabilidade; Margem de Contribuição; Custeio Direto; Custo Padrão;  Lifo/ Fifo; Indicadores de Desempenho; Preços de Transferência), acima referida, articulado por um Modelo de Apoio Tri-Dimensional (Processo Decisório Comercial), nos moldes do Projeto PIMS (39): 1-) Audiência do Programa; 2-) Custo de Produção; 3-) Encaixe Publicitário (Procura x Disponibilidade Horária)!

Com o estado falimentar da Rede Tupi de Televisão (1981), suas concessões foram cassadas e licitadas, juntamente com alguns outros canais já disponíveis (JB – RJ/SP + TV RIO), para os 2 Grupos Empresariais Vencedores: Editora Bloch/ Manchete (RJ/ SP/ BH/ DF/ RE) e GSS/ SBT (RJ/ SP/ POA/ BE)!

Neste contexto, o GSS/ SBT promoveu ampla Revolução Paradigmática Organizacional (Rede ou Sistema? Eis a Questão), opondo à Estrutura Centralizada da Rede Globo (Matriz => Reprodutoras/ Afiliadas), uma concepção original/ pioneira de Sistema Centrípeto Co-Gerenciado (Núcleo ó Central de Produção ó Exibidoras/ Telespectadores/ Anunciantes), operacionalizada como Eco-Sistema Corporativo (Planejamento Estratégico/ Marketing Nacional/ Marketing Regional), viabilizador de grande Dinâmica Competitiva (Análise Macro Ambiental: Econômico/ Social/ Político/ Tecnológico; Clientes: Detectar/ Satisfazer Necessidades Latentes; Concorrentes:  Antecipar/ Neutralizar Ações; Sistema Vertical de Marketing: Pull x Push), traduzindo a referida síntese dialética entre Perspectivas Gerenciais Contrapostas, acima discutida: CONTABILITY/ FINANCIAL ORIENTED (BTC/ FMP/ GE) x MARKETING ORIENTED (J&J/ LEVER/ P&G).

Mais uma vez, como está discutido em amplo estudo lógico-empírico (Estratégia Empresarial e Estrutura Organizacional nas Emissoras de TV Brasileiras – 1950/ 1982 – Tese de Doutoramento – EAESP/ FGV – 1983 – 524p.), defendida muito antes do lançamento dos 2 livretos de Roger Barki/ Josy Alzogaray (Guia Completo do Funcionamento de uma Empresa/ Como Dirigir uma Empresa – Micro/ Média/ Grande – 1985/ 1987), cabe enfatizar que o estudo dessa perspectiva metodológica se torna da maior importância (teórica/ prática), por antecipar as concepções modernas de Controle Gerencial, sabiamente destacado por George Sebastião Guerra Leone, in verbis (ad nauseam): (Vide Nota 2)

Contabilidade Gerencial (Custeio Direto; Margem de Contribuição; Contabilidade por Responsabilidade; Controladoria; Planejamento Economico-Financeiro); Planejamento Estratégico Corporativo; PIMS (Profit Impact of Marketing Strategy; Relevance Lost; Balanced Scorecard; ABC – Activity Based Costing; EVA – Economic Value Added (Cadeias de Valor); Reengenharia de Processos (Custeio de Chão de Fábrica); Just-in-Time; TOC- Theory of Constraints; Six Sigma (Jack Welch);

Recentemente foi muito noticiado que Silvio Santos  contratou a Mckinsey Consultant (40) para implantar Programa de Capacitação Estratégica Gerencial, visando transformar suas 6 filhas em Super-Executivas Empresariais. Na verdade, o que está em jogo é  parte da dissimulada luta de poder familiar pela sucessão do apresentador, que tem se intensificado em função de sua idade avançada! Inicialmente, dado só possuir (2 + 4) filhas , oriundas de 2 casamentos distintos, sua sucessão se concentrou inicialmente em sobrinhos/ cunhados e presumidamente nos genros, como ocorreu no antigo Banco Real (Banqueiro Aloysio de Andrade Faria; Filiação: Clemente Faria – Banco da Lavoura de Minas Gerais)! Dado intensa participação evangélica (Igreja Renascer em Cristo) da esposa/ filhas do 2° casamento, nos moldes discutido por Max Weber (Ética Protestante e Espírito Capitalista), foi amplamente estimulado o potencial empreendedor familiar feminino, quer como líder de equipe de roteiristas de novelas e apresentadora televisiva, como ocupando cargos executivos nas múltiplas áreas empresariais (Programação; Produção; Cosméticos/ Hotelaria; Board Corporativo)! Agravando a luta sucessória intestina, neto do primeiro casamento, dotado de extraordinário potencial artístico, visualizado como mais competitiva alternativa para sucedê-lo como animador de auditório, tornou-se destacado artista global, sua principal concorrente! Silvio Santos, tendo seu escritório particular, de longa data, localizado na própria mansão residencial, tem implantado um informal Projeto de Universidade Familiar, com forte Perspectiva Pedagógica Contábil/ Financeira/ Judaica/ Evangélica,  operacionalizada através de Modelos Estatístico-Atuariais Interativos (Teoria dos Jogos/ Riscos Coletivos), denunciando um caldo de cultura organizacional profundamente influenciado, inicialmente pelo Curso Técnico de Contabilidade (Escola Amaro Cavalcanti – – Largo do Machado – RJ/DF – 1945/ 1947) e depois pelo BTC/ FMP/ GE (Décadas de 1970/ 1990)

  • PROGRAMA DE EDUCAÇÃO ESTRATÉGICA EMPRESARIAL

FUNDADA NO BTC/ FMP/ GE E FOCADA EM MARKETING

No final de sua carreira, ROGER BARKI (GE: 1957/ 1972 – 15 anos; J&J: 1973/ 1985 – 12 anos) se propôs a desenvolver uma inédito MODELO DE EDUCAÇÃO EMPRESARIAL GENERALISTA, promovendo uma síntese dialética cultural entre o BTC/ FMP/ GE (Financial Oriented) e seu transplante para a JOHNSON & JOHNSON (Marketing Oriented), entendendo que essa concepção poderia ser desenvolvida através de um processo narrativo coloquial/ intuitivo/ dialógico/ motivante, situadas em imagens cotidianas de vida, voltada para fundamentar/ habilitar/ capacitar ao Exercício da Cidadania Empresarial/ Gerencial, aberta/ compreensível a todos as Áreas/ Níveis do Ensino Universitário/ Médio/ Supletivo/ Profissional. Para isso, como co-autores, mobilizou antigos colegas profissionais (BTC/ FMPeers) e convocou sua filha (Josy Barki Lamenza Alzogaray) para atuar como ghost writer coletivo, em função de não possuir qualquer formação/ vivênvia/ experiência empresarial prévia, possibilitando expor os diversos conceitos gerenciais aí envolvidos ao nível do senso comum (Action Research/ Introjeção Psiquico-Emocional), sem qualquer tipo de hermetismo/ pré-julgamento/ ortodoxia, produzindo 2 livros, muito pouco difundidos/ conhecidos, que examinaremos em seguida, dirigidos aos públicos :

  • Guia Completo do Funcionamento de uma Empresa: Micro, Média e Grande (Roger Barki e Josy Alzogaray – Editora Vozes – 1985);
  • Como dirigir uma Empresa: Micro, Média e Grande (Editora Espaço e Tempo; Roger Barki e Josy Alzogaray; 1987);

OS DIFERENTES PÚBLICOS A QUE ESTE LIVRO ESTÁ DIRIGIDO

  • Aqueles que desejam abrir o seu próprio negócio;
  • Aos Universitários da Área de Administração, Economia e Ciências Contábeis;
  • Aqueles que já exercem uma atividade profissional, mas que tem o seu conhecimento restrito ao seu trabalho;
  • A você;

GUIA COMPLETO DO FUNCIONAMENTO DE

UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE

(ROGER BARKI E JOSY ALZOGARAY

 EDITORA VOZES – 1985); (Vide Nota 31)

 

A importância deste texto não está no seu conteúdo intrínseco em si, mas sim por se tratar de uma das raras bases documentais/ bibliográficas, da maior importância para pesquisas histórico-epistemológicas (hermenêuticas/ exegéticas), sobre o Conteúdo Programático do BTC/ FMP/ GE (1957/ 1985), apresentada numa versão resumida, acrescida com noções básicas da Perspectiva Integrada Logístico-Mercadológica da Johnson & Johnson (MKT/ PCP  – Planejamento e Controle de Produção/ Gestão de Materiais), característica de Empresas Mass-Merchandising, expostas num texto didático-dialogal interativo, como se infere do respectivo sumário anexo:

COMO DIRIGIR UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE

Roger Barki e Josy Alzogaray – Apresentação: Nelson Barrizzelli

Editora Espaço e Tempo – 1987 (41)

Neste livreto, Roger Barki apresenta um originalíssimo estudo de caso interativo, redigido em linguagem intuitiva por sua filha Josy Alzoragay (ghost writer/ co-autora), possibilitado por seu perfil outside, já que não possuía vivencia empresarial prévia, onde um Trainee Universitário, que narra toda a história na primeira pessoa do singular, é convocado por um Consultor Gerencial (Sr. Raposo) para acompanhá-lo a uma Reunião de Diretoria (Imersão Antropológica/ Action-Research), de uma hipotética Empresa Cliente (Fresh Wonder), cujas características são inspiradas na sua historicidade pessoal (J&J – Divisão de Produtos Pessoais), que demandava serviços de consultoria, visando melhorias no seu Sistema de Relatórios Gerenciais!

Ao longo desta Reunião de Diretoria, o trainee narrador tem oportunidade de assistir/ vivenciar diversas exposições orais e debates polêmicos/ acalorados, envolvendo diversos Diretores/ Gerentes Empresariais (Geral; Controladoria; Produtos ao Consumidor; Produtos Industriais; Produtos Pessoais;  Marketing; Vendas; Propaganda; Relações Públicas; Custos; Recursos Humanos; Fabricação; Suprimentos; Auditoria; Jurídico; Tesouraria), concluindo, com base na sua visão de senso comum, que os Relatórios de Controle (20 páginas – 500 Centros de Custos) estivessem no limite da perfeição, não necessitando de qualquer melhoria.

Ao contrário, o Consultor Raposo discordando do  Trainee Gerencial, mostra que esta empresa adotava uma Filosofia Tradicional de Controladoria, em termos de conceber o Sistema de Informação como fim em si mesmo, sem articulação com a prévia formulação/ explicitação da Missão Corporativa/ Planejamento Estratégico Empresarial, razão pela qual optou por destacar nos 2 primeiros capítulos desse livreto essa disfuncionalidade gerencial (I-  Uma Reunião de Diretoria que não deu certo; II- Por que não deu certo), de cuja crítica engendra sua Proposta Consultiva  (III – Como estabelecer a Missão da Companhia; IV – Como estabelecer um Planejamento Estratégico; V – Como estabelecer um Sistema de Relatórios Gerenciais; VI – Uma Reunião de Direitoria que deu certo), baseada numa rede articulada/ enxuta de Indicadores de Desempenho Gerencial (Análise Ambiental; Missão Corporativa; Dinâmica Organizacional; Gerencias Funcionais; Business Game/ Processo Decisório; Simulações), fundamentada na articulação dialética entre o BTC/ FMP/ GE e as Empresas Marketing Oriented/ Mass Merchandising, conforme discutimos acima.

Essa metodologia de Planejamento Empresarial, originalmente desenvolvida por Roger Barki para o IEA/ USP (Instituto de Administração/ Programa de Estudos do Futuro – Coordenador: Bruce Baner Johnson), exposta na referida linguagem coloquial (intuitiva/ interativa/ motivante), como um case history, por Josy Alzogaray, apresenta os seguintes destaques:

  • DEFINIÇÃO DA MISSÃO EMPRESARIAL (Fresh Wonder – Divisão de Produtos ao Consumidor);
  • PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO INTEGRADO (A-) Produtos ao Consumidor/ Produtos Industriais; B-) Controladoria/ Tesouraria/ Recursos Humanos; C-) Fabricação; D-) Suprimentos);
  • REUNIÃO DE PLANEJAMENTO (Fresh Wonder – Objetivos/ Produto Esperado; Processo em Duas Etapa: Análise da Situação/ Estruturação de Objetivos e Definição de Prioridades; Análise da Situação – Método de Trabalho/ Produto Esperado);
  • ROTEIRO: TÓPICOS PARA ANÁLISE DA SITUAÇÃO ESTRATÉGICA (A – Produtos ao Consumidor/ Produtos Industriais – Objetivos; B – Controladoria/ Tesouraria/ Recursos Humanos – Objetivos; C- Fabricação – Objetivos; D – Suprimentos – Objetivos);
  • ÁRVORE DE OBJETIVOS (Fresh Wonder);
  • SISTEMA DE RELATÓRIOS GERENCIAIS (I- Ciclo Completo de Operações – 7 Indicadores; II – Vendas/ Clientes – 9 Indicadores ; III – Produção/ Processo de Fabricação – 12 Indicadores; IV – Suporte/ Gestor – 3 Indicadores);

Sob a ótica do senso comum, esse livreto (COMO DIRIGIR UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE – Roger Barki/ Josy Alzogaray – Editora Espaço & Tempo – RJ/RJ – 1987) é percebido simplesmente como mais um Manual Gerencial Tradicional (Auto-Ajuda), baseado num case history study, similar a diversos outros existentes no mercado.

De outro lado,  por meio da presente análise semiótica (hermenêutica/ exegética), voltada para rastrear/ explicitar suas raízes histórico-epistemológicas (BTC/ FMP/ GE x J&J/ LEVER/ P&G), baseado na busca de uma articulação dialética sui generis (Conhecimento Técnico x Competência Gerencial), ele se torna uma Revolucionária Proposta de Educação Estratégica Empresarial, a demandar novos estudos/ difusão, dado seu pioneirismo metodológico:

Contabilidade Gerencial (Custeio Direto; Margem de Contribuição; Contabilidade por Responsabilidade; Controladoria; Planejamento Economico-Financeiro); Planejamento Estratégico Corporativo; PIMS (Profit Impact of Marketing Strategy; Relevance Lost; Balanced Scorecard; ABC – Activity Based Costing; EVA – Economic Value Added (Cadeias de Valor); Reengenharia de Processos (Custeio de Chão de Fábrica); Just-in-Time; TOC- Theory of Constraints; Six Sigma (Jack Welch);

  1. ANÁLISE/ CONCLUSÃO/ NOVAS PESQUISAS

Este pequeno texto (80 págs), concebido como Projeto Metodológico Auto-Didata (Group Discussion), assume a dimensão de um verdadeiro MBA JUNIOR (Análise Ambiental: Macro/ Micro/ Mercado; Missão Estratégica; Dinâmica Organizacional; Áreas Funcionais; Processo Decisório/ Simulação/ Jogos de Empresas), possuindo uma densidade gerencial/ realismo situacional, por ter sido gestado em corporações transnacionais (Big Business), muito superior ao artificialismo de seus simulacros, como é o caso do Desafio Sebrae (42), sob a ótica do Novo Mercado de Trabalho (Fim dos Empregos; Um Mundo sem Empregos; Intrapreneuring)! (43)

Roger Barki, ao optar por explicitar no título desses seus 2 livretos a expressão Micro, Média e Grande, promove uma polêmica fecunda  e rara quebra de paradigmas, por entender que o Fluxograma Decisório Gerencial Básico, acima explicitado, deve ser literalmente o mesmo, independente do porte empresarial. Sob Perspectiva Pedagógica  aí se faz a opção por imersão intuitiva máxima, valorizando introjeção gestaltica inicial, de natureza desordenada/ confusa/ caótica, em detrimento do conhecimento socrático-cartesiano, baseado em conhecido ditado popular: Pensar Global, Agir Local! Nesse contexto, cabe destacar, em termos epistemológicos, que muitos modelos teóricos são considerados pouco práticos, devido ao seu artificialismo/ fragilidade teórica. Assim, paradoxalmente, aumentar sua capacidade operacional demanda seu enriquecimento teórico prévio, e não no seu adestramento instrumental!

Nesse contexto, sob a ótica de Max Weber (Ética Protestante e Espírito Capitalista), este livreto, turbinado com as concepções de Co-Gestão Participativa (Peter Drucker – Eficácia x Eficiência),  assume o caráter de um Projeto de Educação para a Cidadania Gerencial Brasileira (Transdiciplinar/ Auto-Didata/ Disciplina Ancora/ Articulação  Curricular), qual Movimento Civilizador Empresarial (Catequização/ Evangelização Pedagógica/ Open University), nos moldes do BTC/ FMP/ GE (Alquimia de uma Corporação – A Magia de um Treinamento), direcionado para amplo Público-Alvo (ENEM/ GEOGRAFIA ECONOMICA; UNIVERSIDADES/ CICLO BÁSICO; COMUNIDADE EMPRESARIAL), demandando Programas de Formação de Multiplicadores (Grupos de Discussão/ Redes Sociais/ Artigos Científicos – Monografias/ Dissertações/ Teses), fundamentado em suas raízes histórico-epistemológicas: GE (Business Training Course/ Financial Management Program) x J&J/ LEVER/ P&G (Marketing Oriented/ Mass Merchandising)!

A emergente  Revolução Contábil Ambiental, fundamentada em profunda crítica epistemológica, em relação aos critérios de precificação de ativos intangíveis, amplamente destacada na obra do Prof. José Roberto Kassai (Conciliação: VPL x EVA; TIR x ROI; Relato Integrado/ Balanço Contábil das Nações), tem suas raízes históricas no esforço de articular o Pensamento Contábil com seu contexto econômico (GECON/ FEA/ USP), preocupação central do BTC/ FMP/ GE, desde seus primórdios!

Como propugnado por Michel Foucault (44), em instigante livro (Arqueologia do Saber), o BTC/FMP/GE não deve ser concebido como passado/ saudosismo, já que se trata de conhecimento fundamental para compreender-se a dialética das transformações do pensamento contábil/ financeiro sob perspectiva futura, só passível de ser apreendida através de pesquisas sobre raízes histórico-epistemológicas (exegético-hermenêuticas), de maneira similar aos arqueólogos que através dos pioneiros estudos sobre a Pedra da Roseta, conseguiram decifrar os hieróglifos egípcios e sua rica civilização humana milenar!

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NOTAS

  • BASSETO, José Luiz (Org.) – Alquimia de uma Corporação – A Magia de um Treinamento – Edições Inteligentes – 12 Co-Autores – SP – 2004 – 237 págs.; Vide Cap. 1 – Varela, Ernesto Luiz – Doze Vidas e uma Empresa – Narrativas de uma Equipe de Executivos – e Cap. 12 – Demarchi, Mateus Agostinho – A História de um Livro e seus Autores;
  • Ibid, Cap. 2 – Leone, George S. Guerra – Recordações de um Passado Atual;
  • KOTLER, Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Controle – São Paulo, Atlas, 1975, 3 v.;
  • SWASY, Alecia – Soap Opera – Inside History of Procter & Gamble; New York – Touchstone – 1993; Unilever v/s Procter & Gamble – War of the Worlds – equitymaster.com;
  • POTSCH, Luís Eduardo; LIMEIRA, Tânia Maria Vidigal. The Implications of the Strategic-Organizational Dynamics of Companies (Market Research Users) for the patterns of action of Market Research Agencies (Supliers) – The role of the Researcher and the Internal Company Decision-Making System – Anticipation and Decision Making: the need for information. 39th ESOMAR CONGRESS – European Society for Opinion and Marketing Research –  Monte Carlo – 14th  – 18th September – 1988; http://www.esomar.org;
  • DRUCKER, Peter Ferdinand – Administração: Tarefas, Responsabilidades e Práticas. São Paulo, Pioneira, 1975 – Capítulo 39 – Controles, Controle e Administração – Págs. 548/ 555;
  • Informações ricas sobre a historicidade do BTC/ FMP/ GE devem ser buscadas nas entrelinhas desses 3 livros, obtidas através de uma leitura hermenêutica/ exegética, nos moldes realizado por Michel Foucault (Arqueologia do Saber);
  • http://pensadoranonimo.com.br/e-um-crime-o-curriculo-lattes-diz-marilena-chaui/; Marilena Chauí, ex-aluna e professora aposentada (FFCH/ USP), considerada expoente máxima da chamada Geração Maria Antonia (Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras – Décadas de 1950/ 1960), enquanto discípula dileta da famosa Missão Francesa (Nobre, Marcos; Rego, José Márcio- Conversas com Filósofos Brasileiros – SP – Editora 34 – 2001);
  • Na Université Catholique de Louvain desenvolveu-se um dos mais importantes Centros de Filosofia da Ciencia Heterodoxos Mundiais, em oposição ao Positivismo/ Empirismo Lógico dominante. O título deste livro, qual verdadeiro Manifesto Epistemológico, afirma implicitamente que a Dinâmica da Pesquisa em Ciências Sociais possui especificidade/ dialética própria, não podendo ser confundida/ reduzida às Ciências Naturais. O Prefácio de Jean Ladriere, líder deste movimento, é revelador/ conclusivo;
  • Alberto Oliva (IFICS/ UFRJ), através de seu Centro de Lógica e Epistemologia da Ciência, está entre os maiores experts sobre a especificidade da Pesquisa Científica, tendo desenvolvido interpretações originais contrapostas sobre as Perspectivas de Karl Popper e Thomas Kuhn, sintetizada de maneira acessível em um de seus livros (Filosofia da Ciência – Coleção Passo-a-Passo – Zahar Editor – 2003);
  • O livreto A Evolução da Física, escrito por Albert Einstein/ Leopold Infeld, em 1938, transcendeu seu objetivo didático inicial, tornando-se um clássico da filosofia da ciência, dado seu texto intuitivo/ crítico/ lógico/ reflexivo, sem demandar conhecimentos avançados quantitativos;
  • Karel Kosik foi um dissidente anti-soviético da antiga Techo-Eslováquia, tendo desenvolvido interpretações originais sobre Filosofia da Praxis (Dialética Hegeliana do Pensamento x Dialética Marxista da Ação), cuja obra foi difundida no Brasil pelos Filósofos Leandro Konder (PUC/RJ) e Carlos Nelson Coutinho (ESS/ UFRJ);
  • BASSETO, J.L. – op. cit., Pág. 45
  • Alfred Chandler, na condição de Professor de História dos Negócios (Harvard Business School), através de 2 clássicos / paradigmáticos livros (Strategy and Structure: Chapters in the history of industrial enterprise – 1966; The Visible  Hand: The Managerial Revolution of American Business – 1977),  é o principal pioneiro  dos modernos estudos sobre estratégia empresarial. Teria deixado de receber o Premio Nobel de Economia por haver irritado a Academia Sueca, ao ironizar a mão invisível de Adam Smith (The Wealth of Nations);
  • Existe tradução em português (Minha Vida na General Motors – Record – 1965), pouco/ mal utilizada nos meios universitários, por julgarem estar focada no passado, sem perceber se tratar de fonte rica para pesquisas epistemológicas (hermenêutico-exegéticas) sobre a gênese dialética dos modernos sistemas de gestão, fortemente influenciados pelas idéias holísticas de Alfred Sloan na sua disputa com o cartesianismo de Henry Ford;
  • De 1950/ 1963, Ralph Cordiner, espelhado em Alfred Sloan, foi o principal executivo da GE (President/ Chairman/ CEO), constatando que não seria possível transplantar Modelo GM (Estrutura Multidivisonal) numa Corporação Integrada Verticalmente, que o levou a promover ampla Revolução Contábil Financeira (Controladoria/ Preços de Transferência/ Custos de Chão de Fábrica), objeto de sua auto-biografia (New Frontiers for Professional Managers), cuja baixa divulgação é lamentada por egressos do BTC/ FMP/GE;
  • POTSCH DE CARVALHO E SILVA, Luís Eduardo – Estratégia Empresarial e Estrutura Organizacional sob a ótica Mercadológica, Revista de Administração de Empresas – RAE/ EAESP/ FGV – 25(1):35-51 – Janeiro/ Março 1985;
  • O clássico texto de Max Weber (Ética Protestante e Espírito Capitalista) buscando entender as raízes históricas do desenvolvimento econômico comparado, apresenta o Pensamento Contábil, enquanto expressão máxima da Tomada de Decisão Racional, como dimensão central do Modo de Produção Capitalista, criador da Riqueza das Nações (Adam Smith). Sua importância (teórica/ prática) não tem sido apreendida/ enfatizada nos respectivos currículos universitários, não como disciplina de Cultura Geral, mas sobretudo como fundamento da Praxis Gerencial Cotidiana;
  • http://nucleodememoria.vrac.puc-rio.br/site/textosfinais/parecerCFE97765.pdf;
  • Plataforma Lattes – lattes.cnpq.br/
  • GUAGLIARDI, José Augusto (Editor) – História da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, 1946-1981 / coordenação e organização, Alice Piffer Canabrava – 2 v.; FEA/ UFRJ – Catálogo de Cursos – 1987 (Pequeno Histórico – FEA/ UFRJ – Cursos/ Departamentos – Economia/ Administração/ Contabilidade; Outras Atividades; Docentes; Estudantes; Funcionários; Estrutura Administração: FEA e UFRJ); FGV – 30 Anos a Serviço do Brasil – 1944/ 1974 – ISEC/ ETC/ EBAP;
  • LEONE, George Sebastião Guerra. Custos: Um Enfoque Administrativo – 2 Volumes – 13 Edições – Editora da FGV – 1971/ 2000 – Orelhas/ Nota Introdutória do Autor; http://buscatextual.cnpq.br/ buscatextual/visualizacv.do?id=K4781099J7;
  • GUAGLIARDI, J.A., op. cit.;
  • MUNHOZ, Aylza. O Pensamento em Marketing no Brasil – Um Estudo Exploratório – Dissertação de Mestrado – Orientadora  Polia Lerner Hamburgo –  EAESP/ FGV – 1982;
  • Academia Brasileira de Marketing – http://www.abramark.com.br/; Fundador: Francisco Alberto Madia de Souza – http://www.madiamundomarketing.com.br/
  • Unilever v/s Procter & Gamble – War of the Worlds – equitymaster.com;
  • KIECHEL, Walter – Corporate Strategists under Fire – The Real World Strikes Back – Fortune – December 27, 1982 – Pag. 34/ 39;
  • ROMAN, Kenneth – The King of Madison Avenue: David Ogilvy and the Making of Modern Advertising Palgrave Macmillan –  2009;
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodolfo_Lima_Martensen;
  • http://www.unilever.com.br/unilever-carreiras/graduates/uflp;
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Manoel_Amorim;
  • https://en.wikipedia.org/wiki/Research_International;
  • BARKI, Roger; ALZOGARAY, Josy. GUIA COMPLETO DO FUNCIONAMENTO DE UMA EMPRESA: MICRO, MÉDIA E GRANDE – Editora Vozes – Petrópolis – 1985 – 200 págs.; – Como esse livro foi escrito e porque. Pags. 11/ 13;.
  • DRUCKER, Peter Ferdinand – Administração: Tarefas, Responsabilidades e Práticas. São Paulo, Pioneira, 1975 – Capítulo 39 – Controles, Controle e Administração – Págs. 543 e 548;
  • JOHNSON, H. Thomas; KAPLAN, Robert S. – Relevance Lost – President and Fellows of Harvard College – 1987; KAPLAN, Robert S.; COOPER, Robin – ABC – Activity based accouting; HAMMER, Michael; CHAMPY, James – Reengineering the Corporation, a manifesto for business revolution – 1992; GOLDRATT, Eliyahu M. – TOC – Theory of Constraints; KAPLAN, Robert S.; NORTON, David P. – O Balanced Scorecard: Medidas que impulsionam o desempenho
  • LEVITT, Theodore. Miopia em Marketing – Biblioteca Harvard de Administração – 1975;
  • POTSCH DE CARVALHO E SILVA, Luís Eduardo. Estratégia Empresarial e Estrutura Organizacional nas Emissoras de TV Brasileiras (1950/ 1982) – Dissertação de Mestrado – EAESP/ FGV – Orientador: Orlando Figueiredo – 1983 – 524 págs.;
  • SILVA, Arlindo – A Vida Espetacular de Silvio Santos – São Paulo – L. Oren Editora e Distribuidora de Livros Ltda – São Paulo – 1972 – 139p.; COLEÇÃO DINHEIRO – Biografias de Grandes Empresários – Silvio Santos – O ex-camelô fez do SBT um imenso palco eletrônico e conquistou o mercado popular – Patrocínio CNI/ IEL – s.d., São Paulo – Editora 3, 34p.;
  • SCHOEFFLER, Sidney, BUZZELL, Robert D.; HEANY, Donald F. – Impact strategy planning on profit performance – PIMS Project – HBR – Harvard Business Review – March-April – 1974 – p. 137 a 145;
  • Mckinsey faz sucessão de Silvo Santos – Consultoria americana é contratada para reestruturar negócios do grupo, dono do SBT e da empresa de cosméticos Jequiti – Fernando Scheller  – O Estado de São Paulo –  20/07/2015 – http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,mckinsey-faz-sucessao-de-silvio-santos,1731892;
  • BARKI, Roger; ALZOGARAY, Josy – Como Dirigir Empresa: Micro, Média e Grande – Apresentação: Nelson Barrizzelli – Editora Espaço e Tempo – RJ/ RJ – 1987 –  Vide Sumário/ Apresentação/ Diferentes Públicos/ Como e Por que esse livro foi escrito/ Questionários/ Roteiros.

BRIDGES, William. Mudança nas Relações de Trabalho – Como ser bem sucedido num mundo sem empregos – JobShift. São Paulo: Makron Books, 1995. xvii, 269 p.; BRIDGES, William. Mudança nas Relações de Trabalho – Como ser bem sucedido num mundo sem empregos – JobShift. São Paulo: Makron Books, 1995. xvii, 269 p.; PINCHOT III, Gifford. Intrapreneuring – Porque você não precisa deixar a organização para ser um empreendedor. São Paulo: Harbra, 1989, xii, 312 p.;

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BIBLIOGRAFIA

ABRAMARK – Academia Brasileira de Marketing – http://www.abramark.com.br/; Fundador: Francisco Alberto Madia de Souza – http://www.madiamundomarketing.com.br/

BARKI, Roger; ALZOG’ARAY, Josy – Como Dirigir Empresa: Micro, Média e Grande – Apresentação: Nelson Barrizzelli – Editora Espaço e Tempo – RJ/ RJ  – 1987 – 80P. –

BARKI, Roger; ALZOGARAY, Josy. Guia Completo do Funcionamento de uma Empresa: Micro, Média e Grande – Editora Vozes – Petrópolis – 1985 – 200 p.;

BASSETO, José Luiz (Org.) – Alquimia de uma Corporação – A Magia de um Treinamento – Edições Inteligentes –  12 Co-autores – SP – 2004 – 237p;

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007. 322 p.; BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 33. ed. reimp. São Paulo: Brasiliense,

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BRIDGES, William. Mudança nas Relações de Trabalho – Como ser bem sucedido num mundo sem empregos – JobShift. São Paulo: Makron Books, 1995. xvii, 269 p.;

BTC/ FMP/ GE – Business Training Course/ Financial Management Program/ General Eletric – Apostilas do Curso – 17 Volumes Encadernados; Curso 102 – Budges & Measurement – Orçamentos & Medições (Custo de Chão de Fábrica)  – 2 Capítulos/ 56 Páginas  – Arquivo Particular – George Sebastião Guerra Leone – 1957/ 1958;

CATELLI, Armando – Sistema de Contabilidade de Custos Standard – Tese de Doutorado – Orientador: José da Costa Boucinhas – FEA/ USP; 1972;

CHANDLER, Alfred Dupont, The visible hand: the managerial revolution in American business.  Cambridge, Mass. : Belknap Press of Harvard University Press, c1977.   xvi, 608p. : il.

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COLEÇÃO DINHEIRO – Biografias de Grandes Empresários – Silvio Santos – O ex-camelô fez do SBT um imenso palco eletrônico e conquistou o mercado popular – Patrocínio CNI/ IEL – s.d., São Paulo – Editora 3, 34p.;

COLEÇÃO DINHEIRO – Biografias de Grandes Empresários – Silvio Santos – O ex-camelô fez do SBT um imenso palco eletrônico e conquistou o mercado popular – Patrocínio CNI/ IEL – s.d., São Paulo – Editora 3, 34p.;

COOPER, Robin; KAPLAN, Robert S.. Measure Costs Right: Make the Right Decisions. Harvard Business Review66, no. 5 (September–October 1988): 96–103.;

____________Profit Priorities from Activity-Based Costing. Harvard Business Review 69, no. 3 (May–June 1991): 130–135.;

____________The Promise–and Peril–of Integrated Cost Systems. HBR 98403. Harvard Business Review 76, no. 4 (July–August 1998): 109–119.;

____________The design of cost management systems: text and cases. Prentice Hall, 1999.

____________MAISEL, Lawrence S.; MORRISSEY, Eileen; OEHM, Ronald M. Implementing activity-based cost management: moving from analysis to action: implementation experiences at eight companies. Montvale, N.J. : Institute of Management Accountants, c1992. 336 p. ;

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DRUCKER, Peter Ferdinand – Administração: Tarefas, Responsabilidades e Práticas. São Paulo, Pioneira, 1975 – Capítulo 39 – Controles, Controle e Administração – Págs. 548/ 555;

____________O Gerente Eficaz. Rio de Janeiro: Zahar, 1984. 184p.

EINSTEIN, Albert; INFELD, Leopold. A Evolução da Física – Zahar – 1938;

FAMÁ, Rubens –  Retorno sobre investimento: sua utilização no brasil, face a inflação e a evolução da legislação sobre a correção monetária nos demonstrativos financeiros – Dissertação de Mestrado – Orientador: José Carlos Moreira, FEA/ USP – 1980;

____________Análise do desempenho operacional das empresas com a utilização de números índices: um estudo num conglomerado empresarial – Tese de Doutorado – Orientador: José Carlos Moreira, FEA/ USP –  1987;

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SCOFANO, Reuber Gerbassi. Iluminação e desaprendizagem: a pedagogia lúdica de Rubens Alves. Rio de Janeiro: FE/ UFRJ, 2002. 366 f. Tese (Doutorado) – FE/ UFRJ – Orientador: Speranza França da Mata;

SLATER, Phil – Origem e significado da Escola de Frankfurt: uma perspectiva  marxista. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978;

VALLE, Rogério de Aragão Bastos do Valle. La Theorie de L’agir Communicatif face aux apports d’une Sociologie Comparative des Organisations. Paris: Université Paris Descartes, 1989.Tese de Doutorado – Orientador: Jacques Lautman;

WIGGHAUS, Rolf – A Escola de Frankfurt. Rio de Janeiro: Difel, 2002;

YALOM, Irvin D. Quando Nietzsche chorou.19.ed..Rio de Janeiro: Ediouro, 2005. 407 p.;

****************************************************************************************


ANEXO I

 GUIA COMPLETO DO FUNCIONAMENTO DE UMA EMPRESA:

MICRO, MÉDIA E GRANDE

 

ROGER BARKI E JOSY ALZOGARAY – EDITORA VOZES – 1985

 

 

1-) PROCEDIMENTOS PARA A ABERTURA DE UMA MICRO-EMPRESA (João Inácio Correia)

·         Tipos de Sociedade

·         Contrato de Constituição

·         Registro

·         Normas simplificadoras as micro-empresas

 

 

 

6-) ADMINISTRAÇÃO DE PREÇOS

(Wilson Teixeira de Melo)

·         Tipos de Mercado

·         Métodos de Determinação de Preços

·         Diretrizes/ Estratégias de Preços

·         Controles de Preços

·         Exercício;

 

 

2-) CONTABILIDADE GERAL

(Roger Barki)

·         Balanço;

·         Lucros e Perdas;

·         Classificação do Balanço;

·         Provisões e Apropriações de Receitas/ Despesas;

·         Exercícios;

 

 

7-) PLANEJAMENTO E CONTROLE

(Roger Barki)

·         Elaboração de um Orçamento

·         Controle Financeiro

·         Exercício

 

 

3-) CONTABILIDADE DE CUSTOS

(Rubens Famá)

·         Integração – Contabilidade Financeira e Contabilidade de Custos;

·         Sistema de Custeio por Ordem de Serviço ou Produção;

·         Sistema de Custeio por Processo;

·         Exercícios;

 

 

😎 MARKETING

(Jorge Fortes)

·         Conceito de Marketing

·         Sistemas de Marketing

·         As Ferramentas de Marketing;

·         Exercícios;

 

 

4-) TESOURARIA – ‘CASH FLOW’

(Ernesto Luiz Varela)

·         Administração Eficaz de Caixa;

·         Fluxo de Caixa de uma Empresa;

·         Exercício;

 

 

9-) GERENCIA DE MATERIAIS

(Ricardo Hoshiro Igushi/ Maurício José Cardoso Neto)

·         Planejamento e Controle da Produção

·         Compras

·         Exercícios

 

 

5-) CREDITO E COBRANÇA

(Reginaldo Archanjo)

·         Crédito;

·         Cobrança;

·         Exercício;

 

 

10-) ASSUNTOS FISCAIS

(João Inácio Correia)

·         Imposto de Renda

·         Outros Impostos

Exercícios

 

 

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ANEXO II

COMO DIRIGIR UMA EMPRESA:

micro, média e grande

Roger Barki e Josy Alzogaray

Apresentação: Nelson Barrizzelli

Editora Espaço e Tempo

1987

SUMÁRIO

Apresentação

Os diferentes públicos a que este livro está dirigido

Como este livro foi escrito e por quê

 

I – UMA REUNIÃO QUE NÃO DEU CERTO

II – POR QUE NÃO DEU CERTO

III– COMO ESTABELECER A MISSÃO DA COMPANHIA

IV COMO ESTABELECER UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

V- COMO ESTABELECER UM SISTEMA DE RELATÓRIOS GERENCIAIS

VI – UMA REUNIÃO QUE NÃO DEU CERTO

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Anúncios

O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

In Artigos, Uncategorized on outubro 9, 2015 at 1:22 am
ABSTRACT
O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLOGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
 

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ E-Mail: dioneavocat@gmail.com;

O presente artigo discute o conceito de Currículo Oculto e sua aplicação para otimizar o desempenho dos Cursos Gerenciais de Graduação (Administração/ Contabilidade/ Economia/ Engenharia de Produção/ Ciências Sociais Aplicadas), reconhecendo tratar-se de temática bastante debatida na Área de Educação/ Pedagogia, mas ignorada no contexto em tela! Sua importância central advém de serem os objetivos explícitos perseguidos pelos chamados PPC (Projetos Políticos Pedagógicos/ Projetos Pedagógicos Curriculares),  alterados/  desviados  em  função  do  contexto  histórico  subjacente,  concebido  como variável não controlável! Daí, muitas Reformas Curriculares Brasileiras se limitarem a abordar os velhos conteúdos sob denominação nova, esterilizando assim seu impacto em mero exercício semântico. Sua originalidade/ fecundidade advém do seu approach metodológico, baseado em Auditorias  Epistemológicas Curriculares (Exegético-Hermenêutica), desenvolvido/ aplicado no âmbito do Laboratório de Educação Estratégica Empresarial (LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ – 1990/ 2013 – GROUP DISCUSSION), através da articulação de 3 Constructos Analíticos Básicos (1- Dialética da Ação; 2- Filosofia Analítica da Linguagem; 3- Teoria do Agir Comunicativo), objeto de discussão detalhada no presente texto! Não se trata de um Estudo Empírico Hipotético-Dedutivo Popperiano (Levantamento de Dados/ Comprovação de Hipóteses), mas sim de Re-Interpretação Epistemológica, a partir de  informações já conhecidas, visando fundamentar uma Práxis Docente Inovadora! De maneira específica, esta metodologia foi aqui aplicada na análise da Estrutura Curricular Global (1- Objetivos/ Especificidade Pedagógica; 2- Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional; 3- Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica; 4- Estágio Universitário/ Práxis Profissional; 5- Monografia de Final de Curso; 6- Empresa Junior; 7- Centro Acadêmico; 8- Ensino Médio –   ENEM/ SISU; 9- Coordenação Pedagógica; 10- Indicadores de Desempenho), dos Cursos Gerenciais de Graduação, através de Problematizações/ Questionamentos/ Angulações Paradigmáticas, transcendentes/ ignoradas pelos Projetos Pedagógicos Oficiais (Idealistas/ Formais/ Politicamente Corretos), sem capacidade de neutralizar, em termos de correlação de forças sócio- econômicas, os efeitos desfuncionais acarretados pelos Currículos Ocultos! A partir de 2014/2, será realizada uma bateria de Grupos de Discussão Antropológicos, monitorados através de Salas de Espelho (Focus Group – Estrella Espaço de Pesquisas e Levantamentos de Dados – www.estrellapesquisa.com.br – Praia do Flamengo – RJ/ RJ) sobre Práxis Etnográfica Profissional do Universitário Brasileiro, fundamentado no Quadro de Referência Bibliográfico/ Framework Conceitual (Desconstrutivismo Científico-Pedagógico), acima exposto, estando aberto para livre participação/ colaboração de interessados, com destaque para desenvolvimento/ co-orientação de Projetos Acadêmicos (Monografias/ Dissertações/ Teses/ Papers)!
Palavras Chaves:

CURRÍCULO OCULTO, EDUCAÇÃO EMPRESARIAL; PEDAGOGIA GERENCIAL;

AUDITORIA EPISTEMOLOGICA; PROGRAMAS DE TRAINEEE;

SUMÁRIO:

O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO:

FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

 

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc.

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail:dioneavocat@gmail.com;

1- Introdução

2- Fundamentação Pedagógica

2.1. Currículo Oculto/ Influência Pedagógica

2.2. Currículo Oculto/ Comportamento Empreendedor

3- Fundamentação Epistemológica

3.1. Filosofia da Práxis/ Dialética da Ação

Idealismo Dialético Hegeliano x Materialismo Dialético Marxista

3.2. Filosofia Analítica da Linguagem

Ludwig Wittgenstein (I x II): Linguagem Formal x Linguagem Ordinária

3.3. Teoria do Agir Comunicativo/ Escola de Frankfurt

Jürgen Habermas: Filosofia Especulativa x Ciência Social Empírica

  1. Metodologia
  1. Resultados/ Análises

O Currículo Oculto nos Cursos Gerenciais de Graduação: Fundamentos Epistemológicos e Implicações Práticas

5.1. Objetivos/ Especificidade Pedagógica

5.2. Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional;

5.3. Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica;

5.4. Estágio Universitário/ Práxis Profissional;

5.5. Monografia de Final de Curso;

5.6. Empresa Junior;

5.7. Centro Acadêmico;

5.8. Ensino Médio – Sisu/ Enem;

5.9. Coordenação Pedagógica;

5.10. Indicadores de Desempenho

  1. Conclusões Finais/ Sugestões de Novas Pesquisas

O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

  1. Bibliografia

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O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLOGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

LUIS EDUARDO POTSCH, PROF. DSc

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: lepotsch@yahoo.com.br;

 

DIONE CASTRO DA SILVA, OAB/RJ

LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ

E-Mail: dioneavocat@gmail.com;

1- INTRODUÇÃO

O objetivo deste artigo é o de discutir o conceito de Currículo Oculto e sua aplicação para otimizar o desempenho dos Cursos Gerenciais de Graduação (Administração/ Contabilidade/ Economia/  Engenharia  de  Produção/  Ciências  Sociais  Aplicadas).  Trata-se  de  temática  bastante analisada na Área de Educação/ Pedagogia, mas completamente ignorada/ desconhecida no contexto citado, apesar de existirem diversas menções clássicas, muitas delas até irônicas, atestando sua importância. No Brasil, muitas Reformas Curriculares tem se limitado abordar os velhos conteúdos sob denominação nova, esterilizando assim seu impacto em mero exercício semântico. Os objetivos intencionais perseguidos pelos chamados PPC (Projetos Políticos  Pedagógicos/  Projetos  Pedagógicos  Curriculares)  tendem a  ser  alterados/ desviados em função do contexto histórico subjacente, tomado como variável não controlável!

Assim, sob a ótica de Texto para Discussão, se propõe investigar/ analisar/ problematizar, especificamente, a temática do Currículo Oculto nos Cursos Gerenciais de Graduação (1– Objetivos/ Especificidade Pedagógica; 2- Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional; 3- Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica; 4- Estágio Universitário/ Práxis Profissional; 5- Monografia de Final de Curso; 6- Empresa Junior; 7- Centro Acadêmico; 8- Ensino Médio/ ENEM/ SISU 9- Coordenação Pedagógica; 10- Indicadores de Desempenho), buscando Re-Interpretações Paradigmáticas, operacionalizadas através de inovadora/ original concepção de Auditoria Epistemológica Curricular (Exegético-Hermenêutica), desenvolvida no âmbito do Laboratório de Educação Estratégica Empresarial (LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ – 1990/ 2013 – GROUP DISCUSSION), através da articulação de 3 Constructos Analíticos Básicos (1- Dialética da Ação; 2- Filosofia Analítica da Linguagem; 3-) Teoria do Agir Comunicativo), discutidos abaixo!

Como aí se virá, rejeitamos a concepção corrente, passiva/ restritiva (glamourosa/ alienada),  de Currículo Oculto, para situá-lo como um momento chave da síntese dialética entre a Práxis Docente e o Contexto Histórico Subjacente, passível de ser utilizado como importante instrumental pedagógico transformador, sob a ótica da Filosofia da Práxis! (01)

2- FUNDAMENTAÇÃO PEDAGÓGICA

2.1. CURRICULO OCULTO/ INFLUENCIA PEDAGÓGICA

É curial, como se  expressam os lusitanos, que um mesmo discurso falado possibilite uma multiplicidade de interpretações. Em linguagem popular, sabe-se que comunicação não é o que se diz, mas sim como o receptor apreende. Daí, a difundida assertiva de que cultura/ conhecimento ser aquilo que fica, quando tudo mais é esquecido!

No entanto, no Brasil, desenvolveu-se verdadeira Indústria de Projetos Político- Pedagógicos de Cursos (PPP/ PPC), para as mais diversos finalidades, focada numa ampla descrição/ prescrição de conteúdos educacionais normativos, pressupondo a possibilidade de sua absorção discente de maneira linear/ líquida/ certa.

Na área gerencial, veja-se o caso de Rui Otávio Bernardes de Andrade, na época Presidente do Conselho Federal de Administração, participante contumaz dos mais diversos conselhos/ comissões nacionais, propugnando, através de uma multiplicidade de livros, como panacéia para nossos problemas educacionais, o mais amplo/ irrestrito esforço de codificação normativa. No seu texto, em co-autoria com Nério Amboni (Projeto Pedagógico para Cursos de Administração – Makron Books – 159 págs. – 2002), quer no detalhado índice descritivo, quer em cerca de 200 referências bibliográficas, a temática do Currículo Oculto é completamente ignorada!

Nas Faculdades de Educação/ Cursos de Pedagogia, no contexto das Teorias Gerais do Currículo (Formal/ Real/ Oculto), a despeito de uma fundamentação epistemológica inadequada, como será debatido no presente texto, esta temática tem sido regularmente  discutida (MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa; SILVA, Tomaz Tadeu. (Org.). Currículo, cultura e sociedade. 2. ed. São Paulo: Cortez –

1997 e diversos outros), à luz da seguinte concepção geral:

O Currículo Formal refere-se ao currículo estabelecido pelos sistemas de ensino, é expresso em diretrizes curriculares, objetivos e conteúdos das áreas ou disciplina de estudo. Este é o que traz prescrita institucionalmente os conjuntos de diretrizes como os Parâmetros Curriculares Nacionais.

O Currículo Real é o currículo que acontece dentro da sala de aula com professores e alunos a cada dia em decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de ensino.

O  Currículo  Oculto  é  o  termo  usado  para  denominar  as  influências  que  afetam  a aprendizagem dos alunos e o trabalho dos professores. O currículo oculto representa tudo o que os alunos aprendem diariamente em meio às várias práticas, atitudes, comportamentos, gestos, percepções, que vigoram no meio social e escolar. O currículo está oculto por que ele não aparece no planejamento do professor

Cabe destacar que, no Brasil, infelizmente, essa rica temática tem sido apropriada/ turvada/ esterilizada, com forte viés ideológico/ retórico, sob a ótica da chamada Pedagogia do Oprimido (02) (todo Paulo Freire) (03 e 04), adornada com frases de efeito/ palavras de ordem/ glamourisações mediáticas, a impedir sua efetiva utilização pragmática, enquanto importante/ diferenciado instrumento de transformação pedagógica, como se depreende das   assertivas (AONDE SE ESCONDE O CURRICULO OCULTO? Dispositivos e rituais que silenciam vozes no currículo escolar – GLAUCIAGLIVIAN ERBS DA COSTA – UNIVALI – 2009), abaixo reproduzidas, in verbis:

CURRICULO OCULTO – É o conteúdo implícito, geralmente inconsciente que acompanha as atividades escolares. É o ensino da submissão, do preconceito e do individualismo, assim como o da autonomia e da solidariedade.

Cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto – Leonardo Boff

Espíritos céticos costumam afirmar que as reformas educacionais brasileiras tem se limitado a um esforço semântico/ retórico voltado para dar novos nomes a velhos conteúdos pedagógicos! Neste momento (2013), como ocorreu na implantação da LDB/ PCN/ PPP/ PPC, caracterizado por desenfredado Modismo Pedagógico (PHILIPPE PERRENOUD – 20 livros/ 26 artigos traduzidos para o português; RUBEM ALVES, in Iluminação e desaprendizagem : a pedagogia lúdica de Rubem Alves, apud Reuber Gerbassi Scofano) (05), assiste-se a mais uma dessas reformas curriculares casuísticas, através da implantação obrigatória dos novidadeiros conceitos de   NDE-Núcleos Docentes Estruturantes, no lugar das velhas Habilitações Profissionais, com as seguintes características específicas, com base na experiência de nossa principal universidade federal (Resolução 5/2012 – CEG/ UFRJ – OBS: Substituída por Resolução 6/2012 por erro de publicação), a saber:

Art. 1º Instituir o Núcleo Docente Estruturante – NDE – no âmbito dos cursos de graduação da UFRJ.

 Art. 2º O Núcleo Docente Estruturante tem função consultiva, propositiva, avaliativa e de assessoramento sobre matéria de natureza acadêmica.

Art. 3º O Núcleo Docente Estruturante integra a estrutura de gestão acadêmica em cada curso de graduação, sendo  co-responsável  pela  elaboração,  implementação,  atualização,  consolidação  e  avaliação  do  Projeto

Pedagógico do Curso, tendo as seguintes atribuições:

I – Elaborar o Projeto Pedagógico do curso definindo sua concepção e fundamentos, e atualizá-lo periodicamente; II – Estabelecer o perfil profissional do egresso do curso, contribuindo para sua efetiva realização;

III – Zelar pela integração curricular interdisciplinar entre as diferentes atividades de ensino, pesquisa e

extensão constantes do currículo;

IV – Zelar pelo cumprimento das Diretrizes Curriculares Nacionais, caso existentes, para os Cursos de Graduação;

VI – Conduzir, sempre que necessário, os trabalhos de reestruturação curricular, para aprovação no

Colegiado de Curso;

VI – Indicar formas de incentivo ao desenvolvimento de linhas de pesquisa e extensão, oriundas de necessidades da graduação, de exigências do mercado de trabalho e afinadas com as políticas públicas relativas à área de conhecimento do curso;

VII – Programar e supervisionar as formas de avaliação e acompanhamento do curso; VIII – Analisar e avaliar os Planos de Ensino dos componentes curriculares;

IX – Acompanhar as atividades do corpo docente.

  • único: Nas unidades onde haja um único Projeto Pedagógico para várias habilitações, poderá ser criado um único NDE.

Basta que se analise a longevidade da Constituição Americana para se constatar que uma mesma norma discursiva pode se manter atualizada, por longo período temporal, através de sucessivas interpretações/ re-interpretações, à luz das transformações histórico-sociais, com necessidade apenas de mínimas restritas/ pontuais alterações textuais!

Durmeval Trigueiros Mendes  (06), na condição de membro do Conselho Federal de Educação, antes de ser afastado/ perseguido pelo Governo Militar, homenageado, após seu trágico atropelamento (Praia de Botafogo), pela FUJB/ UFRJ, como luminar da Filosofia Política da Educação Brasileira, enquanto Relator do 1º Currículo Mínimo de Administração (Parecer

307/1966 – CFE/ MEC), ensinou no seu fantástico parecer, a demandar novas interpretações exegético-hermenêuticas, ainda muito pouco compreendido pela comunidade educacional/ universitária brasileira, a seguinte lição, in verbis:

 (…) Por isso mesmo, insistimos, o problema essencial não é criar uma arquitetura curricular: mais importante é a metodologia que desenvolve, dentro de roteiros estabelecidos no plano de matérias, programas de trabalho vinculados  às  necessidades  do  meio  e  às  possibilidades  didáticas  da  Escola.  O  currículo  mínimo  é  apenas incoativo, cabendo às Escolas completá-lo não só com matérias novas como também através da explicitação das matérias nele contidas. Elas devem convencer-se de que têm de servir-se de currículo, e não de servi-lo. Trata-se apenas dum instrumento e não de um fim, ou de uma norma negativa, destinada a limitar e inibir. Esse postulado deve iluminar uma liberdade criadora que continua postergada – apesar da lei – pela fôrça de velhos esteriótipos.

(…) Temos de superar certa tendência atomística que decompõe o currículo em todos os elementos que poderá abranger, adicionados, depois, como matérias autônomas: é a tendência prevalecente ao longo de nossa tradição educacional, a que se deve a excessiva densidade dos nossos planos de estudo. Dentro dessa orientação, mais ou menos mecânica, torna-se impraticável   a redução, salvo por processo igualmente mecâncio, que elimina, mutilando. Cabe-nos contrapor a essa fórmula a solução estruturalista. Admitindo-se a unidade do real, que só se fragmenta por abstração e por conveniência de método, podemos igualmente admitir níveis diversos de integração do real no plano do saber.  O currículo representa um processo dinâmico, impulsionado pela intencionalidade que o dirige no rumo da especialização, vinculando a esta cada uma de suas partes. No currículo, parece aconselhável manter esse processo de condensação (…) qualquer ciência – especialmente as mais complexas e abrangentes – incorporam pressupostos de outras, ligando-as todas pela continuidade do real. Não é o caso, porém, de destacar esses pressupostos, transformando-os em disciplinas autônomas.

Assim, reiteramos que, no presente ensaio, rejeitamos a concepção passiva/ restritiva (glamourosa/ alienada), acima discutida,  de Currículo Oculto, para situá-lo como um momento da síntese dialética entre a Práxis Docente e o Contexto Histórico Subjacente, passível de ser utilizado como importante instrumental pedagógico transformador, sob a ótica da Filosofia da Práxis!

2.2. CURRICULO OCULTO/ COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR

Como exemplo de uso dialético amplificador do Currículo Oculto, podemos citar inúmeros exemplos: imaginemos o restrito/ efêmero efeito multiplicador proporcionado à Praxis Pedagógica Aristotélica (339 – 336 a.c.) (07), na condição de tutor do jovem Alexandre Magno (356 – 323 a.c.) (08), se desconsiderarmos ser filho de Felipe da Macedônia, a época já dominante no mundo grego/ pós guerras médicas, impulsionado pela ambição de conquistar o mundo!

Ou mesmo, na nossa perspectiva tupiniquim, se  a experiência de Pedro de Alcântara (1825/ 1891) (09), deixado órfão aos 5 anos, sob rígida Controle Pedagógico Tutorial (Jo Bonifácio de Andrade e Silva de ínicio; Marques de Itanhaém depois), que lhe capacitaria, aos 15 anos incompletos, assumir a direção suprema do então Império Brasileiro (1840/ 1889 – 49 anos)!

Caso muito interessante, sobre as implicações do Currículo Oculto, narrado inicialmente por Benjamin Franklin (10) e muito difundido no Brasil por Carlos Rodrigues Brandão (O que é Educação), refere-se à época da colonização americana, quando foi estabelecido um tratado de paz com Índios das Seis Nações, estes rejeitaram a proposta de enviar seus filhos para a escola dos brancos, através de carta com o seguinte teor:

 “(…) Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa. (…) Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles, voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana,  e  falavam  a  nossa  língua  muito  mal.  Eles  eram,  portanto,  totalmente  inúteis.  Não  serviam  como guerreiros,  como  caçadores  ou  como  conselheiros.  Ficamos  extremamente  agradecidos  pela  vossa  oferta  e, embora não possamos aceitá-la, para mostrar a nossa gratidão oferecemos aos nobres senhores de Virgínia que nos enviem alguns dos seus jovens, que lhes ensinaremos tudo o que sabemos e faremos, deles, homens.”

É nesse sentido que, sob a ótica dessa nossa concepção de Currículo Oculto, pode se dizer que a submissão a um determinado Paradigma Pedagógico tende a provocar Cegueira Epistemológica!  Neste  contexto,  a  grande  educadora/  imortal  Terezinha  Saraiva  (ABE- Academia Brasileira de Educação) (11), que se vangloria de haver sido duplamente Secretária Estadual de Educação (Governos Carlos Lacerda/ Marcos Tamoio), sem possuir graduação universitária, dado o alto nível do antigo Curso Normal do Instituto de Educação (DF/RJ), idealizado/ implementado pela Santíssima Trindade da Pedagogia Brasileira (Fernando de Azevedo/ Anísio Teixeira/ Lourenço Filho) (12, 13 e 14), sempre gosta de citar chistes vulgares nos EUA, a saber:

Caixa de Supermercado, localizado junto a alojamentos universitários de Boston/ Cambridges/ EUA, ao se  deparar  com  cliente/  aluno  tentando  passar  por  check-out  onde  estava  escrito  “máximo  de  5 volumes”, lhe teria argüido, ironicamente: Não viu a placa. Ou você é aluno de Harvard e não sabe fazer conta; ou aluno do MIT e não sabe ler!

Eugenio Gudin/ Otavio Gouveia de Bulhões (15 e 16), fundadores da Faculdade de Ciências Econômico-Administrativas da antiga Universidade do Brasil (atual UFRJ) e ex- Ministros da Fazenda, após participarem da famosa Reunião de Bretton Woods (1945), foram encarregados pelo então Ministro da Educação Gustavo Capanema (17) para visitar Harvard University e discutir a Proposta Curricular dos Cursos de Graduação Brasileiros (Economia x Administração). Na volta, de Chicago, Gudin enviou carta circunstanciada ao Ministro, que hoje se encontra nos Arquivos Históricos do CPDOC/ FGV (18), contendo o sugestivo teor, com fortes implicações epistemológicas/ pedagógicas/ didáticas subjacente:

Perguntamos-lhes também sobre a conveniência ou não de separar as duas faculdades, a de economia e a de administração. Eles nos levaram à janela para mostrar-nos, do outro lado do rio, a faculdade de administração, admiravelmente instalada aliás, e nos recomendaram que se não tivéssemos um rio, abríssemos um canal (…) para separar as duas faculdades

Assim, como parte do Currículo Oculto, no contexto da Harvard University (19), Economics está inserida como ciência pura na School of Sciences and Arts, sob ênfase de modelos  compreensivo-explicativos;     Administração  Empresarial  (Privada)  na  Harvard Business School, sob ótica gerencial retórico-discursiva; e,  Administração Publica, na John Kennedy School of Government, concebida como Práxis Político-Jurídica!

É  importante destacar  que,  em  todos  esses  casos,  acima  tematizados, o Comportamento Empreendedor foi catalisado / potencializado/ induzido pela Ação Pedagógica-Educacional, mas de maneira alguma criada/ gerida por ele, como se fosse o surgimento de um raio em céu azul!

2- FUNDAMENTAÇÃO EPISTEMOLÓGICA

Busca-se neste tópico estabelecer uma adequada Articulação Dialética entre Pensamento/ Ação, visando sua posterior aplicação como instrumento de Auditoria Epistemológica, na análise do Currículo Oculto dos Cursos Gerenciais de Graduação (Administração/ Contabilidade/ Economia/ Engenharia de Produção/ Ciências Sociais Aplicadas).

 

3.1. FILOSOFIA DA PRAXIS/ DIALÉTICA DA AÇÃO

IDEALISMO DIALÉTICO HEGELIANO x MATERIALISMO DIALÉTICO MARXISTA

Para tal, devemos estabelecer uma distinção inicial entre o Idealismo Dialético Hegeliano e o Materialismo Histórico Dialético Marxiano (20), expressão essa cunhada por Roberto de Oliveira Campos (Bob Field) (21), enquanto ícone do Pensamento Conservador Brasileiro, na sua super polêmica auto-biografia (A Laterna na Poupa – tijolaço com 2 volumes – 1500

Páginas). Assim, sabendo-se que a expressão Marxismo Leninismo fora cunhada por Josef

Stalin (Josef Vissarionovitch Stalin – 1879/ 1953) (22), após a morte dos referidos, como meio de se auto-designar como único interpretador/ manipulador válido de suas obras, diversas tentativas subseqüentes/ posteriores de buscar re-interpretações textuais/ originais (exegético- hermeneuticas), passaram a se utilizar da expressão Marxiano!

O Jovem G.W.F.Hegel (1770/ 1831) (23), empolgado com a Revolução (Burguesa) Francesa, que imaginou viria ocorrer logo depois na Alemanha, daí havê-la saudado, com seus colegas/ xarás do Seminário de Tübingen (Friedrich Hölderlin/ Friedrich Schelling), plantando uma Árvore da Liberdade

(Freheitsbaun – 1990), mais tarde reiterada com a vitória de Napoleão Bonaparte (Batalha de Iena – 1806), visto da janela de sua casa (Razão à Cavalo), quando escrevia sua obra magna (Fenomenologia do Espírito). É nesse clima juvenil/ otimista/ alienado que vai ser gestado sua concepção de Idealismo Dialético, difundida através de sua conhecida máxima: Todo Real é Racional; Todo Racional vira Real!

No entanto, nessa época, a Revolução Burguesa Alemã viria a ser fragorosamente derrotada, só vindo a ocorrer muito mais tarde (Revolução Passiva/ Revolução pelo Alto/ Acordo de Elites – Otto Von Bismarck – 1871) (24), fazendo com que o Velho G.W.Hegel se tornasse fortemente  conservador,  sendo  inclusive  obrigado,  enquanto  Reitor  da  Universidade  de Berlim, nomeado pelo Kaiser Alemão (Frederico Guilherme III) (25), a engolir tudo que houvera escrito no contexto de seu voluntarismo idealista juvenil! Daí, posteriormente, nos meios universitários alemãos, em meados do século XIX, nos deparamos com um Duplo Hegelianismo (Jovem Hegel – Progressista; Velho Hegel – Conservador), no que viria ficar conhecido mundialmente como Esquerda/ Direita Hegeliana!

Nesse contexto, surge Karl Marx (1818/ 1883) (26), afiliado à Esquerda Hegeliana, propugnando que Hegel deveria ser colocado de “Cabeça para Cima” (Não são as idéias abstratas, mas

sim os interesses materiais que movem o mundo), transformando seu Idealismo Dialético Alienado, em

Materialismo Histórico Dialético, como instrumento central de Transformação Social, a saber:

Critiquei a dialética hegeliana, no que ela tem de mistificação, há quase 30 anos, quando estava em plena moda.(…) Confessei-me, então, abertamente discípulo daquele grande pensador (…) A mistificação por que passa a dialética nas mãos de Hegel não o impediu de ser o primeiro a apresentar suas formas gerais do movimento, de maneira ampla e consciente. Em Hegel, a dialética está de cabeça para baixo. É necessário pô-la de cabeça para cima, a fim de descobrir a substância racional dentro do invólucro místico. A dialética misitificada tornou-se moda na Alemanha, porque parecia sublimar a situação existente.

(…) Não é a consciência dos homens que determina a realidade; ao contrário, é a realidade social que determina a sua consciência (…) O concreto é concreto, porque é a síntese de muitas determinações, isto é, unidade do diverso. Por isso, o concreto aparece no pensamento como o processo de síntese, como resultado, não como ponto de partida, emborá seja o verdadeiro ponto de partida e, portanto, o ponto de partida também da percepção e da representação.(…) Assim é que Hegel chegou a ilusão de conceber o real como resultado do pensamento que se absorve em si, procede de si, move-se por si; enquanto o método que consiste em elevar-se do abstrato ao concreto não é senão a maneira de proceder do pensamento para se apropriar do concreto, para reproduzi-lo mentalmente como coisa concreta, Porém isto não é, de nenhum modo, o processo de gênese do próprio concreto!

Durante os Regimes Soviético/ Maoísta (Rússia/ China), quando se estabeleceu similar emergência de um Duplo Marx (Jovem Marx Hegeliano; Velho Marx Pragmático), muita gente foi condenada sob a acusação de Esquerdismo, concebida como Doença Infantil do Comunismo por Wladimir Lênin, que significa adoção de Práxis Humana Voluntarista/ Alienada, desconexada das condições estruturais subjacentes, como sói ocorrer com a Dialética Hegeliana (IDEALISMO ALEO). Consagrados autores (brasileiros/ mundiais) de obras clássicas sobre essa temática (DIALÉTICA) foram submetidas ao mais amplo Tribunal Inquisitório Epistemológico, unicamente em função da dubiedade interpretativa possibilitada por seus títulos, a saber:

  • CAIO PRADO JUNIOR: Dialética do Conhecimento; Introdução à Lógica Dialética; (27)
  • HENRI LEFEBVRE; Lógica Formal x Lógica Dialética;
  • LEANDRO KONDER: O Que é Dialética; A Derrota da Dialética;
  • KAREL KOSIK: Dialética do Concreto;
  • JOSE ARTHUR GIANOTTI: Origens da Dialética do Trabalho; Trabalho e reflexão: ensaios para uma dialética da sociabilidade;
  • CARLOS NELSON COUTINHO: Gramsci – Um Estudo Sobre o Seu Pensamento Político;

O objetivo deste tópico não é o de promover uma análise do Pensamento Dialético (28)   como um fim em si mesmo, mas sim o de desenvolver um adequado Instrumental Analítico (Filosofia da Práxis/ Dialética da Ação), adequado para submeter à uma Auditoria Epistemológica o Currículo Oculto dos Cursos Gerenciais de Graduação, baseado no pressuposto (Hipótese da Pesquisa/ Investigação), que grande parte de suas mazelas são originadas pela adoção de uma Práxis Idealista Hegeliana (Voluntarista/ Alienada), no lugar de uma Práxis Materialista Dialética (Articulação Dialética: Super/ Infra Estrutural)

Nesse sentido, utilizaremos como Paradigmas Analíticos Centrais, os seguintes textos, caracterizados por diferenciada Filosofia da Práxis/ Dialética da Ação, a saber:

o     MAO TSE TUNG – Livrinho Vermelho; Texto sobre a Prática (29 )

o     KARL MARX – 11 Teses sobre Feuerbach (A Essência do Cristianismo – 1841) (30 e 31),  com destaque:

o     II TESE – A questão de se saber se ao pensamento humano corresponde uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas, sim, prática. É na prática que o homem deve demonstrar  a  verdade,  isto  é,  a  realidade  e  a  força,  o  caráter  terreno  de  seu

pensamento. A querela em torno da realidade ou irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico.

o     III TESE –   A teoria materialista de que os homens são produtos das circunstancias e da educação e de que, portanto, os homens modificados são produtos de circunstancias distintas e de educação distinta, esquece o fato de que as circunstâncias são mudadas precisamente pelos homens e de que o próprio educador necessita ser educado (…) A coincidência da modoficação das circunstancias e da atividade humana só pode ser concebida e entendida racionalmente como prática revolucionária.

o     XI TESE – Os filósofos nada mais fizeram que interpretar de diverso modoo   mundo, mas trata-se, antes, de transformá-lo.

3.2. FILOSOFIA ANALÍTICA DA LINGUAGEM

LUDWIG WITTGENSTEIN (I x II): LINGUAGEM FORMAL x LINGUAGEM ORDINÁRIA

Ludwig Wittgenstein (1889/ 1951) (32) é considerado o mais influente pensador do Século XX, completamente ignorado/ desconhecido em Administração/ Contabilidade, tem sido amplamente estudado nas mais diversas Áreas Universitárias (Humanas/ Sociais/ Letras/ Artes/ Tecnológicas/ Biomédicas), não como um fim em si mesmo, mas por ser o pai da chamada Virada Lingüístico-Pragmática (LINGUISTIC TURN), que promoveu a mais ampla Revolução Epistemológica-Copernicana no Pensamento Analítico Filosófico Mundial!

Desde o inicio da década de 1990, quando o Festival Internacional de Cinema (Grupo Estação – 1994) lançou clássico filme biográfico (WITTGENSTEIN – Diretor: Derek Jarman), através de rodízio nas diversas salas deste Circuito de Cinema (Botafogo/ Paissandu/ Cinelândia/ Copacabana/ São Conrado), podia ser encontrada a fina flor da Filosofia Universitária Carioca/ Fluminense, assistindo/ debatendo reiteradamente o mesmo filme! Desde então o Laboratório de Educação Estratégica Empresarial (LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ) tem promovido Exibições Privadas/ Seminários de Debate sobre o mesmo, incluindo a elaboração de Análise Crítica Circunstanciada, como parte de Avaliação Discente (Metodologia da Pesquisa/ Administração Estratégica).

Tão importante quanto sua obra em si, é resgatar sua controvertida Idiossincrasia/ Historicidade Pessoal, enquanto momento central para compreensão de sua Gênese Reflexiva Intrínseca (Lógica Heurística da Descoberta):  ex-aluno da Escola Técnica de Linz (Áustria), na mesma turma de Adolf Hitler (33), como se descobriu recentemente, ambos sob forte influência do Professor de Filosofia da História (Leopold Pötsch), interessado pela área de Modelagem Aeronáutica, buscou Fundamentação na Lógica Matemática Alemã (Gottob Frege – 1848/ 1925)   (34), que lhe sugeriu inscrição no Curso de Bertrand Russel   (Introduction to Mathematical Philosophy – Cambridge University) (35), a quem faria inusitado questionamento (Professor: Poderia me dizer se eu sou um idiota ou um gênio? No primeiro caso, me dedicarei à engenharia e no segundo à filosofia). Russell, surpreendido com o questionamento lhe deu um trabalho monográfico de férias, que, ao ler as primeiras linhas, ficou estupefado com sua genialidade/ originalidade filosófica (Meu filho, não se dedique à engenharia mecânica), já que era egresso da área tecnológica, sem qualquer formação regular prévia em filosofia.

Neste contexto, o Jovem Wittgenstein-I vai buscar, sem sucesso, fundamentar uma Linguagem Ideal (Não Contraditória), objeto de seu polêmico manuscrito (Tratactus Logico-Philosophicus), publicado/ intitulado à sua revelia (G.E Moore – Cambridge University), rejeitado inicialmente por Bertrand Russell, que fora redigido na condição de soldado prisioneiro na Itália, já que optara por inscrever-se na infantaria ( Guerra Mundial – 1914/ 1919) para poder sentir a morte de perto, como ele mesmo confessou, após ter doado toda a fortuna pessoal, para poder sentir a pobreza de perto, já que era herdeiro direto de umas das famílias mais ricas/ influentes da Áustria, onde 3 de seus irmãos mais velhos haviam cometido suicídio! Após a guerra, insatisfeito em não haver conseguido atingir a Linguagem Ideal, abandonou a Filosofia, vivendo por 10 anos (1920/ 1930), no interior da Áustria, em atividades subalternas, de maneira errante (Jardineiro/ Mestre Escola/ Andarilho), visando permitir-lhe sentir/ vivenciar o mundo empírico enquanto tal, sem qualquer tipo de Anteparo/ Inculcação Metafísica (Pensamento Lógico-Abstrato)!

Durante esse período, emergiu um Grupo de Estudos na Universidade de Viena, que se reunia informal/ semanalmente numa das confeitarias locais, sob liderança do Prof. Moritz Schlick (Teoria Geral do Conhecimento), que sob forte influência do referido Tratactus Logico- Philosophicus, à revelia do seu autor, viria lançar um Manifesto Epistemológico Mundial, propugnando por uma Revolução Filosófica-Paradigmática, que se transformou no famoso Circulo de Viena (POSITIVISMO/ EMPIRISMO LÓGICO) (36). Com a publicação/ exposição desse seu texto, Wittgenstein tornou-se celebridade mundial, sendo seduzido a voltar para a Cambridge University (John Maynard Keynes/ Bertrand Russell/ G.E. Moore), onde   participou inclusive de reuniões do restrito Grupo de Bloomsbury (Virgínia Wolf – Sociedade de Poetas Mortos) (37), tendo seu livro sido homologado formalmente como Tese de Doutoramento Universitário! Vide o longa-metragem Wittgenstein (1993), do badalado/ saudoso Diretor Derek Jarman, exibido/ dublado para o português (Grupo Estação/ Festival Internacional de Cinema)!

Nesta volta a Cambridge, surge o chamado Velho Wittgenstein II, que rejeitando toda sua Filosofia Inicial (Linguagem Ideal), inverte completamente o seu pensamento, voltado agora para buscar os Limites da Linguagem Cotidiana/ Ordinária/ Vulgar (Jogos de Linguagem),  quebrando completamente com a visão intuitiva de articulação Linguagem/ Mundo (Objetos => Palavras).

No auge do Idealismo Alemão o foco da filosofia estava no Estudo do Pensamento; a partir de Wittgenstein (I/II) esse foco passou para a Linguagem (Ideal ou Ordinária), sob a denominação de  Virada Linguístico-Pragmática (LINGUISTIC TURN). Considerando que toda a Produção Cientifica/ Literária/ Artística/ Religiosa é mediada por Jogos de Linguagem, qualquer tipo de questionamento sobre seus Fundamentos Filosóficos, tende provocar os mais diversos Desconstrutivismos Científico-Pedagógicos! Como desdobramento tem se multiplicado, nos anos recentes, os estudos/ cursos sobre esta temática (Filosofia da Ciência; Filosofia da Linguagem;Filosofia Analítica;  Filosofia da Mente)

Não podemos perder de vista que Currículo/ Métodos Pedagógicos/ Teorias Gerenciais/ Contabilidade/ Biblioteconomia/ Sistemas de Informação/ Indicadores de Desempenho (Balanços/ Lucros & Perdas/ BSC-Balanced Scorecard) nada mais são do que formas de Linguagem Específicas.

Assim, no contexto deste nosso artigo, iremos submeter toda a concepção de Currículo Oculto dos Cursos Gerenciais Universitários (1- Objetivos/ Especificidade Pedagógica; 2- Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional; 3- Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica; 4- Estágio Universitário/ Práxis Profissional; 5- Monografia de Final de Curso; 6- Empresa Junior; 7- Centro Acadêmico; 8- Ensino Médio – SiSU/ ENEM; 9- Coordenação Pedagógica; 10- Indicadores de Desempenho/ Modelos de Apoio à Decisão), a referida Auditoria Epistemológica, englobando também a perspectiva da Filosofia Analítica da Linguagem, com base na polêmica assertiva de L. Wittgenstein, in verbis:

Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo. Aquilo que se exprime na linguagem nós não podemos exprimir por meio da linguagem. (in Tratactus Lógico_Philosophicus).

3.3. TEORIA DO AGIR COMUNICATIVO/ ESCOLA DE FRANKFURT

JÜRGEN HABERMAS: FILOSOFIA ESPECULATIVA x CIENCIA SOCIAL EMPÍRICA

Neste tópico procederemos uma análise das raízes históricas da Teoria do Agir Comunicativo de Jürgen Habermas, visando deixar claro que nosso posicionamento o concebe como tendo uma Práxis Hegeliana (Idealismo Dialético), dissimulada por um Discurso Materialista- Dialético, no que tem sido (auto) denominado de Marxismo Heterodoxo, amplamente difundido nos meios universitários carioca (FACULDADE DE EDUCAÇÃO/ COPPE-PRODUÇÃO/ FGV-RJ), por seus destacados Intelectuais Orgânicos (Rogério de Aragão Bastos do Valle/ Fernando Guilherme Tenório)!

Após a 1ª Guerra Mundial (1914/ 1919), foi constituído o Instituto Para Pesquisa Social, anexo à Universidade de Frankfurt, com forte orientação materialista histórico- dialética, voltado para responder a seguinte questão central: Porque a Revolução Socialista teve sucesso na Rússia (1917), um país agrícola e atrasado, e fracassou na Alemanha, muito mais industrializada/ mobilizada/ politizada, acarretando o assassinato de suas principais lideranças (Rosa de Luxemburgo/ Karl Liebknecht) (36 e 38) e a chegada ao Poder, por vias democráticas, do Partido Nazista (Adolfo Hitler – 1933/ 1945), contrariando completamente as previsões de Karl Marx (Socialismo como aprofundamento/ verticalização inexorável do Capitalismo Avançado)!

A conclusão inusitada do que passaria a ser mundialmente conhecido como Escola de Frankfurt (TEORIA SOCIAL: TRADICIONAL x   CRÍTICA; DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO/ DIALÉTICA NEGATIVA/ RAZÃO INSTRUMENTAL – Max Horkheimer/ Theodor Adorno/ Erich Fromm/  Herbert Marcuse/ e, como free-lancer, Walter Benjamin) (40) foi de que com o desenvolvimento do Capitalismo Monopolista/ Indústria Cultural/ Mass Mídia desenvolveu-se duplo Sistema de Controle Social: Econômico-Taylorista no âmbito das fábricas e Psíquico-Mediático em relação à vida cotidiana! Ou seja, as Massas Trabalhadoras passaram a ser controladas/ manipuladas pela Mídia (Sociedade Civil), fazendo com que sua energia transformadora fosse completamente esterilizada, necessitando para sua compreensão de um novo Paradigma Analítico- Epistemológico (Marxismo Freudiano => 1-) Analise da Dominação Econômica – Karl Marx x 2-) Análise da Dominação Psíquica/ Mental – Sigmund Freud), também conhecido como Marxismo de Melancolia!

Após a II Guerra Mundial, ao retornar dos EUA, para onde haviam sido obrigados a emigrar em função da perseguição nazista, Theodor Adorno (41) aceitou como orientando o Jovem Jürgen Habermas (Nascimento: 1929) (42), interessado em pesquisar alternativas de Transformação Social, à luz da acirrado Controle/ Asfixia Mediática (Big Brother/ 1984 – George Orwell; Homem Unidimensional – Herbert Marcuse). Mas, em pouco tempo, Adorno ao constatar que seu  Projeto  de  Tese  possuía  forte  Viés  Hegeliano (Idealismo  Dialético  Discursivo/  Alienado), rejeitou  de  pronto  continuar  sendo  seu  Orientador  Acadêmico,  além  de  expulsá-lo  do Instituto!

Habermas, muito influenciado pelo Virada Linguística Inglesa (Ludwig Wittgenstein – Cambridge/ Oxford University – Linguagem Ideal x Linguagem Ordinária) (43),  continuou seu percurso acadêmico, alternando entre Universidades Alemães/ Americanas, voltando posteriormente ao próprio Instituto de Pesquisa Social, colocando-se como herdeiro (bastardo) da própria Escola de  Frankfurt,    buscando desenvolver um  Modelo    Explicativo Democrático Imperialista (Teoria do Agir Comunicativo), que tem sido submetido a Testes Empíricos Planetários, onde quer que  surjam  Movimentos  Sociais  Heterodoxos,  através  de  substanciais  Orçamentos  de Pesquisa/ Equipe de Campo/ Staff Documentais! Buscando se posicionar muito mais como Cientista Social Empírico-Pragmático do que como Filósofo/ Teórico Social, seus diversos livros estão recheados de Dados Empíricos, mas incapazes de fornecer Comprovação Científico Epistemológica Popperiana Intrínseca (Karl Popper) (44),  somente por ele alcançada através de Argumentação Lógico-Abstrata Hegeliana.

Veja-se o caso de Fernando   Guilherme Tenório (Flexibilização organizacional, mito ou realidade? Estudo de caso nas empresas Eletrobrás, Embratel, Furnas e Petrobras  – Tese de Doutorado – COPPE/ Produção – 1996), orientado por Rogério de Aragão Bastos do Valle (LA THEORIE DE L’AGIR COMMUNICATIF FACE AUX APPORTS DUNE SOCIOLOGIE COMPARATIVE DES ORGANISATIONS – Orientador: JACQUES LAUTMAN – Tese de Doutorado – Université Paris Descartes – 1984/ 1989), concluindo pela inviabilidade, após extenso levantamento empírico, pela inviabilidade pragmática da Teoria do Agir Comunicativo, esforço redundante/ desnecessário, já que poderia ter sido refutada epistemologicamente a-priori, em função de suas Premissas Irrealistas/ Utópicas/ Alienantes!

Assim, descartando a-priori a Teoria do Agir Comunicativo Habermasiana, nosso estudo sobre o   Currículo Oculto dos Cursos Gerenciais de Gradução estará fundamentada numa Re-Interpretação Não Hegeliana do Marxismo Freudiano Frankfurtiano (Jay, Martin – The Dialetical Imagination. California University, 1996; Slater, Phil – Origem e Significado da Escola de Frankfurt: uma perspectiva marxista. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978; Wigghaus, Rolf – A Escola de Frankfurt. Rio de Janeiro: Difel, 2002), baseado nos seguintes textos:

  • A ATUALIDADE DA ESCOLA DE FRANKFURT – Vanilda Paiva
  • A ESCOLA DE FRANKFURT – Luzes e Sombras do Iluminismo – Olgária Matos
  • PARIS 68 – AS BARRICADAS DO DESEJO – Olgária Matos
  • OS ARCANOS DO INTEIRAMENTE OUTRO: A Escola de Frankfurt, a Melancolia, a Revolução – Olgária Matos;
  • O QUE É IDEOLOGIA – Marilena Chauí
  • BUROCRACIA E IDEOLOGIA – Mauricio Tragtenberg
  • GRAMSCI E O BLOCO HISTÓRICO – Hugues Portelli

Assim,  nossa  Auditoria  Epistemológica  situará  a  Práxis  Docente,  sob  a  concepção  do

Intelectual Orgânico Gramscista (45), a saber:

Grupo social que nasce no terreno original de uma função essencial do mundo da produção econômica cria, ao mesmo tempo que a si mesmo, organicamente, uma ou várias camadas de intelectuais que lhe conferem homogeneidade e a consciência de sua própria função, não somente no plano econômico, mas também no plano político e social. (Antonio Gramsci: Gli intellectuali e l’ organizacione della cultura)

A crise consiste justamente no fato de que o velho não morre e o novo não pode nascer” (Antonio

Gramsci – Passado e presente)

  1. METODOLOGIA

O presente artigo investiga o Currículo Oculto nos Cursos Gerenciais de Graduação (1- Objetivos/ Especificidade Pedagógica; 2- Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional; 3- Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica; 4- Estágio Universitário/ Práxis Profissional; 5- Monografia de Final de Curso; 6- Empresa Junior; 7- Centro Acadêmico; 8- Ensino Médio – ENEM/ SISU; 9- Coordenação Pedagógica; 10- Indicadores de Desempenho/ Modelos de Apoio à Decisão), buscando Re-Interpretações Paradigmáticas, fundamentado numa inovadora/ original concepção de Auditoria Epistemológica (Exegético-Hermenêutica), desenvolvida no âmbito do Laboratório de Educação Estratégica Empresarial (LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ – 1990/ 2013

– GROUP DISCUSSION), através da articulação de 3 Constructos Analíticos Básicos (1- Dialética da

Ação; 2- Filosofia Analítica da Linguagem; 3-) Teoria do Agir Comunicativo), acima discutidas!

Sob ótica das Diretrizes Metodológicas aqui adotadas, cabe destacar que não nos propomos a realizar um Estudo Empírico Hipotético-Dedutivo Popperiano (Levantamento de Dados/ Comprovação de Hipóteses), mas sim de Re-Interpretação Epistemológica, a partir de informações já conhecidas, de grande importância para permitir fundamentar uma Praxis Docente Inovadora, como foi amplamente destacado por Albert Einstein, in verbis:

“Formular um problema é frequentemente mais essencial que lhe dar solução, que pode ser questão de habilidade matemática ou experimental. Provocar o aparecimento de novas questões e possibilidades, considerar velhos problemas de um ângulo novo, isso exige uma imaginação-criadora, marca um real progresso de ciência”(A EVOLUÇÃO DA FÍSICA – Albert Einstein/ Leopold Infeld – 1ª Edição – 1938)

  1. RESULTADOS/ ANALISES

O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLOGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

5.1. OBJETIVOS/ ESPECIFICIDADE PEDAGÓGICA

No clássico Higher Education For Business (Robert Aaron Gordon/ James Edwin Howell – Columbia University Press – 1959), cujas conclusões, baseadas em ampla pesquisa empírica (70 anos de ensino americano de negócios – 1890/ 1960), patrocinada pela Carnegie Foundation, viriam promover  ampla  Revolução  Copernicana,  no  Ensino/  Pesquisas  Gerenciais  (Americano/ Mundial), com destaque no Brasil (Institution Building in Business Administration: The Brazilian Experience – Taylor, Donald Arthur – Michigan State University – 1968), ao propor pioneiramente a adoção de um Paradigma Generalista (Visão Globalizante Estratégico-Organizacional), a questão dos Objetivos/ Especificidade Pedagógica, é assim tematizado:

devem as escolas tentar desenvolver generalistas que podem aplicar um conjunto de habilidades básicas (especialmente administrativas) numa variedade de situações, ou devem elas se concentrar num particular conjunto de habilidades requeridas por especialistas dentro de uma área particular de problemas, como sistemas  contábeis,  pesquisa  de  mercado,  ou  alguma  fase  da  gerência  de  produção?  Ou  devem experimentar fazer ambas?” (Pág. 105);

“Somente o conhecimento especializado baseado em fatos relativamente imutáveis e o domínio de habilidades analíticas particulares pode ser lucrativamente adquirido através da educação formal. Domínio de detalhes em constante mutação deve ser adquirido através da experiência real no trabalho (Pág. 66);

Na prática, à despeito de um amplo/ desgastado Discurso Oficial Brasileiro sobre a busca de Objetivos Pedagógicos Universitários Críticos, o Currículo Oculto torna-se predominante (Correlação de Forças Políticas em Jogo), sobretudo por influência do Mass Media, enquanto demanda implícita por Adestramento Educacional (Escolarização/ Diplomação/ Certificação/ Treinamento), onde as prioridades discentes demandam provas tradicionais decorebas/ compilações da internet/ informações factuais descontextualizadas/ ajustamento ao mercado  de  trabalho!  Ou  seja,  ao  invés  de  um  necessário  Processo  de  Reeducação Estratégico-Gerencial, o grande potencial científico-pedagógico docente das Universidades Publicas, assimilados pelo senso comum como mero mestres escolas, tornam-se completamente sub-utilizados, configurando uma sui-generis crise educacional baseada, paradoxalmente, num excesso de Competência Docente Inexplorada!

Assim,  Revoluções Pedagógicas Efetivas (Álvaro Vieira Pinto/ Florestan Fernandes/ Rubens Alves) (46, 47 e 48) precisam transcender a mera/ tradicional Reformulação Curricular Formalística (Idealismo Dialético Hegeliano; Linguagem Formal Wittgensteiniana; Teoria do Agir Comunicativo Habermasiano), para se concentrar no Aqui & Agora (Ação Pedagógica x Práxis Gerencial), tomando o problemático/ desfuncional como Case History Clínico, à luz das clássicas assertivas de Karl Marx, a saber:

“A anatomia do homem é a chave da anatomia do macaco. O que nas espécies animais inferiores indica uma forma superior, não pode, ao contrário, ser compreendida, senão quando se conhece a forma superior”;

“Os homens fazem sua própria história, mas não como melhor lhes parece; não a fazem em circunstâncias por eles mesmos escolhidas, mas em circunstâncias encontradas, dadas e transmitidas pelo passado”;

 “Os filósofos nada mais fizeram que interpretar de diverso modo o mundo, mas trata-se, antes, de transformá-lo”;

5.2. MERCADO DE TRABALHO/ INSERÇÃO PROFISSIONAL;

Em 1991, o BID condicionou a aprovação de amplo empréstimo à USP (Reitor José Goldemberg – US$ 63 milhões – 1988/ 1991), que fosse realizada uma prévia avaliação do desempenho universitário, baseado no rastreamento/ análise do destino profissional dos ex- alunos (inserção organizacional/ níveis salariais), o que levou a criação do NUPES/ USP (Núcleo de Pesquisa sobre o Ensino Superior), sob direção do sociólogo Simon Schwartzman (Formação da Comunidade Científica Brasileira – FINEP) (49), gerando amplo questionamento/ debate mediático (USP traça perfil de ex-alunos a pedido do BID – Folha de São Paulo – 22/03/1991)!

Este é um exemplo claro da importância de considerar o Currículo Oculto no desempenho dos Cursos Gerenciais! Todo o Conteúdo Científico-Pedagógico Universitário só se transformará em Riqueza Econômico-Social, caso o educando consiga atuar como efetivo Multiplicador Educacional (Problem/ Communicative Crossword Maker), conforme defendido, de longa data, em toda a obra de Peter Ferdinand Drucker (Administração: Tarefas, Responsabiliade e Práticas; O Gerente Eficaz). Necessitando para tal, habilidade/ expertise para atuar em ambiente capitalista competitivo/ hostil, a despeito de discurso mistificado em contrário! Ou seja, entender o Mercado de Trabalho/ Inserção Profissional sob a ótica da Dinâmica Estratégico-Organizacional Global, não como cargo isolado (racionalidade técnica/ busca do melhor argumento), como quer a visão idealista/ romântica/ alienada de Jurgen Habermas (Teoria do Agir Comunicativo) (50)!

5.3. CORPO DOCENTE: FORMAÇÃO/ PRÁXIS PEDAGÓGICA;

Não se pode confundir uma Universidade de Ensino (Escolão Pedagico), designada pejorativamente como mero 3º Grau Educacional (Reitor Jo Goldenberg – USP – , 1986/ 1990) com uma efetiva/ verdadeira Universidade Científico-Pedagógica Humboldiana (Alexander von Humboldt – 1769/ 1859) (51), conforme estabelecido pioneiramente na Universidade de Berlim (1810), baseado na Reforma Radical das Universidades Medievais, visando alavancar o subsequente Processo de Unificação Alemão (1872)!

Nas Universidades Humboldianas, como é o caso da UFRJ, não existem Professores/ Mestre Escola, mas sim Professores/ Pesquisadores Científicos, nas suas respectivas áreas de atuação! No entanto, se analisarmos sob a ótica do Currículo Oculto veremos que só são vistos/ demandados nos Cursos de Graduação Gerenciais enquanto meros Transmissores de Conteúdo Programático Padronizado/ Pré-Definido/ A-Crítico, demandado por pressão Adestrativa/ Instrumental Discente, deixando completamente inexplorado todo um Potencial de Inquietude Científico-Pedagógica Docente, sob a ótica do Questionamento Metodológico Socrático-Cartesiano (Tudo que sabemos, é nada saber)!

Em síntese, trata-se de um Ciclo Vicioso Crônico, que transcendendo os Projetos Pedagógicos Curriculares Formais, surgindo como variável determinante dos Currículos Ocultos, só podendo ser superado através de Programas de Re-Educação Mediática (Sugestão de Polêmicas Pautas Jornalísticas Universitárias – Cientificas/ Pedagógicas), antagônicos ao vigente/ dominante Discurso/ Patrulhamento Politicamente Correto, conforme proposto originalmente por Karl Marx, nas sua conhecida IIIª Tese contra Ludwig Feuerbach (A essência do cristianismo – 1842) (52), a saber:

“A teoria materialista de que os homens são produtos das circunstâncias e da educação e de que, portanto, os homens modificados são produtos de circunstâncias distintas e de educação distinta, esquece o fato de que as circunstâncias são mudadas precisamente pelos homens e de que o próprio educador necessita ser educado. (…) A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana só pode ser concebida e entendida racionalmente como prática revolucionária”

5.4. ESTÁGIO UNIVERSITÁRIO/ PRÁXIS PROFISSIONAL;

Paradoxalmente, muitos empresários informam receber alunos despreparados pelas universidades, enquanto esses mesmos alunos reclamam de estarem sendo sub-utilizados como mão de obra barata, para execução de tarefas rotineiras/ banais, sem qualquer tipo de desafio intelectual, caracterizando claro excesso de competência inexplorado empresarialmente!

Como discutido pioneiramente por Peter Drucker (O Gerente Eficaz; Administração: Tarefas, Responsabilidades e Práticas), a Práxis Profissional Gerencial Eficaz deve estar articulada com a Dinâmica Estratégico-Organizacional Global, não podendo ser confundida com mera solução/ equacionamento de problemas técnicos, sob pena da mais completa sub-utilização do Estagiário/ Formando Universitário, sob ótica Científico/ Pedagógica/ Empreendedora!

Os Projetos de Estágio Universitário, na maioria das vezes, tem sido utilizados unicamente para descrever/ homologar situações de Sub-Utilização Discente, concentrados unicamente na realização de tarefas burocráticas como um fim em si mesmo, sem qualquer articulação com o Processo Administrativo-Gerencial Global, quando deveriam servir sobretudo para desenvolver Auto-Consciência Crítico-Reflexiva Situacional!

Veja-se o famoso exemplo atribuído a Drucker, ao questionar um simples Pedreiro sobre a natureza de sua atuação profissional: colocar tijolos, construir muros, erigir igrejas, salvar almas. Não se trata de mero exercício semântico, mas sim de influenciar seu contexto profissional, através de sua Práxis Comunicativa Cotidiana Hierarquicamente Ascendente (Down => Up)!

Isso significa que o Estagiário, antes de iniciar sua atividades empresariais deve elaborar um Projeto de Pesquisa de Estágio, a ser previamente aprovado, em conjunto pela Universidade e Empresa estabelecendo um Programa de Atividades voltado para responder a seguinte Questão Central, a saber:

“De que maneira as Atividades Profissionais do Estagiário possibilitam efetivamente uma compreensão teórico/ conceitual/ reflexiva profunda da Dinâmica Estratégico-Organizacional das Empresas como um todo, ao invés de se limitarem a execução mecânica/ repetitiva de um conjunto de rotinas empresariais, como ocorre tradicionalmente nos Pseudo-Estágios Universitários?

Infelizmente, os Projetos de Estágio/ Práxis Profissional Universitária são tratados majoritariamente sob Perspectiva Idealista/ Politicamente Correta (Dialética Hegeliana; Agir Comunicativo Habermasiano; Formalismo Lingüístico Wittgensteiniano), só podendo ser efetivamente transformados a partir de uma Praxis Pedagógica Heterodoxa, por estar fundamentada na concepção de Currículo Oculto, como exemplificado pelo livro de Gifford Pinchot III (Intrapreneuring – Porque você não precisa deixar a organização para ser um empreendedor), onde ele, influenciado pela obra de Nicolau Maquiável (O Príncipe) e Mao Tse Tung (Livrinho Vermelho; A Prática), apresenta seu super-polêmico

10 MANDAMENTOS DO INTRA-EMPREENDEDOR: 1.Vá ao trabalho cada dia preparado para ser demitido;

2.Contorne qualquer ordem que objetive interromper seu sonho; 3.Se preciso, “carregue pianos” em seu projeto;

4.Gaste muita saliva e sola de sapatos; 5.Siga sua intuição sobre o pessoal, use apoio e trabalhe somente com os melhores; 6.Não divulgue seus projetos. A publicidade atrai céticos, descrentes e resistentes; 7.Nunca aposte numa corrida a menos que esteja participando dela; 8.Lembre-se que é mais fácil pedir desculpas pelo insucesso do que permissão para tentar algo novo; 9.Tenha metas ambiciosas, mas seja realista quanto aos meios que dispõe;

10.Seja leal com todos. Não há conflito entre realização e consciência tranquila.

5.5. MONOGRAFIA DE FINAL DE CURSO;

As Monografias de Graduação, tornadas obrigatórias, em diversos cursos brasileiros, a partir da década de 1990, tem se tornado crescentemente estéries/ desfuncionais, dado a adoção de ênfase formal/ burocrática/ compilativa, focada em mera descrição de práticas gerenciais e citações bibliográficas padronizadas/ desconexas, dotadas de baixíssima reflexão crítica, como destacado no clássico estudo da Universidade (Católica/ Não Protestante) de Louvain/ Bélgica (Dinâmica da Pesquisa em Ciências Sociais – Os pólos da prática metodológica – Paul de Bruyne/ Jacques Herman/ Marc de Shoutheete), discípulos/ prefaciados pelo seu celebrado mestre, o Epistemólogo Jean Ladrière (Escola de Louvain – Epistemologia Crítica), a saber:

 

“A prática científica não é redutível a uma seqüência de operações, de procedimentos necessários e imutáveis, de protocolos codificados. Tal concepção, que converte a metodologia numa tecnologia, repousa sobre a visão rigorista e ‘burocrática’ do design, fixado no início da pesquisa e de uma vez por todas, concretizando-se no que W.H.White chama de ‘mania de projeto’. Ao contrário, parece que a complexidade das problemáticas em ciências sociais exige interprenetrações e voltas constantes entre os pólos epistemológico, teórico, morfológico e técnico da pesquisa” (Pág. 30);

“A metodologia é simultaneamente uma lógica e uma heurística. O empreendimento metodológico não é redutível a uma reflexão a posteriori sobre os resultados da pesquisa científica. Por um lado, ela tende a analisar os procedimentos  lógicos  de  validação  e  a  propor  critérios  epistemológicos  de  demarcação  para  as  práticas científicas (lógica da prova) e, por outro lado, a examinar o próprio processo de produção dos objetos científicos (lógica da descoberta)” (Pág. 29);

“O estudo de caso, em sua particularidade, só pode aspirar à cientificidade integrado num processo de pesquisa global onde o papel da teoria não é deformado, onde a crítica epistemológica dos problemas e dos conceitos não é negligenciada. Geralmente, o caso singular ‘coloca problemas, sugere conjeturas, refuta-as, ilustra uma teoria, mas não pode gerar esta útlima” (Pág. 225);

“Os estudos de caso rigorosos não devem se limitar a uma descrição, por mais documentada que seja, mas apoiar- se em conceitos e hipóteses; devem ser guiados por um esquema teórico que serve de princípio diretor para a coleta dos dados; assim eles evitam “o erro do concreto mal colocado’ (Hempel) para melhor assegurar a pertinência e a integração dos dados que eles reúnem” (Pág. 227);

Sob essa ótica, as Monografias de Graduação carecem de Problematização Epistemológica Explícita, baseado na Pedagogia da Dúvida Sistemática Socrático-Cartesiana! Ou  seja,  o  alunado,  ao  escolher  o  tema,  baseado  em  interesses/  motivações/  sugestões diversas, toma o  problema subjacente como dado, partindo diretamente para sua Lógica Formal de Exposição/ Demonstração/ Prova, desconsiderando completamente o Momento Crítico-Reflexivo Prévio (Lógica/ Heurística da Investigação/ Descoberta/ Invenção), a saber:

“Penso que a ciência parte de problemas (mais do que de informações, ou mesmo de teorias, embora possa admitir que o background do problema conterá teorias e mitos)… Assim, aprendemos a compreender um problema tentando resolvê-lo e fracassando” (The Logic of Scientific Discovery – Karl R. Popper – 1972 – Pág. 181)

Toda essa questão sobre a atual desfuncionalidade das Monografias de Graduação situa-se no âmbito do Currículo Oculto (Dialética Ser/ Dever Ser), pois passaram a estar diretamente associadas, não como um exercício de Problematização Epistemológica Crítica, mas sim como mera Operacionalização Normativo-Procedimental/ Compilação Bibliográfica! Até suas Defesas Orais tem sido suspensas, já que se tornaram apresentações orais enfadonhas/ repetitivas, sob a ótica das Bancas Examinadoras Docentes, com baixa agregação de valor científico-pedagógico!

Como ocorre nos Processos de Canonização Católicos (Vaticano), quando são regularmente designados os chamados Advogados do Diabo, as Monografias de Graduação muito teriam a ganhar com a designação de Problematizador Epistemológico Docente, para se contrapor dialeticamente ao Orientador Acadêmico, num Debate Público Fundamentado/ Polêmico, situando-se o aluno como Observador Participante (Etno-Metodologia/ Antropologia Social/ Chicago University)!

Os Manuais Monográficos tendem a promover uma verdadeira Intoxicação Crítico-Reflexiva, onde a ênfase operativa não permite tempo/ espaço para a chamada Pedagogia da Dúvida! Demanda- se menos informação e mais pensamento original. Desconstrutivismo Científico-Pedagógico já! Menos Idealismo Dialético Hegeliano/ Teoria do Agir Comunicativo Habermasiano/ Formalismo Lingüístico Wittgensteiniano I, e mais Filsofia da Práxis/ Dialética do Trabalho/ Estruturalismo Genético! Revisitemos Emanuel Carneiro Leão no seu clássico livro “Aprendendo a Pensar” (Vozes)!

5.6. EMPRESA JUNIOR;

As Empresas Juniores, muito badaladas pela mídia (Donos do próprio passe – Revista Veja), apresentam uma série de disfuncionalidades gerenciais (efeitos colaterais),   completamente desconsideradas pelos Currículos Oficiais, mas que enquanto Currículo Oculto, exerce forte influência pedagógica deletéria!

Suas premissas básicas são de que, ao invés de Estagiário Mão de Obra Barata, utilizado na realização de atividades secundárias/ burocráticas, estariam sendo priorizadas a resolução de problemas empresariais relevantes, através da utilização de conhecimento científico-pedagógico universitário!

A crítica a esse raciocínio idealista, muito difundido ao nível do senso comum, é de que as diversas Organizações Humanas são objeto de cotidiana luta subjacente/ intestina/ hostil, por motivação econômico/ política, a despeito de um discurso semântico/ demagógico, enfatizando a racionalidade técnica/ conjugação de interesses!

Neste contexto, a dificuldade não está na expertise/ competência/ know how para resolução de  problemas explícitos; ao  contrário, o  desafio  é  o  de  identificar problemas (Problem Maker), subjacente às situações cotidianas, bem como viabilizar sua solução, através da articulação das forças econômico-políticas envolvidas!

Assim, as Empresas Juniores esterilizando a ação gerencial do graduando em relação à luta política empresarial cáustica, não estimula o desenvolvimento de expertise/ anti-corpos para enfrentamento de situações organizacionais extremas, tornando-o pouco competitivos aos Programas de Trainee Corporativos (Big Business), dado priorizarem uma Perspectiva Politicamente Correta, fundada numa concepção de Práxis Humana Idealizada (Dialética Hegeliana; Agir Comunicativo Habermasiano; Formalismo Lingüístico Wittgensteinano)!

5.7. CENTRO ACADÊMICO;

Os Centros Acadêmicos dos Cursos Gerenciais de Graduação são pouco orientados pela Perspectiva Político-Partidária (UNE/ UEE/ DCE/ ORGÃOS COLEGIADOS SUPERIORES), priorizando Demandas Corporativistas (Currículo/ Docentes/ Instalações/ Recursos), sem perceber a necessidade premente brasileira pela Formação de Novas Lideranças Empresariais, dotadas de sólida Visão Estratégico-Política!

A  falta  de  exposição  do  alunado  desses  cursos  ao  Debate  Político-Antagônico (Correntes de Pensamento Divergentes) sobre Formação Educacional/ Perfil Profissional (Cartesiano/ Quantitativo; Ético-Humanista; Sistêmico-Gerencial; Administrativo-Funcional; Privado-Competitivo), torna- se um grande limitador de sua Capacitação Estratégica-Empresarial (Desenvolvimento de Anti- Corpos; Musculatura Reflexiva; Convicção Subjetiva Fundamentada; Expertise Contraditório-Argumentativa; Eloqüência Retórico-Convincente; Visão Holística),  dado a ênfase numa Perspectiva Epistemológica Romântico-Idealista (Politicamente Correta/ Chapa Branca/ Uni-Dimensional/ Desinformada/ Alienada)!

Paradoxalmente, desde a década de 1970, diversas Empresas Capitalistas Brasileiras tiveram na sua Cúpula Diretiva diversos executivos, com sólidas Raízes Econômico-Politica Marxistas, como foi destacado em polêmico artigo de Bresser Pereira, L.C. (A Formação Contraditória das Classes Dominantes Brasileiras – FGV – A Escola do Poder – Revista Senhor) (53) e, em conhecido estudo sobre o CAP/ UFRJ (Intelectuais e Guerreiros – O Colégio de Aplicação da UFRJ de

1948 a 1968 – Alzira Alves de Abreu – 1992)!

Conta-se que o Empresário Roberto Marinho (54), durante o auge do Regime Militar, convocado pelo Ministro da Justiça (Armando Falcão – Governo Geisel) para denunciar a penetração de Quadros Comunistas em Empresas Capitalistas, com destaque para as Organizações Globo, onde era sabido atuarem diversos deles, teria respondido enfaticamente: “Dos meus comunistas, cuido eu! Suas sólida Formação Econômico-Política é nossa grande fonte de competitividade/ lucro!

Muitos dos escândalos/ barracos do Congresso Nacional, considerados demonstração máxima da inerente falta de ética da política brasileira, são muito similares aos ocorridos ao longo de toda a História Ocidental (Péricles e a Democracia Grega; Julio César e a ainda República Romana; Revolução Francesa; Democracias Ocidentais em Geral) (55, 56 e 57), mostrando tratar-se de questão estrutural, inerente à Práxis Política Parlamentar, sempre confrontada com a tensão dialética entre Ética da Convicção e Ética da Responsabilidade (Ser x Devir)! Neste contexto, anti-ético seriam os eleitores em geral, ao transferir para os políticos a expectativa de equacionar problemas/ articular variáveis que eles mesmos sabem incompatíveis entre si, daí envolver necessárias escolhas de alternativas entre perdas/ ganhos, como ensina a Teoria dos Jogos!

Nesse contexto, os Currículos Ocultos dos Cursos Gerenciais Universitários demonstram que seus Centros Acadêmicos ao optarem, sob Perspectiva Epistemológica, por um Discurso Político Normativo Idealizado (Hegel/ Wittgenstein/ Habermas), perdem a capacidade de fundamentar uma Práxis Estratégico-Gerencial Conseqüente, como ensinou Bertold Brecht (58), em seu conhecido texto, O Analfabeto Político (59 ), in verbis:

 

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Estudos recentes sobre Nicolau Maquiavel (60), cerca de 500 anos após a sua morte, tem desenvolvido re-interpretação radical sobre toda a sua obra em geral, e do eu polêmico livro “O Príncipe” em particular, concluindo que ele não pode ser classificado como uma Personalidade Maquiavélica no sentido estabelecido/ vulgar, reposicionando-o como exemplo máximo da Ética da Responsabilidade, já que suas lições não almejavam a conquista do poder como um fim em si mesmo, mas sim para viabilizar a construção do Estado de Direito, sem a qual a humanidade não sairia da barbárie! Ou seja, trata de assumida defesa de que os fins justificam os meios! De modo especial, numa dessas edições brasileiras de “O Príncipe” está incluso um Prefácio Original do Prof. DSc. Fernando Henrique Cardoso (Catedrático/ Ciência Política – Livre Docente/ Sociologia – FFCL/ USP), desenvolvendo o conceito de Ética Maquiavélica da Responsabilidade, para justificar suas Ações Governamentais (Presincia da República – 1995/ 2002)!

5.8. ENSINO MÉDIO – SISU/ ENEM;

Analisando as causas da baixa articulação entre Universidade/ Formação Profissional/ Estrutura Ocupacional logo será percebido que o Ensino Médio, enquanto Currículo Oculto, exerce forte influência negativa, raramente tematizada!

Seu objetivo pedagógico central nunca poderá ser a simples preparação cognitiva para a Prova do Enem e/ou Processos de Seleção Universitária, mas sim o de fundamentar o Exercício Pleno da Cidadania Democrática, enquanto Práxis Humana Auto-Determinada, em relação às suas Habilidades Básicas (Comunicação/ Expressão; Contexto Histórico/ Geográfico/ Social; Raciocínio Lógico-Quantitativo; Ciências Naturais). Não se trata de ser bem sucedido num Sistema de Avaliação Cognitiva Trans-Disciplinar, mas sim de introjetar essas perspectivas/ angulações analíticas (Psicologia da Gestalt), no Comportamento Humano Cotidiano, condição sine qua non para a Expertise Estratégico Gerencial!

Ou seja, qualquer que seja a Inserção Organizacional, serão demandadas estas habilidades educacionais (Linguagens/ Estudos Sociais/ Matemática/ Ciências), que deveriam ter sido adquiridas  no     Ensino  Médio  e  que  não  serão  mais  necessariamente  abordadas  nos Curriculares Universitários Especializados/ Segmentados (Engenharia/ Tecnologia; Biomédica/ Saúde; Ciências Naturais/ Matemática; Ciências Humanas/ Sociais; Letras/ Artes)! Se bem analisado, logo se verá que a grande atratividade dos Cursos de MBA  (Master of Business Administration) não advém de sua especificidade técnica, mas sim de sua Perspectiva Generalista (Análise Ambiental

– Macro/ Micro; Adaptação Empresa Ambiente; Dinâmica Organizacional; Áreas Funcionais Empresariais – Marketing/ Vendas; Finanças/ Controle; Produção/ Tecnologia; RH/ Pessoal; TI/ Planejamento), diretamente articulada aos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais/ Ensino Médio)!

Desde a década de 1990, com a verticalização da Globalização Econômica e ênfase na Terceirização Ocupacional, diversos estudos tem discutido o Fim dos Empregos Tradicionais (Jeremy  Rifkin),  enfatizando a  importância do  conceito de  Empregabilidade (Como  ser  bem sucedido num mundo sem empregos – William Bridges), sintetizado na máxima de Você S/A!

5.9. COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA;

Nos Cursos Gerenciais de Graduação (Administração/ Contabilidade/ Economia/ Engenharia de Produção/ Ciências Sociais Aplicadas), especialmente naqueles desenvolvidos em Universidades Públicas, não é percebido que cada estudante é aluno de uma multiplicidade de departamentos distintos, como atestado pelos códigos de inscrição em disciplina, e não apenas de seu departamento de origem!

Na década de 1960, com a mudança da capital federal, quando foi criada a UnB (Universidade de Brasília), seu Plano Diretor Transdisciplinar, elaborado no âmbito do então CBPE/  INEP/  RJ  (Centro   Brasileiro   de   Pesquisas   Educacionais/   Instituto   Nacional   de   Estudos Pedagógicos), sob a ótica do Experimentalismo Científico-Pedagógico (Anísio Teixeira/ Darcy Ribeiro) (61), foi desenvolvido um sui generis Projeto Arquitetônico (Minhocão), onde os alunos eram permanentemente demandados a se deslocarem geograficamente, já que as diversas disciplinas eram sempre lecionadas nas salas de aula dos departamentos de origem, através de turmas mistas, composta por discentes oriundos de múltiplas graduações, especialmente durante o ciclo básico!

No caso da UFRJ (CCJE/ CFCH), cujos cursos estão localizados fora da Cidade Universitária (Praia Vermelha/ Largo de São Francisco/ Campo de Santana/ Ilha do Fundão), quando argüidos   de   imediato,  os   discentes   se   imaginam  como   atrelados   apenas   aos   seus departamentos de origem, já que todas as disciplinas são lecionadas nas mesmas salas de aula, e as idas ao Campus do Fundão se limitam à época da matrícula, para entrega de documentos!

Na referida Reforma Universitária Original (Anísio Teixeira/ Darcy Ribeiro) o mais importante  não  era  o  simples  deslocamento  geográfico  dos  discentes,  mas  atribuir  aos diversos departamentos básicos a responsabilidade de definir Conteúdo Pedagógico/ Métodos Avaliativos e desenvolvê-los em turmas mistas! Ou seja, trata-se de uma Concepção Pedagógica Dialética (Tese/ Antítese/ Síntese), onde o alunado deveria ser submetido a Perspectivas Pedagógicas Antagônicas (Disciplinas Formativas/ Profissionalizantes => Enfoques Divergente/ Convergente => Ênfase nos Meios/ Fins)!

Neste contexto, muito mais do que os Chefes de Departamento, responsáveis por indicar docentes para múltiplos cursos, cabe um papel central à figura do Coordenador de Curso, em termos de integrar/ articular docentes oriundos das mais diversas unidades universitárias, possuindo amplo espaço para induzir, de maneira endógena, as mais diversas Reformas Científico-Pedagógicas! Tal  como um Maestro Musical/ Diretor Teatral, atuar como Orquestrador/ Articulador de Talentos Científico-Pedagógicos Docentes Diferenciados!

Infelizmente, os Coordenadores de Curso Universitários, tem orientado/ concentrado/ esterilizado sua atuação, em função da priorização dada ao Projeto Pedagógico Formal (Grade Horária; Inscrição em Disciplinas; Atendimento Docente/ Discente), ignorando completamente a forte influência do subjacente Currículo Oculto, que permitiria promover ampla Revolução Educacional Intrapreneuring, explorando os interstício na normatividade jurídica, sem contrariá-la, como se infere das lições de Miguel Reale (Teoria Tridimensional do Direito –  Norma, Fato e Valor) (62), de maneira a contrapor/ transcender/ superar toda essa nefasta Perspectiva Idealista (Hegel/ Habermas/ Wittgenstein I).

5.10. INDICADORES DE DESEMPENHO

Peter Drucker, num irônico texto denominado “Controles, Controle e Administração”, afirma:

“No vocaburio das instituições sociais a palavra Controles não é o plural de Controle. Não apenas mais Controles não propiciam necessariamente mais Controle, como também as duas palavras, no contexto das instituições sociais, possuem um signficado totalmente diverso. Os sinônimos de Controles são mensuração e informação. O sinônimo de Controle é direção. Os Controles pertencem aos meios, Controle a uma finalidade. Os Controles lidam com os fatos, ou seja, com eventos do passado. O Controle trata das expectativas, isto é, do futuro. Os Controles são analíticos, dizem respeito ao que era e ao que é. O Controle é normativo e diz respeito ao que deve ser. (Pág. 543);

Na verdade, acrescentar mais Controles, não redunda num Controle melhor. Acaba é criando mais confusão”. A primeira pergunta que o administrador portanto deve fazer a si mesmo, ao criar ou utilizar um sistema de controles é, portanto, ‘Qual é o mínimo de informações de que necessito para manter o controle?’ (Pág. 548);

Ou seja, segundo esse autor, a Concepção de Controle, numa Instituição Social deve ser percebida, qual verdadeira Revolução Copernicana em relação a Concepção Tradicional de Sistemas de Controles, como se infere da seguinte assertiva:

“Se lidamos com Seres Humanos numa Instituição Social, os Controles devem tornar-se uma Motivação Pessoal que leva ao Controle. Em vez de um Sistema Mecânico, o Sistema de Controle numa situação humano social é um Sistema Volitivo”. (Pág. 544);

A literatura organizacional, em âmbito mundial, é repleta de exemplos concretos sobre as desfunções da concepção tradicional de Sistemas de Controle\;

a-) O Congresso Americano, ao colocar verba para os Hospitais em proporção inversa a Capacidade Ociosa descobriu a posteriori que os dirigentes hospitalares/ médicos passaram a reter doentes por maior tempo, com o objetivo de diminuir artificialmente seus índices de Capacidade Ociosa;

b-) As Forças Armadas Inglesas ao avaliarem o desempenho de seus Dentistas peno Número de Cáries Obturadas, descobriram a posteriori que muitos dentistas passaram a aumentar necessariamente o número de obturações com o objetivo de melhorar artificialmente seus Índices de Avaliação/ Desempenho;

 

 

c-)  Em  diversas  Organizações,  a  introdução  de  Sistemas  de  Controle  Orçamentário,  como  é  amplamente conhecido, induz seus participantes a adotarrem um Comportamento Conservador em relação a ampliação dos resultados e/ou diminuição de custos, popularmente conhecidos como “Esconder o Leite”;

Na perspectiva deste artigo, o BSC (Balanced  Score card – Robert Kaplan/ David Norton) (63) tem se transformado crescentemente num modismo procedimental descontextualizado/ desfuncional/ estéril, gerando verdadeira indústria de Indicadores de Desempenho, fundado num Discurso Semântico-Metafísico Alienado, tendo muito mais um papel na Área de Relações Públicas (Comunicação/ Assessoria de Imprensa) do que no direcionamento da Práxis Gerencial Efetiva! Perdeu completamente seu vigor original, quando representou importante revolução  paradigmática,  diante  das   criticas  radicais  aos  Sistemas  de  Contabilidade Tradicional (Décadas de 1980/ 1990), a saber:

“Relevance Lost – The Rise and Fall of Managment Accounting” (Thomas Johnson/ Robert Kaplan) (64); “Reengenharia de Processos” (Michael Hammer/ Thomas Davenport) (65 ); “ABC- Activity Based Cost (Robert Kaplan/ Robin Cooper)” (66); “TOC- Theory of Constraints” (Eliyahu M. Goldratt). (67 e 68)

Assim, a utilização de uma multiplicidade de Sistemas de Indicadores de Desempenho Gerenciais, diante da ampla Complexidade das Instituições Universitárias, desconsiderando completamente a especificidade de sua auto-gestão autônoma (administrativa/ didático/ científica), é a principal razão do fracasso de muitos Sistemas de Avaliação Universitária, onde se foca exclusivamente no  Projeto  Curricular  Formal  (Idealismo  Hegeliano/  Agir  Comunicativo Habermasiano/ Formalismo Lingüístico Wittegensteiniano), desconsiderando, sob perspectiva da Filosofia da Práxis/ Dialética da Ação, completamente as implicações dos Currículos Ocultos!

  1. CONCLUSÕES FINAIS/ SUGESTÕES DE NOVAS PESQUISAS

O CURRICULO OCULTO NOS CURSOS GERENCIAIS DE GRADUAÇÃO: FUNDAMENTOS EPISTEMOLOGICOS E IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

O presente artigo se propôs a discutir o conceito de Currículo Oculto e sua aplicação para otimizar o desempenho dos Cursos Gerenciais de Graduação (Administração/ Contabilidade/ Economia/ Engenharia de Produção/ Ciências Sociais Aplicadas), reconhecendo tratar-se de temática bastante debatida na Área de Educação/ Pedagogia, mas ignorada no contexto em tela! Sua importância central advém de serem os objetivos explícitos perseguidos pelos chamados PPC (Projetos Políticos Pedagógicos/ Projetos Pedagógicos Curriculares), alterados/ desviados em função do contexto  histórico  subjacente,  concebido  como  variável  não  controlável!  Daí,  muitas Reformas Curriculares Brasileiras tem se limitado abordar os velhos conteúdos sob denominação nova, esterilizando assim seu impacto em mero exercício semântico.

Sua originalidade/ fecundidade advém do seu approach metodológico, baseado em Auditorias   Epistemológicas Curriculares (Exegética-Hermenêutica), desenvolvido/ aplicado no âmbito do Laboratório de Educação Estratégica Empresarial (LABEDUCEMP – ADM/ FACC/ UFRJ –

1990/ 2013 – GROUP DISCUSSION), através da articulação de 3 Constructos Analíticos Básicos (1- Dialética  da  Ação;  2-  Filosofia  Analítica  da  Linguagem;  3-)  Teoria  do  Agir  Comunicativo),  objeto de discussão detalhada no presente texto! Não se trata de um Estudo Empírico Hipotético- Dedutivo Popperiano (Levantamento de Dados/ Comprovação de Hipóteses), mas sim de Re- Interpretação  Epistemológica,  apud  Albert  Einstein  (A   Evolução   da   Física),  a  partir  de informações já conhecidas, de grande importância para permitir fundamentar uma Práxis Docente Inovadora!

De maneira específica, esta metodologia foi aqui aplicada na análise da Estrutura Curricular  Global  (1–   Objetivos/   Especificidade   Pedagógica;   2-   Mercado   de   Trabalho/   Inserção Profissional; 3- Corpo Docente: Formação/ Práxis Pedagógica; 4- Estágio Universitário/ Práxis Profissional;

5- Monografia de Final de Curso; 6- Empresa Junior; 7- Centro Acadêmico; 8- Ensino Médio –  ENEM/ SISU;

9- Coordenação Pedagógica; 10- Indicadores de Desempenho), dos Cursos Gerenciais de Graduação, através de Problematizações/ Questionamentos/ Angulações Paradigmáticas, transcendentes/ ignoradas pelos Projetos Pedagógicos Oficiais (Idealistas/ Formais/ Politicamente Corretos), sem qualquer capacidade de neutralizar, em termos de correlação de forças sócio- econômicas, os efeitos desfuncionais acarretados pelos Currículos Ocultos!

Conclusão central, acentuada por se tratarem de Cursos Gerenciais de Graduação, o Processo de Integração Universidade/ Inserção Profissional/ Mercado de Trabalho/ Estrutura Ocupacional assume  papel central, sob a ótica do Currículo Oculto, sobretudo por se tratar de Modo de Produção Capitalista Oligopólico-Globalizado (Revista de Economia Política) (69), cuja dinâmica específica precisa ser previamente captada/ apreendida/ articulada, não podendo ser assimilada com a vigente Perspectiva Idealista/ Romântica/ Alienada (Idealismo Hegeliano/ Agir Comunicativo Habermasiano/ Formalismo Lingüístico Wittgensteiniano), já que se demanda Filosofia da Práxis/ Dialética da Ação, amplamente enfatizado por Karl Marx, in verbis:

“A questão de se saber se ao pensamento humano corresponde uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas, sim, prática. É na prática que o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade e a força, o caráter terreno de seu pensamento. A querela em torno da realidade ou irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico.”(…) “A vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios, que levam a teoria para o misticismo, encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão dessa prática” (…) Os filósofos nada mais fizeram que interpretar de diverso modo o mundo; mas trata-se, antes, de transformá-lo”

“Para Hegel, o processo do pensamento, – que ele transforma em sujeito autônomo sob o nome de idéia, – é o criador do real, e o real é apenas uma manifestação externa. Para mim, ao contrário, o ideal não é mais do que o material transposto para a cabeça do ser humano e por ela interpretado.”(…) Em Hegel, a dialética está de cabeça para baixo. É necessário pô-la de cabeça para cima, a fim de descobrir a substância racional dentro do invólucro místico!

Em termos de sugestões de Novas Pesquisas, o Labeducemp (Laboratório de Educação Estratégica Empresarial – ADM/ FACC/ UFRJ), que tem estudado a temática do Currículo Oculto Universitário sob Perspectiva Epistemológica ao longo de toda sua existência (1990/ 2004), objeto inclusive de papers vencedores de Concursos Monográficos Docentes (Propostas para uma Universidade no Terceiro Milênio: Desafios, Missão Histórica e Novos Paradigmas numa Perspectiva Planetária; “O Elo Perdido dos Sistemas de Avaliação de Desempenho da Universidade Pública: uma errônea concepção reducionista de Educação Empresarial/ Inserção Profissional” – PREMIOS FUJB/ UFRJ – Década de 1990), estará dando continuidade a uma bateria de Grupos de Discussão Antropológicos, monitorados através de Salas de Espelho (Focus Group – Estrella Espaço de Pesquisas e Levantamento de Dados – www.estrellapesquisa.com.br – Praia do Flamengo – RJ/ RJ) (70) sobre Práxis Etnográfica Profissional  do  Universitário  Brasileiro,  fundamentado  no  Quadro  de  Referência Bibliográfico/ Framework Conceitual (Desconstrutivismo Científico-Pedagógico), acima exposto, estando aberto para livre participação/ colaboração de interessados, com destaque para desenvolvimento/  co-orientação  de  Projetos  Acadêmicos  (Monografias/   Dissertações/   Teses/ Papers)!

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NOTAS:

01-) Práxis – http://pt.wikipedia.org/wiki/Práxis;

02-) Pedagogia do Oprimido – http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedagogia_do_Oprimido;

03-) Paulo Freire – http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire;

04-) Método Paulo Freire – http://pt.wikipedia.org/wiki/Método_Paulo_Freire;

05-) Philippe Perrenoud – http://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_Perrenoud;

06-) Biografia – Durmeval Trigueiro Mendes – www.durmevaltrigueiro.pro.br/biotexto.htm;

07-) Aristóteles – Wikipédia, a enciclopédia livre – http://pt.wikipedia.org/wiki/Aristóteles;

08-) Alexandre, o Grande – http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre,_o_Grande;

09-) Pedro II do Brasil – http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_do_Brasil;

10-) Benjamin Franklin – http://pt.wikipedia.org/wiki/Benjamin_Franklin;

11-) ABE- Associação Brasileira de Educação – Rio de Janeiro – http://www.abe1924.org.br/;

12-) Fernando de_Azevedo – http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_de_Azevedo;

13-) Anísio Teixeira – http://pt.wikipedia.org/wiki/Anísio_Teixeira;

14-) Lourenço Filho – http://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Filho;

15-) Eugênio Gudin – http://pt.wikipedia.org/wiki/Eugênio_Gudin;

16-) Otávio Gouveia de Bulhões – http://pt.wikipedia.org/wiki/Otávio_Gouveia_de_Bulhões;

17-) Gustavo Capanema – http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustavo_Capanema;

18-) CPDOC/FGV – Arquivos Históricos Pessoais – Gustavo Capanema e Eugenio Gudin – http://cpdoc.fgv.br/acervo/arquivospessoais;

19-) Harvard University – http://www.harvard.edu;

20-) Polêmica em torno da dialética – http://pt.wikipedia.org/wiki/Polêmica_em_torno_da_dialética;

21-) Roberto de Oliveira Campos – http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Campos;

22-) Josef Stalin – http://pt.wikipedia.org/wiki/Josef_Stalin;

23-) Georg Wilhelm Friedrich Hegel – http://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel;

24-) Otto von Bismarck – http://pt.wikipedia.org/wiki/Otto_von_Bismarck;

25-) Frederico_Guilherme_III – http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederico_Guilherme_III;

26-) Karl Marx – http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx;

27-) Caio Prado Júnior – http://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Prado_Júnior;

28-) Dialética – http://pt.wikipedia.org/wiki/Dialética;

29-) Mao Tsé Tung – http://pt.wikipedia.org/wiki/Mao_Tsé-Tung;

30-) Ludwig Feuerbach – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Feuerbach;

31-) Teses sobre Feuerbach – http://pt.wikipedia.org/wiki/Teses_sobre_Feuerbach;

32-) Ludwig Wittgenstein – http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Wittgenstein;

33-) Mein Kampf – http://pt.wikipedia.org/wiki/Mein_Kampf;

34-) Gottlob Frege – http://pt.wikipedia.org/wiki/Gottlob_Frege;

35-) Bertrand Russell – http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertrand_Russell;

36-) Círculo de Viena – http://pt.wikipedia.org/wiki/Círculo_de_Viena;

36-) Rosa de Luxemburgo – http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Luxemburgo;

37-) Bloomsbury Group – http://en.wikipedia.org/wiki/Bloomsbury_Group;

38-) Karl Liebknecht – http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Liebknecht;

40-) Escola de Frankfurt – http://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Frankfurt;

41-) Theodor W. Adorno – http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodor_W._Adorno;

42-) Jürgen Habermas – http://pt.wikipedia.org/wiki/Jürgen_Habermas;

43-) Filosofia Analítica – http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_analítica;

NOTAS

Págs. i/ii

44-) Karl Popper – http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper;

45-) Antonio Gramsci – http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci;

46-) Álvaro Vieira Pinto – http://pt.wikipedia.org/wiki/Álvaro_Vieira_Pinto;

47-) Florestan Fernandes – http://pt.wikipedia.org/wiki/Florestan_Fernandes;

48-) Rubem Alves – http://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves;

49-) Simon Schwartzman – http://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Schwartzman;

50-) Jurgen Habermas – Técnica e Ciência como Ideologia – Conciência Moral e Agir Comunicativo – Publicado por Vitor Vieira Vasconcelos – http://pt.scribd.com/doc/89903993/Jurgen-Habermas-Tecnica-e- Ciencia-como-Ideologia-Conciencia-Moral-e-Agir-Comunicativo;

51-) Alexander von Humboldt – http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_von_Humboldt;

52-) Teses sobre Feuerbach – histedbr – www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_fontes/acer_marx/tme_13.pdf;

53-) Bresser-Pereira Website – www.bresserpereira.org.br/;

54-) Roberto Pisani Marinho – http://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Marinho;

55-) Péricles – http://pt.wikipedia.org/wiki/Péricles;

56-) Júlio César – http://pt.wikipedia.org/wiki/Júlio_César;

57-) Revoluções burguesas – http://pt.wikipedia.org/wiki/Revoluções_burguesas;

58-) Bertolt Brecht – http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertolt_Brecht;

59-) Frases e Pensamentos de Bertolt Brecht (70 frases) – http://kdfrases.com/autor/bertolt-brecht (59)

60-) Nicolau Maquiavel – http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Maquiavel;

61-) Darcy Ribeiro – http://pt.wikipedia.org/wiki/Darcy_Ribeiro;

62-)Teoria_tridimensional do direito – http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_tridimensional_do_direito;

63-) Balanced_scorecard – http://pt.wikipedia.org/wiki/Balanced_scorecard;

64-) Relevance Lost: The Rise and Fall of Management Accounting Hardcover – March 1, 1991 – by H. Thomas Johnson  (Author),                                      Robert S. Kaplan  (Author) – http://www.amazon.com/Relevance-Lost-Rise- Management-Accounting/dp/0875842542;

65-) Reengenharia – http://pt.wikipedia.org/wiki/Reengenharia;

66-) Custeio baseado em atividades – http://pt.wikipedia.org/wiki/Custeio_baseado_em_atividades;

67-) EliyahuM. Goldratt – http://pt.wikipedia.org/wiki/Eliyahu_M._Goldratt;

68-) Teoria das restrições – http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_das_restrições;

69-) Revista de Economia Política – www.rep.org.br/;

70-) Estrella Espaço de Pesquisa – http://www.estrellapesquisa.com.br/;

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NOTAS

Págs. ii/ii

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UFRJ/ CEG – RESOLUÇÃO Nº 06 /2012 – Institui o Núcleo Docente Estruturante – NDE

– no âmbito dos Cursos de Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. OBS: ESTA RESOLUÇÃO SUBSTITUI A RESOLUÇÃO CEG 05/12 PUBLICADA NO BUFRJ Nº 43 DE 25 DE OUTUBRO DE 2012 DEVIDO A REPETIÇÃO DE NUMERAÇÃO.

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