UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

Tjerk Franken, o “Cientista” de Recursos Humanos: “A universidade se encastelou”

In Entrevistas on agosto 21, 2009 at 2:27 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Tjerk Franken: "A universidade olha para o seu próprio umbigo e busca ser o que quer, não o que a sociedade gostaria que ela fosse"

Tjerk Franken: "A universidade olha para o seu próprio umbigo e busca ser o que quer, não o que a sociedade gostaria que ela fosse"

“O conhecimento científico pode ser entendido, abstratamente, como um conjunto de conhecimentos ou dados cujo valor independeria dos homens que os produziram. No entanto, talvez o principal resultado desta pesquisa tenha sido a confirmação de que a ciência é, acima de tudo, o produto de uma comunidade de pessoas bem formadas, trabalhando com entusiasmo no ápice de sua inteligência e criatividade.

Esta definição dada por Simon Schwartzman no Projeto A História da Ciência no Brasil, desenvolvido em parceria da FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos e CPDOC/ FGV- Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil mostra a importância das pessoas e da motivação também no desenvolvimento da ciência, humanizando-a. Referido projeto teve como objetivo prioritário contribuir  para a definição de novas estratégias de fomento cientifico – tecnológico com base nas reflexões contidas no Acervo de Depoimentos de 69 cientistas brasileiros, entrevistados entre 1975 e 1978.

Pessoas e Motivação. Duas palavras fundamentais no vocabulário de um profissional. Presentes nos mais diversos livros e manuais de administração, não constituem mais novidade na área empresarial em geral e de recursos humanos em particular. São pilares básicos, indispensáveis para o sucesso de qualquer organização.

Adolfo Martins Penha, Afrânio do Amaral, Bernhard Gross, Carlos Chagas Filho, Cesare Lattes, Crodowaldo Pavan, Darcy Ribeiro, Friedrich Gustav Brieger, Herman Lent, Jose Goldemberg, Jose Leite Lopes, Jose Ribeiro do Valle, Manuel da Frota Moreira, Marcelo Damy de Souza Santos, Mario Schenberg, Mario Ulysses Vianna Dias, Mauricio da Rocha e Silva, Olimpio da Fonseca, Oscar Sala, Otto Bier, Paulo Duarte, Paulo Sawaya, Paulo Vanzolini, Roberto Salmeron, Sergio Porto, Sergio Rezende, Zeferino Vaz.

Todos, renomados cientistas brasileiros. Seus depoimentos fazem parte do Acervo gerado pelo Projeto História da Ciência no Brasil.  O que possuem em comum? Todos foram entrevistados por Tjerk Franken. No total: mais de 150 horas de gravação.  Entrevistar e ter contato com estas personalidades científicas é um privilegio e marcaria a vida de qualquer um. Levar esta bagagem de cientista social para o âmbito das organizações como executivo de recursos humanos, é mais raro ainda. Um diferencial.

“Foi um projeto fantástico, que me marcou muito. Eu saía das entrevistas muito impactado, com outra visão de mundo. Esta experiência ajudou-me, até mesmo, como profissional de recursos humanos” relembra Tjerk, que considera que o “espírito” pioneiro e empreendedor destes cientistas, está cada vez mais ausente das universidades, e que o contato dos universitários com o pensamento destes cientistas deveria ser estimulado.

Formado em Sociologia pela PUC do Rio, Tjerk cursou o mestrado em Ciência Política no IUPERJ-Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro, sem, no entanto, defender a tese. Possui MBA em Gestão do Conhecimento pelo CRIE- Centro de Referência em Inteligência Empresarial da COPPE/ UFRJ. Foi professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro e em seguida desenvolveu sua carreira na FINEP, Mesbla, Accenture e Globo.com. Hoje é consultor de empresas nas áreas de Recursos Humanos e Desenvolvimento Organizacional. Além disso é membro do Conselho de Administração da ABRH Nacional.

Nesta entrevista exclusiva, Tjerk relembra a sua rica experiência como historiador da ciência e, com seus diversos “olhares científicos”, analisa os desafios da integração universidade-empresa e da formação universitária. Para ele: “A universidade se encastelou”.

Com a palavra, o entrevistador, desta vez, entrevistado, Tjerk Franken: o “Cientista” de Recursos Humanos.

Tjerk FrankEINSTEIN. Após ouvir tantos cientistas, Tjerk quase ficou assim.

Tjerk FrankEINSTEIN. Após ouvir tantos cientistas, Tjerk quase ficou assim. (Será?)

Como você avalia a universidade no Brasil, e sua integração com as empresas?

Tjerk: A universidade no Brasil está voltada para o conhecimento científico, muito distante das reais necessidades do mundo empresarial. Está atrasada na formação de mão-de-obra com as características e os conhecimentos que a empresa precisa. Nós temos uma tradição muito livresca dentro da universidade. Tem áreas universitárias onde a pessoa acaba de se formar, faz o Mestrado, o Doutorado, sem nunca ter passado concretamente por uma organização, uma fábrica. Fica na universidade e transmite aos alunos o conhecimento que ele traz de livros e de pesquisa, não da prática, da vivência. A Universidade virou uma grande máquina burocrática de massa, uma fábrica de diplomas. Deveria voltar a refletir sobre as suas próprias raízes e missão.

Por que ocorre isso com a universidade?

Tjerk: Eu acho que a Universidade se encastelou. É insensível e rejeita a ingerência da sociedade sobre ela, como se isso fosse acabar com a autonomia universitária. É um absurdo porque a Universidade vive do dinheiro que a sociedade produz, e precisa prestar contas. Nos outros países, a sociedade diz para a Universidade os seus problemas a serem equacionados. Aqui, a universidade olha para o seu próprio umbigo e busca ser o que quer, não o que a sociedade gostaria que ela fosse.

Esta visão livresca ocorre em todas as formações?

Tjerk: Não, isto seria uma grosseira generalização. Existem áreas que são diferentes. Por exemplo, na área de medicina, os próprios médicos ensinam. Normalmente, possuem seus próprios consultórios, suas clínicas, seus equipamentos. Então, existe  uma certa ponte entre o conhecimento puramente científico e a sua aplicação, e transmitem isso para os alunos. Ele sabe fazer um diagnóstico, aplicar um tratamento, interpretar dados. Mas, mesmo ele, possui pouca noção sobre o funcionamento de um hospital, da parte administrativa, financeira, dos seus desafios gerenciais. Na universidade, o profissional não é treinado para que o seu conhecimento seja o mais produtivo possível dentro de uma dinâmica organizacional.

Como aproximar o mundo acadêmico do empresarial?

Tjerk: Nós trabalhamos na empresa com o conceito de ‘competência’, que se compõe de três elementos: 1- CONHECIMENTO, que é o que eu sei; 2- HABILIDADE, o que eu sei fazer com o que eu sei; 3- ATITUDE- o comportamento necessário que eu preciso ter para produzir um resultado concreto, palpável. É onde estão os fatores motivacionais. A universidade enfatiza muito mais o conhecimento em si e, muito menos as habilidades. A universidade deveria estimular, desde já, algumas dimensões comportamentais, como trabalho em equipe, visão estratégica, gestão de projetos, comunicação, entre outras. Ainda somos muito centrados no trabalho individual. Mas, além disso, a universidade tem que se abrir para o diálogo com o mundo empresarial, o que inclui discutir prioridades de investimento, perfis dos profissionais a serem formados, agendas de pesquisa etc.

Zeferino Vaz, criador da UNICAMP. Para Tjerk, uma concepção inovadora de universidade e de interação com a sociedade

Zeferino Vaz, criador da UNICAMP. Para Tjerk, uma concepção inovadora de universidade e de interação com a sociedade

Qual o principal papel da universidade?

Tjerk: Cláudio de Moura Castro, tempos atrás, me chamou a atenção para o fato de que nem toda universidade precisa produzir Ciência. Um grande papel da universidade é, realmente, formar mão-de-obra de alto nível para a sociedade. Ela não precisa fazer isso produzindo Ciência, mas sim a decodificando para que os alunos possam utilizá-la no seu dia-a-dia profissional, quando saírem da universidade. Então, temos dois papéis na universidade: 1- um grupo menor, que se dedica à produção científica; 2- um grupo bem maior, que são as escolas de formação profissional, que precisam ter excelência na aplicação do conhecimento.

Por que esta deficiência em aplicar o conhecimento?

Tjerk: Nós temos uma herança que eu chamo da “Maldição da Casa Grande e Senzala”. A nossa elite sempre achou que o seu problema era o conhecimento e não a aplicação do conhecimento aos problemas práticos. Tudo que era trabalho manual, propriamente produtivo, era feito pelas classes de baixo. Quanto mais você pertencia à elite, menos você ‘sujava as mãos’, menos você se preocupava com problemas concretos da vida. Nós não temos esse lado mais prático do anglo-saxão, de pegar um problema e tentar resolvê-lo, teorizamos muito. Além disso, o lucro na nossa herança cultural é visto como pecado, e por isso também a atividade empresarial era sempre vista como uma atividade menor, menos nobre. O ideal era ser dono de terras e ter muito dinheiro para não precisar trabalhar nunca. Os nossos Institutos de Tecnologia são muito pobres em comparação com os grandes Laboratórios de Tecnologia estrangeiros que produzem conhecimento aplicado aos grandes problemas concretos como: produção de medicamentos, construções, máquinas etc. Essa tendência de ficar no nível da teoria, se reflete na nossa posição no ‘ranking’ internacional de produção científica. Pelo que sei, em  publicações científicas estamos relativamente bem, mas quanto ao que diz respeito à  produção de patentes, estamos abaixo da crítica. Esta marca da Casa Grande e Senzala ainda é muito forte no Brasil.

O que se espera de um universitário?

Tjerk: Capacidade de pensar, de decompor os problemas, de ir para as causas, de ter disciplina no raciocínio.  Espera-se que ele tenha autonomia de pensamento, que ele produza a sua própria receita para resolver os problemas.

Qual a importância do método na formação universitária?

Tjerk: O método implica num profundo conhecimento numérico, quantitativo, das relações causais (geralmente complexas), dos problemas concretos da sociedade. Normalmente as soluções são superficiais porque se investe pouco tempo em analisar e identificar o real problema e suas implicações. Temos a resposta antes de ter a pergunta. No entanto, cada vez mais, temos empresas de conhecimento que em todos os níveis hierárquicos, demandam pessoas capazes de pensar, autonomamente, o problema. Para isso é necessário método e autonomia de pensamento. Eu não vejo a nossa Universidade nesta linha. É impressionante como nossos alunos querem tudo pronto, mastigado, onde eles, simplesmente, repetem o que está escrito, citando diversos autores, mas sem darem sua contribuição pessoal. Não há quebra de paradigma, método, pensamento sistêmico, inovação.

A ALUNA do Tjerk. Para ele o professor tem que "plantar minhocas" na cabeça dos alunos

A ALUNA do Tjerk. Para ele o professor tem que "plantar minhocas" na cabeça dos alunos

Como superar este comodismo dos alunos?

Tjerk: Mas é comodismo dos alunos? Os próprios professores universitários deveriam tomar para si esse papel de ir além da pura tecnicalidade do que eles estão ensinando. Eles precisam “plantar minhoca” na cabeça dos alunos. Deixá-los inquietos, questionando, com dúvidas. Estimular a ir fundo nos conceitos, e se envolver com o mundo em que eles vivem.

O BID ao investir na USP, adotou como critério de avaliação, o impacto profissional dos formandos. Qual a sua visão sobre isso?

Tjerk: É positivo. A Universidade, em algum momento, também tem que prestar contas e avaliar como esse dinheiro investido volta em termos de aumento de produtividade na sociedade. Mas até a palavra avaliação parece que virou palavrão. Por parte da maioria dos professores há aparentemente grande resistência. Isto vai na contramão da história.  Hoje tem toda uma preocupação nas empresas, de dimensionar o retorno sobre o investimento, em relação aos gastos com desenvolvimento, treinamento e capacitação. Avaliação é importante para a universidade, principalmente as públicas, que são mantidas pelos impostos que nós cidadãos pagamos.

Há uma deficiência no ensino médio brasileiro que dificulta uma maior integração com as universidades?

Tjerk: Isso é meia-verdade. Claro: se você já recebe uma mão-de-obra mal formada, o resultado final, normalmente, não é bom. Mas, se você submete o aluno que entra na universidade a um regime intensivo de recuperação, ele rapidamente pode ganhar qualidade e superar esta deficiência do ensino médio. Bastava serem feitos planos especiais nas universidades para superar esta deficiência de formação inicial.

Deveria existir maior integração entre graduação e pós graduação?

Tjerk: Obviamente. É bom que exista uma ponte, mas a Pós-Graduação tem que ter uma certa autonomia, porque ela é uma outra etapa da produção de conhecimento. No Brasil acontece o seguinte: a Escola Média tenta corrigir as deficiências da Escola Primária, a Universidade tenta corrigir as deficiências da Escola Média e a Pós-Graduação tenta corrigir as falhas de formação universitária. Isso é péssimo. Com isso, a qualidade da Pós-Graduação cai e ela deixa de cumprir o seu principal papel que é o de produzir conhecimento avançado.

A herança do Casa Grande e Senzala é uma das principais causas da integração teoria-prática para Tjerk

A herança do Casa Grande e Senzala é uma das principais causas da integração teoria-prática no Brasil para Tjerk

O Plano Diretor da UFRJ 2020 propõe a concentração de todos os cursos de graduação no campus da Ilha do Fundão. Qual a sua visão sobre isso?

Tjerk: Eu acredito muito no modelo universitário fisicamente integrado. Eu acho que o ambiente universitário só se cria quando você tem proximidade física, tem debate, tem informalidade de encontro, até de tomar cerveja, de conversar, ter um convívio acadêmico. Você vai para a Universidade de Stanford, tem aquele parque bonito, aqueles prédios funcionais, bem conservados e equipados, ali circula gente, andam de bicicleta, tem coral, tem os laboratórios de pesquisa, você encontra os seus amigos de outras formações universitárias, bate papo. Enfim, esse clima universitário se beneficia muito com o campus integrado.

Qual a sua avaliação sobre uma formação universitária mais multidisciplinar?

Tjerk: Acho essa questão multidisciplinar um pouco falsa, mal colocada. Ser multidisciplinar no sentido de obrigar o aluno a estudar assuntos que não mantém uma relação direta com o que interessa para ele ser um excelente profissional não acho útil. Por outro lado um bom profissional tem que ter curiosidade intelectual, tem que mergulhar fundo naquilo que não conhece, mas que quer entender. Isso é essencial. Esse desejo de ir além das aparências, do imediato, das fórmulas prontas e começar a pensar no real sentido das coisas. Pensar sistemicamente, entender como os diferentes campos do conhecimento se relacionam e são interdependentes é fundamental. Isto falta à formação universitária hoje. Eu costumo incentivar nas minhas palestras e aulas para irem além do senso comum. Lerem um bom livro, um bom romance, assistirem a um bom filme, fazerem curso de filosofia. Não ficarem restritos ao jogo de futebol e aos programas de auditório.  Por isso acho que é muito mais essa atitude que a gente precisava recuperar na universidade, essa atitude mais reflexiva, de pensar fora da caixinha.

Como a formação universitária multidisciplinar seria visto pelas empresas?

Tjerk: A empresa valoriza o profissional que, além da excelência técnica, tem visão estratégica, está a par do que acontece no mundo e o impacto sobre a organização e seus negócios, entende e lida bem com a complexidade do ser humano etc. A multidisciplinaridade, obviamente, ajuda a ter mais visão de conjunto, a ver como é que as peças da engrenagem funcionam e se integra no todo, e não ficar olhando exclusivamente pela ótica da sua especialidade. Isso, em qualquer profissão, é positivo.

Para Tjerk o projeto de um campus fisicamente integrado facilita a interação acadêmica entre as diferentes áreas do conhecimento

Para Tjerk o projeto de um campus fisicamente integrado facilita a interação acadêmica entre as diferentes áreas do conhecimento

Qual a sua visão sobre a oferta de MBA para todos os cursos de graduação?

Tjerk: Não vejo sentido nisso. O MBA surgiu para complementar a formação dos profissionais dentro das organizações que precisavam começar a assumir responsabilidades de gestão, a atuar como executivos. Mas nem todos têm vocação para ser gestor, muito menos para ser líder. As pessoas podem aprender muito nos livros, mas ser executivo e principalmente ser líder se aprende na prática,fazendo. Só se pode avaliar o potencial para o exercício de funções executivas, exercendo-as na prática. Só se forma um líder, dando a ele missões cada vez mais complexas, para que ele possa se testar e ver até onde ele vai. O ideal seria que só fizesse o MBA pessoas que estivessem dentro da empresa, praticando aquilo que aprendeu no dia-a-dia. Claro que cada segmento da sociedade tem especificidades gerenciais e desafios executivos: uma coisa é a gestão de universidades, outra é gestão de siderurgias, de hospitais, de empresas de tecnologia da informação etc. Neste sentido MBAs com foco em segmentos específicos fazem sentido.

Liderança se aprende?

Tjerk: Isso é uma discussão interminável e sem conclusão. Tem gente que diz que liderança se aprende, tem gente que diz que você nasce líder. Para mim, o verdadeiro líder tem que ter uma vocação inata. Se você não tiver essa base inata, você pode aprender o que quiser que, dificilmente, será um grande líder. E não há nenhuma vergonha nisso.  Se todo mundo fosse um grande líder, seria um caos. Mas isso é uma coisa. Outra é passar a dominar determinadas competências que os líderes também possuem em grau maior ou menor: transmitir visão, alinhar ações, inspirar e motivar pessoas, comunicar, colocar desafios etc. Isto tudo, um bom gerente tem que ter, mas não necessariamente o transforma num grande líder.

Qual a importância de participar de um projeto como A História da Ciência no Brasil?

Tjerk: Isso aí foi um projeto fantástico. Foi um dos projetos mais bonitos de que eu já participei. Fiz com imenso prazer e me marcou muito. Essas figuras são multifacéticas, não se dedicam obsessivamente a uma coisa só, e não se satisfaziam com as coisas superficiais. Eu saía da entrevista muito impactado, com outra visão de mundo. Eram personalidades muito fortes e com idéias muito próprias. Tinham um projeto na cabeça e lutavam por ele. Hoje na minha opinião falta esse espírito na universidade. De certa forma, esta experiência me ajudou até mesmo como profissional de RH. Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa e fascinada pelas coisas. Ter contato com estes cientistas foi realmente marcante.

Carlos Chagas Filho, criador do Instituto de Biofísica da UFRJ. Conciliou atividade acadêmica e científica com a executiva e empreendedora. Para Tjerk, um grande exemplo.

Carlos Chagas Filho, criador do Instituto de Biofísica da UFRJ, conciliou a atividade acadêmica e científica com a executiva e empreendedora. Para Tjerk, um grande exemplo.

Carlos Chagas Filho e Zeferino Vaz, ambos entrevistados por você, são duas grandes referências em minha formação. Que exemplos podemos tirar deles?

Tjerk: Ambos foram grandes Institution Builders. Conciliaram a atividade acadêmica e científica com a executiva e empreendedora. Tinham um ou talvez vários sonhos. E para realizá-los não mediram esforços, eram destemidos. Além de grandes cientistas, foram grandes empreendedores. Usaram suas redes de influência, inclusive na esfera política, para construir duas grandes referências científicas no Brasil e no mundo. Carlos Chagas Filho criou o Instituto de Biofísica da UFRJ, que renovou a maneira de se fazer ciência no Brasil e formou uma elite científica brasileira de primeira linha. E o Zeferino Vaz, que criou a UNICAMP, uma concepção absolutamente inovadora de universidade e de seu relacionamento com a sociedade e seus problemas. Claro que não fizeram isso sozinhos. Pelo contrário,  foram capazes de atrair para os seus projetos um time invejável de talentos, e a isso se deve grande parte do sucesso. São duas personalidades marcantes. Deveria ser estimulado o contato dos estudantes com o pensamento destes e de outros cientistas. Enriquece a visão de mundo.

No Livro Fantasia Organizada, biografia do Celso Furtado, Eugenio Gudin sugere que Furtado deveria ser romancista e não economista. Qual a sua visão sobre isso?

Tjerk: Eu acho que a realidade comporta ambas as coisas. O que seria o Brasil sem Furtado ou sem Gudin? Em minha opinião, mais que um Economista, Celso Furtado foi ideólogo. Gudin, certamente, era mais cientista, no sentido de ir para os dados, para as relações causais, entender o intricado mecanismo do governo e da economia. Furtado tinha um desejo de justiça, de erradicação das desigualdades, de desenvolvimento, de mudança que era mais forte do que  sua vocação para a pesquisa científica. Mas estou me metendo em seara alheia, em assuntos de que não entendo. E não existe atitude mais anti-científica do que essa.

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Assistam ao filme “Um Homem de Moral” Documentário sobre o cientista Paulo Vanzolini

Ciência, Música e Arte: Paulo Vanzolini (entrevistado pelo Tjerk), idealizador da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), ativo colaborador no Museu de Zoologia da USP e um dos principais zoólogos mundiais. Além disso, grande compositor da Música Popular Brasileira.” Ronda ” e “Volta por Cima” são suas composições.

O filme já saiu de cartaz nos cinemas

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