UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

“Dom” Joaquim Lauria, Presidente do Grupo LET RH: “Não faltam empregos, mas sim qualificação profissional”

In Entrevistas on agosto 11, 2009 at 6:09 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ


Joaquim Lauria, Presidente do Grupo LET RH: "Acho fantástica essa sua formação híbrida em Administração de Empresas e Comunicação"

The Godfather. Joaquim Lauria, Presidente do Grupo LET RH: "Acho fantástica essa formação híbrida em Administração de Empresas e Comunicação"

Diretor Presidente do Grupo LET Recursos Humanos, que atua em segmentos como recrutamento e seleção, mão de obra temporária, busca de novos talentos, executive search, check up profissional e treinamento, Joaquim Lauria, graduado em Arquitetura e Administração de Empresas, com pós graduação em Engenharia Econômica pela UFRJ, Recursos Humanos pela PUC Rio e Marketing pela Fundação Getúlio Vargas possui uma trajetória profissional de sucesso de quase 40 anos na área de Recursos Humanos.

Começou sua carreira na GGS Indústrias Gráficas em O&M (Organização e Métodos), passando, logo após essa primeira experiência, para a área de Recursos Humanos. Identificou-se e fez uma carreira vitoriosa. Trabalhou na CCPL, empresa de laticínios; no Banco Boavista, na Rioquima, no SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), Natrom, empresa do ramo de engenharia; e Soletur, acumulando experiência e conhecimento até tornar-se um empreendedor e criar o Grupo LET (inicialmente LET Consultoria Empresarial) no ano de 2000.

Desde a sua criação o Grupo LET cresceu sempre 100% ao ano, tanto em atendimento, quanto em corpo funcional e números de faturamento, passando a ser considerada uma empresa de grande porte nos setores de terceirização e disponibilização de mão de obra temporária. Inicialmente, Joaquim prospectava pessoalmente todos os seus clientes. A sua habilidade para o ofício é inquestionável. “Todo santo dia procuro cumprir as minhas metas; sou ambicioso, porque sem ambição não chegamos a lugar nenhum” revela o vascaíno Lauria em depoimento.

Hoje o Grupo conta com um leque de clientes como: Ambev, Agora Corretora (veja entrevista feita com o seu diretor Álvaro Bandeira), Rede Globo de Televisão, TIM, ITAÚ, Petrobras, GSK, entre outros. Com uma equipe de profissionais, dividida em seus escritórios do Rio de Janeiro (matriz), São Paulo e Curitiba (filiais) o grupo possui também como negócios, dentre outros, a KL Produções e Eventos, com o objetivo de organizar, apoiar e promover peças de teatro, oficina de atores e atrizes, shows e eventos; e o Instituto Capacitare (Junto com a Leyla Nascimento, Presidente da ABRH), que busca ser um elo de ligação entre estudantes, instituições de ensino e mercado de trabalho.

Diante de tal trajetória, não há quem não conheça nas empresas e entre os profissionais de recursos humanos a sigla LET e Lauria. Guarda, inclusive, certa similaridade com os grupos mafiosos italianos, cuja personificação em Dom Vito Corleone (Marlon Brando), personagem principal do filme de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão é marcante. Nas máfias italianas fala-se sobre assaltos, crimes, corrupção. Nos grupos dos mafiosos de recursos humanos é diferente. Fala-se em busca de talentos, capacitação profissional, qualificação.  Aqui o mãos ao alto também é para pedir a carteira, porém, a de trabalho. Os assaltantes são os recrutadores. As suas armas: os testes psicológicos, a dinâmica de grupo, as entrevistas.

Poderoso Chefão que se preze tem que estar preocupado com a sucessão. Para isso, Joaquim conta com a nova geração LET, seu filhos Kryssiam e Tatynne Lauria (Completam a trilogia do filme O Poderoso Chefão), que o acompanham e aprendem diariamente novas habilidades para sucedê-lo.

Nesta entrevista exclusiva, concedida em duas partes: na sede do Grupo LET na Barra da Tijuca e no Congresso da ABRH Rio: Além do Ocidente e do Oriente é possível conhecer um pouco mais o perfil de Joaquim e de seus discípulos Kryssiam e Tatynne Lauria. Aqui, Godfather, Godfather 2 e Godfather Girl.

Como aproximar teoria e prática nas universidades?

J. Lauria: É muito comum os alunos saírem da universidade com um plano didático maravilhoso na cabeça, mas sem saber o caminho para colocá-lo em prática. Se os professores já atuaram no lado profissional, ele conhece tanto o lado das demandas empresariais, quanto do lado acadêmico. Ao conhecer o outro lado, tem maior facilidade na hora de explicar e passar os conceitos para os alunos.  Por exemplo, ao explicar como montar um planejamento estratégico de uma organização, ou estruturar um projeto financeiro, ou qualquer outra atividade, ao ter vivenciado na prática o assunto, a facilidade de transmissão é muito maior. Isto é bom para professores e alunos. Nesse sentido, as universidades públicas estão atrás, em relação às privadas. Os professores deveriam vivenciar mais os problemas das empresas.

Qual o principal papel da universidade?

J.Lauria: A universidade tem que fortalecer a base do aluno, principalmente, no primeiro ano. E no final, além de continuar estimulando a pesquisa, imprescindível, e mais do que necessária hoje, aproximá-lo da realidade do mercado de trabalho. Eu não seria absolutamente nada sem a minha formação acadêmica, mas os currículos escolares hoje são muito grandes e extensos para o mundo moderno. Estuda-se por quatro, cinco anos e, muitas vezes, ao final, parte do aprendido está obsoleto, tendo que ser reatualizado. Os avanços tecnológicos ocorrem numa velocidade enorme.  Todo dia temos algum conhecimento novo a ser aprendido. Ter capacidade de aprender a aprender que é fundamental.

O que poderia melhorar pelas empresas?

J.Lauria: As empresas e os governos poderiam ceder mais o seu material conceitual e humano para ajudar as faculdades na formação de pessoas. Por exemplo: a Petrobras tem a sua fundação para formação interna. Capacita profissionais, principalmente engenheiros, para a área de petróleo. Se, além disso, estimulasse essa formação dentro da própria universidade, cedendo esse conhecimento, poderia ser extremamente benéfico. O formando já teria algum conhecimento sobre petróleo, não iniciaria do zero. Veja, por exemplo, a área de logística. Hoje, diferentemente do passado, é extremamente procurada, e há ausência de pessoas qualificadas. Há os cursos de extensão universitária, mas os profissionais do setor é que tem mostrado o dia-dia da função para formar este profissional. A inércia da universidade é muito grande.

Formação universitária multidisciplinar é cada vez mais importante?

J.Lauria: É fundamental. Eu, por exemplo, dificilmente leio um livro inteiro de uma vez só.  Leio dois livros de assuntos completamente distintos juntos, um capítulo de cada um, e consigo interagi-los. Um livro técnico junto com um romance se integra perfeitamente na minha cabeça.  Por exemplo: um engenheiro que tivesse oportunidade de paralelamente estudar economia ou qualquer outra área que adicionasse aos seus conhecimentos, terá uma mente muito mais aberta, muito mais factível para receber informações. Ter a oportunidade de conjugar e interpretar essas informações multidisciplinarmente é um grande avanço. As empresas estão necessitando cada vez mais de profissionais deste tipo.

Tatynne Lauria (cachecol azul) e Talita, coordenadora de Mkt e Comunicação da ABRH-RJ, no Congresso RH-Rio 2009: Além do Ocidente e Oriente. Apesar de atriz e jornalista de formação, a filha traz nas veias habilidades de empresária e executiva

The Godfather Girl. Tatynne Lauria (cachecol azul) e Talita, coordenadora de Mkt e Comunicação da ABRH-RJ, no Congresso RH-Rio 2009: Além do Ocidente e Oriente. Apesar de atriz e jornalista de formação, Tatynne traz no sangue habilidades de empresária e executiva

O Plano Diretor da UFRJ 2020 propõe a concentração de todos os cursos na Ilha do Fundão.  Qual a sua visão sobre isso?

J.Lauria: Muito positiva. Eu acho fantástica essa integração dentro do mesmo campus. Isso existe no mundo inteiro e eu acho que é um projeto que já podia estar pronto. Pena estar previsto somente para 2020. Buscar uma maior integração entre as diversas áreas do conhecimento é fundamental. A localização num mesmo campus poderá facilitar a locomoção dos alunos e a interação.

Qual a importância do trabalho temporário?

J.Lauria: O trabalho temporário é importante tanto para o funcionário que tem a oportunidade de aprender algo a mais, de mostrar na prática o que ele sabe fazer, de conhecer, selecionar e definir com mais critérios a empresa que vai trabalhar; quanto para a empresa que tem oportunidade de avaliá-lo em ação. As organizações incorporam em sua estrutura muitos destes trabalhadores temporários. Os dois lados ganham, é extremamente útil.

O que acha em oferecer visão de gestão/MBA para alunos de todos os cursos de graduação?

J.Lauria: A proposta é fantástica, mas não é fácil de concretizá-la. O sistema educacional no Brasil ainda é muito segmentado, dificultando essa interação. Hoje, termina-se a graduação para depois fazer o MBA. Se fosse feito de forma paralela à formação universitária seria uma vantagem, poderia ajudar.   Por exemplo: um nutricionista, ou um músico, que além de ser um especialista na sua função, possua visão gerencial é um diferencial. Claro que o grau de um maior ou menor sucesso dependerá do perfil de cada um, além de variar entre as organizações. Não há uma receita.

Cuidado com a "Máfia" do Grupo LET! Se você for um talento poderá ser sequestrado (recrutado)

Cuidado com a "Máfia" do Grupo LET! Se você for um talento poderá ser sequestrado (recrutado)

É cada vez mais necessária uma formação generalista?

J.Lauria: Acho que sim. O mundo de hoje não convém mais a especialidade. A pessoa tem que conhecer de tudo.  A própria área de recursos humanos no passado era completamente estanque, você tinha área de cargos e salários, assistente social, departamento de pessoal. Hoje é cada vez mais estratégica e integrada a todas as áreas empresariais.

Como antecipar a formação de novas lideranças executivas?

J.Lauria: Para chegar a CEO de uma empresa tem que conhecer profundamente a organização, passar pelo menos por 30/40 % dos seus postos. As empresas tentam cada vez mais abreviar o processo dos seus CEO’s. Nos Estados Unidos, por exemplo, hoje estão trazendo de volta aposentados que tem uma bagagem interna da organização muito grande e colocando-os como Staff/ coaching de jovens executivos. É um processo caro, mas há muitas organizações fazendo isso hoje. Para um grupo seleto isto é possível.

Liderança é aprendida?

J.Lauria: É passível de ser aprendida, mas quem já possui características inatas para liderança é muito mais fácil de desenvolver. Líderes natos são identificados numa breve conversa e dinâmica, possuem habilidades marcantes.

Qual a importância da dinâmica de grupo na avaliação comportamental?

J.Lauria: É fundamental. Estar trancado com uma pessoa numa sala conversando, é diferente de estar com dez, muda todo o ambiente de trabalho. Acho tão eficaz, que até em recrutamento de executivos (headhunter), que tem todo um lado confidencial, já realizei. Permite, em pouco tempo, avaliar melhor o potencial e as habilidades do candidato. Os testes psicológicos e comportamentais servem, apenas, como orientação. Uma boa dinâmica de grupo e entrevista é fundamental.

O Poderoso Chefão 2. Kryssian Lauria é nova geração do Grupo LET. A sua experiência em organização de festas e eventos contribuiu para que  desenvolvesse habilidades para lidar com o público

The Godfather 2. Kryssiam Lauria é nova geração do Grupo LET. A sua experiência em organização de festas e eventos contribuiu para que desenvolvesse habilidades para lidar com o público

Qual a importância do estágio na formação?

J.Lauria: Estagiar em organizações agrega valor, tanto profissionalmente, quanto academicamente. Muitas empresas não sabem aproveitar os estagiários, interpretando-os como mão de obra barata, infelizmente. As empresas ainda trabalham mal a competência dos seus funcionários. Poderiam ser mais soltas, daria um retorno para as organizações muito maior. O Luis Carlos Campos, já falecido, que foi presidente da ABRH nacional, lutou a vida inteira pela obrigatoriedade dos estágios nas empresas. É uma atividade de fundamental importância na formação. Aproxima o mundo acadêmico do das organizações.

Como avalia esta minha formação hibrida em Administração de Empresas e Comunicação/ Jornalismo?

J.Lauria: Acho fantástica. Você está generalizando o seu conhecimento ao unir administração, que já é uma área ampla, com comunicação. Quem dera que todo mundo conseguisse fazer isso. Qualquer tipo de cruzamento de formações, seja qual for, é somatório. Dificilmente uma empresa terá uma área específica com um cruzamento dessas áreas de comunicação e gestão, geralmente, são áreas que não se falam no seu dia-a-dia. Teria que ser feito estágio nas duas áreas separadas. Mas visão multifuncional é o que as empresas buscam cada vez mais.

Quais são as principais dificuldades encontradas hoje em recrutamento?

J.Lauria: Falta de qualificação profissional. Nunca faltou empregos, existe sim, gente despreparada para os cargos. No Grupo LET eu devo ter hoje umas cento e trinta vagas abertas, com dificuldade de fechar. Qualquer grande empresa tem sempre vaga em aberto. No ramo da tecnologia, nem se fala, há carência de mão de obra em escala global. A formação não acompanha a velocidade das alterações tecnológicas.

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O Treinamento de uma Godfather Girl

Desde criança exerça os seus direitos

Lições: Tamanho não é documento. Trate todos da mesma forma. Prefira Pepsi a Coca.

Godfather costuma ter bom gosto

Recordar é Viver.


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