UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

A Trajetória do APÓSTOLO SÃO Ronaldo Nogueira e as suas EPÍSTOLAS no Reino de Relações com Investidores

In Entrevistas on agosto 6, 2009 at 12:08 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

O Apóstolo Ronaldo Nogueira, diretor da IMF, lendo a sua principal Epístola: a Revista RI

O Apóstolo dos RI's, Ronaldo Nogueira, diretor da editora IMF, lendo a sua principal Epístola, a Revista RI. "As empresas brasileiras precisam ser educadas em RI, a visão de Relações com Investidores é importante para qualquer profissional"

Os apóstolos cristãos foram homens judeus que teriam sido “enviados” por Jesus para pregar o Evangelho em todo o mundo, sendo responsáveis pela influência e a importância histórica que a religião assumiu. Paulo de Tarso, mais conhecido como São Paulo, é considerado, por muitos, como o principal discípulo e difusor das idéias de Jesus. As suas Epístolas formam uma secção fundamental do Novo Testamento.

Preferências religiosas a parte, se fossemos fazer uma metáfora com a difusão da atividade de Relações com Investidores no Brasil, poderíamos considerar Ronaldo Nogueira, o São Paulo, a revista de RI a sua Epístola e os livros de Willian Mahoney Manual do RI – Princípios e Melhores Práticas de Relações com Investidores e Relações com Investidores- O Guia dos Profissionais para Marketing Financeiro e Comunicação a bíblia? Vejamos a sua trajetória e tiremos nossas conclusões.

Como tudo começou

Formado em Economia pela UFRJ- Universidade Federal do Rio de Janeiro, quando o curso ainda funcionava na Marques de Olinda em Botafogo, antes de ser transferido para  a Urca, no Campus da Praia Vermelha, Nogueira foi aluno de grandes referências do pensamento econômico brasileiro como:Eugenio Gudin, Roberto Campos e Octavio Gouvêa de Bulhões.  Além de ter sido colega dos também alunos, hoje professores titulares, Carlos Lessa, ex-reitor da UFRJ e Presidente do BNDES e Maria da Conceição Tavares. Teve uma formação privilegiada.

São Paulo, o Apóstolo dos Gentios escrevendo as suas Epístolas. "“Fiz questão de anunciar o evangelho onde o nome de Cristo ainda não havia sido anunciado” (Romanos 15,20).

São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, escrevendo as suas Epístolas. "“Fiz questão de anunciar o evangelho onde o nome de Cristo ainda não havia sido anunciado” (Romanos 15,20).

Desde estudante, Ronaldo demonstrava interesse pela área financeira e de mercado de capitais, prospectando trabalho sempre nesse setor.  A sua primeira experiência profissional foi como corretor da bolsa, que na época, funcionava como regime feudal. Para atuar tinha que ter o símbolo de preposto. Negociou com um corretor que não tinha sucessores, participação nos negócios, conseguindo a sua nomeação como corretor preposto. A forma como funcionava a bolsa, incomodava-o: “Era uma bagunça, tinha sujeito que no pregão declarava: Vendo apartamento”, relembra Nogueira.

Titio Bulhões

Mudanças eram necessárias.  Inconformado, junto com um amigo, ligou para o Ministro da Fazenda Octavio Gouvêa de Bulhões, que chamava de “tio”, pois era parente da família de sua mulher, explicando a situação, que, sensível ao assunto, convidou-o para jantar. Após o encontro, Bulhões pediu para que Ronaldo escrevesse um relatório com todas as propostas e idéias que haviam discutido. O seu espírito de Relações com Investidores começava a aparecer.

Durante 15 dias ficou estudando e preparando o relatório para entregar ao Ministro, que só deu a devida importância após uma “alfinetada” da tia (a tia do Bulhões era avó da mulher do Ronaldo), que morava no mesmo prédio do Bulhões, na Avenida Atlântica, próximo ao Posto 6 (que vista maravilhosa!) e tinha muito contato com o Nogueira, pois adorava os seus bisnetos, dentre eles, o conhecido Diretor Editorial da Revista RI, Ronnie Nogueira (Gu-gu-da-da! Que neném bonitinho!)  e ia sempre vê-los.

Numa das visitas, ao perguntar sobre o retorno obtido com o relatório entregue, Ronaldo respondeu: “Até agora, não tive nenhum retorno, mas só se ele tiver muito peito e coragem é que irá fazer o que eu sugeri”, desafiou. Ao receber este recado, na mesma hora, o Ministro leu o documento, que tinha engavetado, e determinou que fosse criado um grupo de trabalho para realizar um estudo. O rascunho deste relatório, escrito em mãos, em folhas de caderno, é guardado até hoje por Ronaldo Nogueira, na biblioteca de seu escritório (É um documento histórico. Companheiros, contribuam na pressão para que o tornemos público!).

Gugu-Dadá: Ronnie Nogueira, Diretor Editorial da Revista RI, um neném fofo, contribuiu para a Lei de Mercado de Capitais Lei 4.728

Gugu-Dadá: Ronnie Nogueira, Diretor Editorial da Revista RI, um neném fofo, contribuiu para a primeira Lei de Mercado de Capitais, Lei 4.728

Participaram do grupo de trabalho, além do próprio Ronaldo Nogueira, Ney Souza Ribeiro Carvalho (Bolsa de Valores do Rio), Ernesto Barbosa Tomanik (Bolsa de Valores de São Paulo), Denio Chagas Nogueira (SUMOC), Ary Waddington (preposto do corretor Henrique Guedes de Mello), Pedro Leitão da Cunha (diretor de companhia de investimentos), José Cavalcanti Neves (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional), Sérgio Augusto Ribeiro (Caixa de Amortização) e Norman Poser (representante da NYSE). O trabalho realizado foi a base para a criação da Lei nº 4.728, a Lei do Mercado de Capitais, de 14 de julho de 1965, que disciplinava o mercado de capitais e estabelecia medidas para o seu desenvolvimento.

De vilão a herói da bolsa

O estudo foi visto muito positivamente pelos demais ministros, que resolveram publicá-lo no jornal, como numa novela, parte a parte do estudo. No último capítulo, saía publicado o nome dos participantes. A proposta era de colocar “ordem na casa” e acabar com toda a “mordomia” da bolsa de valores. Ronaldo lembra que quando chegou no dia seguinte ao seu escritório na bolsa, tinha sobre a sua mesa, uma carta como se ele estivesse pedindo demissão (como preposto não podia ser demitido) para ser assinada. Esta carta chegou ao conhecimento do Ministro, que repreendeu imediatamente o Presidente da Bolsa (Ney Carvalho) dizendo que não admitia pressão ao seu grupo de trabalho.

Apesar disso, Ronaldo passou a ser considerado Persona Non Grata na bolsa e, sem nunca ter assinado a carta de demissão, afastou-se por um breve período, no qual trabalhou na Casa de Amortização, e foi para a Universidade de Nova York fazer um curso sobre Mercado de Capitais de um ano, patrocinado pela USAID e financiado, em parte, pelo BNDES, onde teve oportunidade de vivenciar uma estrutura mais séria e profissional de mercado, além de ter sido aluno de Edward Demming, criador do conceito de qualidade total.

A Biblia do Reino de RI

A primeira BÍBLIA do Reino de RI

Fizeram também este curso o Júlio César Belisário Vianna e Ricardo Marques, que, assim como Nogueira, participaram posteriormente da fundação da ABAMEC (Ronaldo Nogueira é o membro de número 4). Quando voltou ao Brasil, o estudo já tinha se transformado em lei. De vilão da bolsa, passou a ser visto como herói. Continuou atuando como corretor, trabalhando, dentre outras, na corretora Ney Carvalho e na Marcelo Leite Barbosa, considerada a Merril Lynch brasileira.

O Globetrotter

Na Bolsa de Valores do Rio, era responsável pela organização de eventos. Promoveu diversos seminários pioneiros na época, sobre: Bolsa de Mercadorias e Futuros, Fundos de Investimento, Bancos de Investimento, Offshore, entre outros. Estes seminários geravam uma ampla visibilidade e rede de relacionamento em nível de presidência com todo o mundo. Nesta sua atividade de Globetrotter pelo mundo dos investimentos, além de ter sido representante de um banco inglês, conheceu o responsável em lançar o Fundo Korea, que ao lançar similar no Brasil, convidou-o para ser diretor do Brazil Fund, que contou também com a participação ativa do Daniel Dantas,  profissional que, polêmicas a parte, Ronaldo considera um “craque”.

Manual do RI: Princípios e Melhores Práticas de Relações com Investidores - A Bíblia do Reino de RI

Manual do RI: Princípios e Melhores Práticas de Relações com Investidores - O NOVO TESTAMENTO do Reino de RI

Ao participar de um seminário internacional no Centro de Estudos Estratégicos em Washington, sobre as barreiras que impediam os investimentos no Brasil, foram abordados os pontos comuns, como: societários, contábeis, jurídicos, financeiros, da credibilidade das instituições. A conclusão foi de que mesmo com todos esses pontos equacionados, não ocorreria investimento estrangeiro, pois faltavam informações sobre as empresas e o mercado brasileiro. Como solução, o diretor da seguradora Prudential forneceu um exemplar de uma Company Hand Book, e sugeriu publicação similar no Brasil. Daí é criada a editora IMF e produzido o primeiro Brazil Company Handbook.

Na varanda de Petrópolis com o Mahoney

Em 1994 a IMF promoveu o primeiro seminário de Relações com Investidores no Brasil, convidando empresas estrangeiras listadas na Bolsa de Nova York com características semelhantes as brasileiras, com controle familiar e capital pouco pulverizado para participarem; além de conferencistas diversos, e profissionais de Relações com Investidores para esclarecer melhor sobre a importância desta atividade. Nesta ocasião, ao organizar todo o material coletado ao fim do seminário, de maneira casual, tomou conhecimento de um livro trazido pelo presidente do NIRI (National Investor Relations Institute) sobre Relações com Investidores. Era o livro do Willian Mahoney, Investor Relations: The Professional’s Guide to Financial Marketing and Communications. O pensamento de Mahoney “caiu como uma luva” no que se discutia no Brasil. Ronaldo entrou em contato para adquirir os direitos autorais do livro junto da editora, que havia sido vendida, e publicá-lo.

Guia IMF- Uma das Epístolas

Guia IMF- Uma das Epístolas

O IBRI

Neste momento já começava a nascer a idéia de criar o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), na época ABRI (Associação). Ronaldo conta que a “semente” da idéia nasceu junto com o seu filho Ronnie Nogueira em seu próprio escritório, que selecionaram e enviaram uma carta para umas 30 empresas brasileiras explicando a proposta. O retorno foi imediato. A White Martins e, principalmente, o Banco do Brasil deram total apoio a idéia, tendo sofrido uma pequena resistência por parte da ABRASCA, que tinha a proposta de criar um departamento próprio de RI.  Ronaldo relembra como foi: “Após eu e o Ronnie termos enviado a carta, o diretor financeiro do Banco do Brasil Gilberto Caetano ligou dando total apoio a iniciativa, e marcou uma reunião. Patrocinaram o lançamento do livro do Mahoney, houve um acordo com a ABRASCA e criou-se o IBRI ”.

Quando o IBRI foi criado, em 1997, foi feito um seminário na ABAMEC sobre Relações com Investidores com a participação do Willian Mahoney. Nogueira convidou-o para passar o final de semana em Petrópolis, onde, na varanda, discutiram a criação da Revista RI, que, inicialmente, seria uma Newsletter, similar a publicada pelo NIRI. Em março de 1998 saiu o primeiro número da Revista RI, uma parceria do IBRI com a IMF Editora, tendo Mahoney como editor internacional. São mais de 11 anos de publicação ininterruptas.

Curso de RI na FGV

Atualmente está desenvolvendo junto com a FGV do Rio, um curso totalmente voltado para RI, em mais uma iniciativa em propagar a importância da atividade para os profissionais e o mercado e superar a falta de base e de conhecimento na área. Nogueira considera que muitos dos profissionais ganharam “bagagem” somente com a experiência, devendo também se aprimorar teoricamente.

Para ele, as empresas brasileiras precisam ser educadas para a área de RI, que não é vista como uma atividade estratégica, criadora de valor, restringindo-se, muitas vezes, a serviços operacionais como: preparação de relatórios, prestação de contas a CVM, criação de sites, reuniões com analistas entre outras. Atividades necessárias, porém não suficientes para um bom trabalho de RI, cuja principal função é, ou, pelo menos deveria ser, a de criar valor para a empresa. Prova disso é que em período de crise um dos primeiros profissionais a ser cortado é da área de RI.

Revista RI: Idealizada na varanda em Petrópolis, é a sua principal Epístola

Revista RI: Idealizada na varanda em Petrópolis, é a principal Epístola

Ronaldo considera que esta visão de RI é importante para profissionais que atuem em qualquer área. “Se um vendedor, ou, até mesmo um porteiro ,aplicarem esta visão de RI em sua atividade, irão se destacar dos demais. É um diferencial” afirma, lembrando que a educação é fundamental para desenvolver o mercado e que o medo do desconhecido é que afasta os investidores, por isso impulsionou a criação do INI – Instituto Nacional de Investidores, em parceria com a NAIC (National Association of Investors Corporation), cujo fundador Thomas Ohara, foi um grande influenciador.

É impressionante a trajetória de Ronaldo Nogueira como propagador das melhores práticas profissionais no mercado de capitais brasileiro. Participação ativa na Lei nº 4.728 – a Lei do Mercado de Capitais, na fundação da ABAMEC, do IBRI, do INI. Sua importância é histórica. Diante de tudo isso, no Reino de Relações com Investidores do Brasil, Ronaldo Nogueira pode ser considerado o principal Apóstolo, o São Paulo, que com a sua bíblia (livros do Mahoney) e as suas Epístolas (Revista RI, seminários, cursos e publicações IMF), catequiza o mercado e difunde a atividade de RI. Então, saudemos: AVE NOGUEIRA!

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