UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

Livro de Luiz Kaufmann, escrito em 1990, dá lições de gestão extremamente atuais para as empresas brasileiras. A formação estratégico gerencial nas universidades, ainda é um desafio na conquista do Passaporte para o Ano 2020

In Entrevistas on junho 17, 2009 at 1:49 am

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

 

  

Escrito em 1990, livro mostra desafios gerenciais atuais. Alteraria o título para Passaporte para o Ano 2020 e manteria o conteúdo

Escrito em 1990, livro mostra desafios gerenciais atuais. Alterando o título para Passaporte para o Ano 2020, o conteúdo continuaria o mesmo

Livro de Luiz Kaufmann Passaporte para o Ano 2000: Como Desenvolver e Explorar a Capacidade Empreendedora para Crescer com Sucesso Até o Ano 2000, escrito em 1990, demonstra total atualidade, quase 30 anos depois, no presente contexto brasileiro, indicando que há, ainda, inúmeros desafios a serem superados na capacitação estratégico gerencial das empresas, principalmente, na formação de novas lideranças universitárias executivas. Se mudássemos o título para Passaporte para o Ano 2020, lançando um novo livro, o conteúdo e os desafios seriam, praticamente, os mesmos.

Em entrevista exclusiva concedida ao universitário Marcelo Martins Guimarães, Luis Kaufmann fala sobre a importância crescente da Integração Universidade Empresa e da necessidade de formarmos profissionais generalistas e multifuncionais, antecipando a visão estratégico-gerencial de negócios. Segundo ele, “São escassos profissionais deste tipo. Ainda mais, recém formados. Desenvolver, inicialmente, esta visão da floresta, para depois, aprofundar-se nos detalhes das árvores, ainda é um desafio”. Com a atual crise econômica o mercado encontra-se em pleno vapor para Kaufmann que, através de sua empresa, a L. Kaufmann Consultores Associados, diz não se envolver e desenvolver mais projetos de consultoria por falta de tempo “se o dia tivesse 72 horas, daria para tentar atender as demandas de projetos que surgem, mas como só tem 24 horas, não é possível”. No auge dos seus 63 anos, tem buscado conciliar mais suas realizações individuais com as profissionais, administrando melhor o seu tempo, citando caso, contado por Jorge Paulo Lehman, em encontro com Warren Buffett, à época, recém considerado o homem mais rico do mundo, em que se dirigindo ao Lehman, disse: “Sabe por que eu sou o homem mais rico do mundo? (Retirou uma mini-agenda preta do bolso, abriu e mostrou para Lehman com os horários totalmente vazios) Porque eu tenho total controle de meu tempo” ”.

Kaufmann tem como inspiração o poema Instantes, do Jorge Luis Borges, que tomou conhecimento através de um amigo, na época em quefoi submetido a uma cirurgia cardíaca em outubro de 1989, e encontrou tempo e estímulo para escrever seu livro: “Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros,…Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios”. Com a palavra, ou melhor, com as “previsões”, o executivo e consultor, que considera o valor de uma experiência inesquecível, Luiz Kaufmann.

Luiz Kaufmann: "Formação universitária generalista e  multidisciplinar é cada vez mais necessária"

Luiz Kaufmann: "Formação universitária generalista e multidisciplinar é cada vez mais necessária"

Qual sua visão sobre a integração entre a universidade e a empresa?

L.K.: A integração universidade-empresa precisa ser expandida fortemente, para que os universitários iniciem suas carreiras no mercado de trabalho, com uma formação mais adequada a realidade da vida empresarial. No meu caso tive o benefício de trabalhar em uma grande “escola” , que foi a Arthur D.Little. Em uma consultoria internacional, o profissional está permanentemente em contato e trabalhando lado-a-lado com pesquisadores, pensadores e especialistas dos mais diversos setores e áreas do conhecimento, para melhor liderar e gerenciar os seus projetos. Existe uma grande ligação entre conhecimento, expertise, reflexão e ação. Entre pesquisa e análise e tomada de decisão gerencial. A informação é necessária para uma melhor tomada de decisão. Nesse sentido, acredito que deveria haver uma relação mais próxima entre a universidade e empresa, – seria muito benéfica para ambos os lados. Para a empresa, que estaria constantemente se atualizando e aprimorando seus processos, e para a universidade que estaria diretamente ligada às questões empresariais, em nível de tomada de decisão, enriquecendo suas descobertas e seu arcabouço ,teórico de forma mais integrada. O que poderia ter um efeito multiplicador. Estou um pouco afastado da universidade, mas minha visão é que a Universidade, muitas vezes, fica à distancia da realidade empresaril, , desenvolvendo teses acadêmicas pouco relevantes, ou por vezes até inconsistentes com a realidade empresarial. Aquela famosa brincadeira: quem sabe faz, quem não sabe ensina..  O desafio é como conseguimos utilizar a capacidade de pesquisas e conhecimento nas universidades de forma integrada a realidade e necessidades das empresas.

A UFRJ está discutindo o Novo Plano Diretor (2010/2020). Está previsto a concentração de todos os cursos na Cidade Universitária (Ilha do Fundão). Busca-se com isso uma maior integração entre as diversas áreas do conhecimento e uma formação universitária mais flexível e interdisciplinar. O que acha disso?

L.K.: Acho de fundamental importância. O mundo está globalizado, é necessário que se tenha crescentemente visão global e mais generalista para ser competitivo. Apesar do grande avanço que tivemos na profissionalização das empresas brasileiras nos últimos anos, ainda são escassos os profissionais que possuam esta visão mais integrada. Eu mesmo se fosse voltar atrás em minha formação em engenharia industrial, e tivesse este grau de flexibilidade, buscaria fazer cadeiras em outras áreas, como: teatro, para se comunicar melhor, falar em publico, perder inibição; direito empresarial considerandoque noções , principalmente quando chegamos a cargos mais elevados na organização, e assim por diante.. Ter noções de finanças, planejamento, contabilidade, marketing, ou seja, entender os fundamentos básicos de uma organização. Comunicação. Comunicação é uma das grandes deficiências dos profissionais, principalmente a nível executivo, nas organizações. Uma boa capacidade de comunicação é essencial em todas as áreas.. Comunicar é um grande desafio. Adequar a linguagem para cada tipo de publico, de forma integrada. Acho que a universidade está no caminho certo em buscar uma formação multidisciplinar. É mais ou menos o que as grandes multinacionais buscam com seus programas de trainees gerenciais.

Por que considera a Arthur D Little sua grande escola?

L.K.: Depois de ter me formado em engenharia mecânica na Universidade Federal do Paraná, fui trabalhar em São Paulo na Serete Engenharia. Inicialmente exerci funções na área técnica. Fui fazer o mestrado em Métodos Quantitativos no Illinois Institute of Technology de Chicago. Quando voltei, fiquei responsável em implantar um Sistema de Informação Gerencial na empresa.Mesmo sem ter muita noção sobre planejamento, finanças, contabilidade fiquei responsável por sua implantação. Adquiri neste periodo sólida visão financeira, de planejamento e contábil. Minha formação não tinha me fornecido esses conceitos básicos. Depois desta experiência fui indicado para Diretor Financeiro da Serete e posteriormente convidado para ser diretor geral da Arthur D Little no Brasil, que buscava implementar-se e posicionar-se no Brasil. Foi uma grande escola, pois lidei com projetos dos mais diversos setores. De construção civil, telecomunicações, mineração, agropecuária, bancos, varejo, entre outros. Isto abriu a minha cabeça. Passei a ter uma visão mais estratégica e global dos negócios. Liderando projetos e equipes multifuncionais. Pessoas de diversas formações fazem parte da equipe: historiadores, biólogos, médicos, sociólogos. Não importa tanto a área de formação, mas sim suas habilidades pessoais, comportamentais, de liderança. Sem essa experiência na Arthur D Little, dificilmente, teria feito uma carreira executiva. Provavelmente seria um diretor da área técnica de uma empresa..  Outra experiência riquíssima em minha formação foi o programa patrocinado pela Associação Universitária Interamericana que selecionava, na década de 60, época da Guerra Fria, universitários com perfil de liderança para viajarem para os Estados Unidos, conhecer Washington, Nova York, Boston, intelectuais e personalidades diversas e fazer um curso de desenvolvimento econômico na Universidade de Harvard. Participaram também deste programa profissionais que viriam a ter destaque no Brasil como Pedro Malan, Marco Maciel, Cristovam Buarque entre outros (Foram 900 selecionados em 10 anos por Achim Fuersthental, psicólogo por formação, o mais famoso head hunter da época para multinacionais, responsável pelo processo de escolha dos bolsistas).

Quais projetos destacariam em sua experiência na Arthur D Little?

L.K.: Foram inúmeros projetos, de diversas áreas – Vale do Rio Doce, Unibanco, Alpargatas, Mendes Junior, etc..e finalmente o Banco Multiplic que foi o meu último cliente de consultoria. Dali fui convidado a ssumir a Direção Geral do grupo Multiplic, que também foi uma rica experiência. Foi a primeira instituição no país a ser gerenciada como banco múltiplo, antes da legislação permitir às instituições financeiras se organizarem sob essa forma. Eu era o coordenador do projeto. Depois fui convidado, em 1985, pelo Ronaldo César Coelho e o Antonio José, para assumir a direção geral da holding e a vice presidência do Conselho Diretor do Banco Multiplic. A Holding tinha a divisão financeira, divida em atacado e varejo. A divisão industrial. A divisão de mineração. A divisão agro-industrial. A divisão de outros negócios. Quatro anos após, em 1989, o grupo estava profissionalizado e estruturado e a sua principal empresa, o banco de investimentos, encerrava o ano como o maior banco do setor no país.

Como foi a sua experiência na Aracruz Celulose?

L.K.: Quando fui ser presidente da Aracruz Celulose em 1992, a empresa acumulava mais de US$ 1 Bilhão em dívidas. Estava numa situação financeira muito delicada após a queda do preço da celulose. Pagava juros de 33%. Tinha uma m entalidade de empresa paternalista, totalmente estatal, de baixa produtividade, sem foco em resultados. Implementamos um plano de ação em que foi feito um forte e rápido enxugamento de quadros. Reduzimos de 8000 para 2300 funcionários, aumentando a produtividade em seis (6) vezes. Direcionamos a organização totalmente para resultados, repensando toda a cultura anteriormente paternalista, introduzindo compensação variável e por desempenho. Terceirizamos funções secundárias. Eliminamos a burocracia. Redesenhamos a estratégia financeira e reconstruímos a credibilidade nos mercados financeiros com uma grande transparência. Lançou-se papéis na Bolsa de Nova York e captaram-se recursos a juros mais baixos no exterior para serem aplicados no Brasil, aproveitando as altas taxas de juros. A empresa passou a obter ganhos financeiros positivos e emergiu como uma das empresas mais saudáveis do setor, com 90% de suas vendas no mercado internacional. Foi uma rica experiência.

Qual a importância da comunicação e da transparência nas organizações ?

 

 

L.K.: Considero a comunicação um pilar fundamental para o bom funcionamento de qualquer organização. Tanto a comunicação com o público externo, quanto com o publico interno são essenciais para o sucesso das organizações. Infelizmente, poucas empresas têm dado atenção suficiente a este tema, que é tratado muitas vezes como algo complementar, sem ter importância estratégica. Um processo de comunicação transparente e consistente tem que permear toda a cultura da empresa no seu relacionamento com seus diversos públicos diretos e indiretos. Um forte departamento de Relações com Investidores, Assessoria de Imprensa, integrados diretamente com o CEO são fundamentais para atingir este objetivo, porém não suficientes. Um desafio é transformarmos gestores em comunicadores. Isso faz a diferença. Na comunicação externa é necessário que as empresas se aprimorem para serem mais competitivas e serem vistas com “bons olhos” por seus diversos públicos, incluindo investidores. Empresas que possuam características iguais, mas não sabem comunicar isso em benefícios para o mercado, não se diferenciarão. Os investidores estão cada vez mais exigentes. . Credibilidade é condição sine qua non para acessar os mercados, captar recursos junto à comunidade financeira e investidores nacionais e internacionais. Um processo de comunicação eficaz e descentralizado facilita com que as organizações se adaptem as mudanças e corrijam seus rumos, agilizando o processo decisório.

Quais os principais critérios de seleção de pessoal utilizados por você?

L.K.: Considero a seguinte escala nos critérios de seleção: primeiro, perfil pessoal, em especial caráter, transparência intelectual, transparência ; segundo, habilidades profissionais; e terceiro, habilidades acadêmicas.

Estabeleço como condições sine qua non no processo de seleção (reafirmando os critérios presentes em seu livro): caráter, integridade e lealdade. É necessário ter total confiança em quem contratar. Determinação e garra. Talento, iniciativa e criatividade. Respeito ao próximo. Vontade de aprender e capacidade de adaptação.

Utilizo como principal critério de seleção a realização de entrevistas pessoais diversas. É um procedimento muitas vezes falho. Muito importante o candidato ser entrevistado por várias pessoas de minha confiança. Quanto mais pessoas, de diferentes paradigmas e visões entrevistarem, reduz-se, apesar de não eliminar, as chances de erro. Referências, são também fundamentais.

Por que decidiu patrocinar o Corinthians quando foi Presidente da Medial Saúde?

L.K.: Este fato foi bem interessante, pois foi tudo decidido em menos de 24 horas. O Diretor de Marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rozenberg, nos ligou perguntando se não queríamos patrociná-los. Só que teria que ser decidido naquele dia. Não tinha visão nenhuma sobre Marketing Esportivo. Ligamos para vários especialistas do ramo e decidimos patrocinar. Investimos 16,5 milhões, quase 80% de nossa verba total de marketing. Foi um excelente investimento, gerando grande visibilidade, exposição e retorno para a marca. Inclusive fora do Brasil. Diversos conhecidos comentavam que a marca Medial estava sendo vista e divulgada lá fora, devido ás transmissões de TV.  O retorno em mídia que a marca teve com o Corinthians foi acima de 1 Bilhão de reais..

Considera a Cultura do Banco Garantia um marco no Capitalismo Brasileiro?

L.K.: Sem duvidas, considero a cultura do Garantia um marco no capitalismo brasileiro. Cultura desenvolvida, principalmente, pela personalidade e brilhantismo do Jorge Paulo Lehman e do Marcel Telles.O primeiro, um grande estrategista e pensador e o segundo um espetacular executivo. Os pilares fundamentais do Garantia são: valorização extrema das pessoas, identificação de talentos e formação de novos líderes; meritocracia de resultados; e transformação dos funcionários em sócios. Estes pilares permeiam toda a cultura das suas empresas até hoje, mesmo na nova geração.

O Sam Walton, criador do Wall Mart e o Warren Buffett possuem bastante influência no perfil do Jorge Paulo Lehman.

L.K.: O Jorge Paulo tem o seu próprio estilo, não precisa copiar ninguém. Mas também tem a modéstia necessária para ver o que os outros fazem de melhor e absorver este conhecimento.

Em seu livro, o executivo do século XXI tem o perfil dividido em: 1- áreas de conhecimento (expertise), 2-características pessoais, 3-estilo gerencial e 4-experiência. Considera que as características listadas continuam as mesmas?

Expertise – Formulação de Estratégias, Administração de Recursos Humanos, Marketing e Vendas, Negociação e Resolução de Conflitos

L.K.: Manteria todas as habilidades e acrescentaria capacidade de investigação, de buscar informação (biblioteconomia). Enalteceria também a importância de vendas, que muitas vezes é vista erroneamente por muitos de forma preconceituosa. Capacidade de vendas é essencial para qualquer profissional independente da área.

Características Pessoais – Ético, criativo, entusiástico, mente aberta, inteligente, inspirador, enérgico, encorajador.

L.K.: O executivo, o líder, tem que servir de exemplo para a equipe. Não basta falar, tem que fazer. Considero todas essas características fundamentais.

Tem se discutido a forma de melhor avaliar as habilidades pessoais como critério de seleção para os vestibulares. Considera-se que muitas pessoas podem apresentar capacidade empreendedora, que submetidos a uma universidade teriam um efeito multiplicador superior a pessoas que apresentam maior conhecimento técnico e teórico, sem ter certo perfil. Como avalia isso?

L.K.: Acho extremamente positivo. Muitas universidades americanas já têm feito isso. Os processos seletivos empresariais já o fazem. Não basta apenas avaliar conhecimento técnico ou acadêmico. . Vejo positivamente este tipo de avaliação.

Estilo Gerencial – Planejamento de carreiras e sucessão; desenvolvimento gerencial; vincular remuneração a resultados; delegar autoridade; ser um grande comunicador.

 

L.K.: Mais do que nunca o executivo tem que ligar os objetivos individuais com os organizacionais. Buscar esta sintonia é fundamental. Apesar disso não ser possível em muitas situações, principalmente, as que envolvem reestruturações, intervenções externas, em que o conflito e a ansiedade são parte do processo..

Experiência- Submetido a turnarounds (gerenciamento de crises e situações complexas); experiência em diferentes negócios e áreas funcionais; experiência internacional e em fusões e aquisições.

L.K.: Considero que são experiências ótimas para a formação completa de um executivo. A minha atuação na Arthur D Little me forneceu essas experiências.As multinacionais em seus programas de desenvolvimento propõem isso.

 Similar ao que ocorre nas universidades americanas, fiz uma formação hibrida, com área de concentração major em Administração de Empresas (foco em estratégia e finanças) e minor em Comunicação. Qual sua visão sobre este tipo de formação? Como avalia que será visto pela diretoria das empresas e o mercado em geral?

L.K.: São escassos os profissionais deste tipo. Ainda mais, recém formados. Desenvolver, inicialmente, esta visão da floresta, para depois, aprofundar-se nos detalhes das árvores, ainda é um desafio. Demandam-se cada vez mais profissionais com uma visão generalista e multidisciplinar para atuar nas organizações.. No aspecto da formação universitária para desenvolver este perfil, quanto antes desenvolver esta visão mais global e integrada, melhor. Entender o todo e como as partes se relacionam e se integram ao todo é fundamental. Muitas vezesnão é necessário um conhecimento profundo, técnico especializado sobre determinado assunto. É necessário entendermos a lógica de determinado negócio para fazer as perguntas relevantes para uma tomada de decisão adequada. Ter uma sólida base teórica para atuar nas organizações é de grande importância, apesar de não ser suficiente. . É necessário cada vez mais preparo e formação para atuar em nível estratégico. Como disse, se tivesse oportunidade de voltar atrás e tivesse esta mobilidade de direcionar meus estudos para outras áreas, o faria com certeza. É um diferencial este tipo de formação. O mercado precisa e precisará cada vez mais de profissionais desse tipo. A universidade deve seguir cada vez mais este caminho multidisciplinar.

Fale um pouco dos seus projetos atuais?

L.K.: Atualmente, estou como presidente consultivo da Santelisa Vale, a segunda maior do setor sucroalcooleiro do país, estando responsável em recuperá-la e reestruturá-la. Está com uma divida de mais de 3 bilhões de reais. É o projeto de consultoria que estou mais envolvido atualmente. Neste período de crise, aumenta-se a procura pelos serviços da L Kaufmann Consultores Associados, se o dia tivesse 72 horas, daria para tentar atender às demandas de projetos que surgem, mas como só tem 24 horas, não é possível. Tenho participado e tendo sido convidado a participar do conselho de administração de diversas empresas.

E o poema Instantes, do Jorge Luis Borges, continua válido? “Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros,…” “Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios”

L.K.: Sem dúvidas, este poema tem grande importância em minha vida, pois remeto ao período de grande dificuldade, que me submeti a uma cirurgia cardíaca, em outubro de 1989,. Quando tive tempo e estímulo para escrever o livro. Fiz uma parada para balanço. A gente se dá conta que a vida é efêmera. É um belíssimo poema. Tiro uma grande lição dele.

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