UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

Álvaro Bandeira: “O profissional de Relações com Investidores é tão importante quanto o presidente da empresa”

In Entrevistas on junho 16, 2009 at 4:28 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora e ex-presidente da APIMEC Nacional considera o profissional de Relações com Investidores tão importante quanto o presidente da empresa.  Referência no mercado de capitais, onde atua há quase 40 anos, iniciou sua carreira num estágio na área de sinistros da SulAmérica Seguros, depois fez outro estágio na consultoria de projetos ASTEL, do João Paulo de Almeida Magalhães, até ingressar como analista de investimentos do Banco Brascan. Depois trabalhou no Banco de Investimentos Lar Brasileiro – CHASE e no Banco Bamerindus de Investimento. Em 1978 foi para a Lopes Filho e Associados – Consultores de Investimentos, conhecendo o Luiz Fernando Lopes Filho, a quem considera um grande incentivador e mestre. Formado em Economia pela UFRJ em 1973, fez Pós Graduação em Engenharia Econômica e Administração Industrial na COPPE em 1974. Em entrevista exclusiva ao universitário Marcelo Martins Guimarães, na sede da Ágora Corretora, para a sua monografia: Integração Universidade-Empresa- Formação Universitária Multidisciplinar do Profissional de Relações com Investidores, é possível conhecer melhor suas visões. Com a palavra, Álvaro Bandeira.

Álvaro Bandeira, Diretor da Ágora Corretora: "O profissional de Relações com Investidores é estratégico. Tem que estar sentado ao lado do presidente."

Álvaro Bandeira, Diretor da Ágora Corretora: "O profissional de Relações com Investidores é estratégico. Tem que estar sentado ao lado do presidente."

PERFIL E IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES:

“Generalista e Paciente”

O profissional da área de RI tem que ser um generalista, ser muito inteligente, ter cultura geral, muito conhecimento de administração, financeira, principalmente. Conhecer o produto e mercado de capitais de forma ampla e especifica relacionada a empresa dele. Fundamentalmente tem que ter uma experiência na área de administração e economia. Um RI de uma empresa petroquímica não pode ter a mesma vivência de um RI do setor têxtil. Tem que conhecer profundamente o negócio, a atividade fim. Como um garoto propaganda, uma ponta avançada, ele tem que vender confiabilidade, passar segurança ao investidor, conhecer tudo da empresa. Ele não pode ter dúvidas se as vendas foram de 1 bilhão ou de 1 bilhão e 200. Não pode ter dúvidas sobre o investimento feito. Se responder incorretamente a um investidor prejudica a imagem da empresa. O profissional de Relações com Investidores também tem que ter muita paciência para responder a mesma pergunta diversas vezes. Tem que saber lidar com o emocional das pessoas. Muitos querem reunião presencial um a um. Eu entendo que este profissional deveria ter um certificado assim como tem da ANBID. É uma responsabilidade enorme. Talvez seja mais importante que o próprio presidente da companhia. A figura de um RI de peso é fundamental. Vamos partir do seguinte principio. Uma empresa aberta, o produto que ela tem são suas ações. Daí deriva tudo. Então se as minhas ações não são boas eu não consigo captar recursos, eu não levanto dinheiro em banco, não consigo fazer investimento. O que eu mais posso vender é a imagem da empresa. A ponta avançada disso é o RI.

COMUNICAÇÃO e TRANSPARÊNCIA:

“Pode perguntar o que você quiser que eu  não vou responder nada”

“Tem um projeto de construção de uma fábrica de arame farpado para colocar todos os analistas lá dentro”

Na minha época quando eu comecei a avaliar empresas, não divulgavam nem o volume de vendas. Divulgavam um número chamado produto de operações industriais, equivalente hoje ao lucro bruto. Eu brinco com uma das minhas primeiras experiências no banco Brascan. Hoje em dia eu tenho certeza que fizeram de propósito. Marcaram uma reunião para eu fazer um estudo sobre a empresa, Industria Vilares. Eu, à época, um garoto, saí com a minha pastinha, fui falar com o Vice Presidente da companhia. Sentei na frente dele, ele disse: “Você pode perguntar o que quiser que eu não vou responder nada.” Na minha cabeça passou o seguinte filme: paguei uma passagem, gastei uma grana, tempo e não vou voltar com nada, com nenhuma informação a mais? O que meus chefes iriam pensar? Aos poucos, eu comecei a perguntar e ele foi respondendo, mas o primeiro impacto foi esse.

Em outro caso perguntava se tinha algum projeto novo na companhia, de diversificação, expansão, entre outros. Responderam da seguinte forma: “Sim, tem um projeto de construção de uma fábrica de arame farpado para montar um cercado e colocar todos os analistas lá dentro.” Eu peguei minha pastinha, saí da sala do responsável, que foi atrás de mim no hall do elevador para desculpar-se e dizer que tinha sido apenas uma brincadeira. Hoje, as coisas estão muito mais fáceis. As informações estão mais acessíveis.

Claro que depende muito da orientação das empresas. No aspecto de quanto e de que forma você vai abrir a comunicação, do grau de governança corporativa. Isto é um processo evolutivo ao longo do tempo. Em determinado momento é bom não ter uma abertura maior. Pode facilitar a concorrência. Embora nós, enquanto usuários da informação queiramos o máximo de acesso, no caso da empresa tem que ser dosado. Na Telemar/ Oi ocorreu isso.

ATIVISMO ACIONARIO:

“É uma união da cultura da empresa e do investidor”

O ativismo na ação está muito ligado com a estratégia da empresa e com a educação da população em relação ao mercado de capitais. Tem os dois lados: a cultura da empresa e a cultura do investidor. Fazer cursos, ter uma formação, facilita. Nesse sentido, a universidade poderia desempenhar um papel importante. Falta do lado da universidade cursos relacionados a uma formação de carreira dessas em RI e outras áreas mais multidisciplinares. Por exemplo, na Ágora, no ano passado, tivemos 381 eventos entre cursos, palestras, seminários. É um esforço fantástico para trazer o publico investidor. Para ver como se avalia uma empresa, uma ação. Ele passa a se sentir muito mais seguro e preparado para investir no mercado de capitais. Hoje as empresas estão buscando ampliar a sua base de acionistas, além dos mecanismos tradicionais de comunicação, conference calls, reuniões APIMEC, um a um, estão ampliando para outras regiões, além do eixo Rio – São Paulo.

HABILIDADES ACADÊMICAS E PROFISSIONAIS PARA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE UM RELAÇÕES COM INVESTIDORES

Na universidade: Gestão empresarial, gestão industrial, muita carga de economia, de percepção e avaliação de mercado.  Comunicação.

Na parte profissional, experiência em área financeira. Desde fluxo de caixa, contabilidade, análise de investimentos. Conhecer a área industrial. Trabalhar em varias áreas de uma empresa. Ter na bagagem uma experiência na área de Research também é fantástico. Só que para formar um profissional nesta área investe-se 3 anos em média. É um treinamento gradativo. Estudar sites, montar índices, freqüentar reuniões da APIMEC. Um bom analista não necessariamente será um bom RI. Habilidade de comunicação é fundamental.

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