UNIVERSIDADE POPULAR ABERTA DO III MILÊNIO

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Jivaldo Capella, o CHATÔ da representação publicitária no Brasil

Em Entrevistas, junho 29, 2009 às 11:04 am

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Jivaldo Capella, dono da JC Representações e Publicidade: "Assis Chateubriand foi um grande professor. Aprendi muito com ele."

Jivaldo Capella, dono da JC Representações e Publicidade: "Assis Chateubriand foi um grande professor. Aprendi muito com ele."

Trabalho, Honestidade e Família Unida são os ingredientes de quase 30 anos de sucesso da JC Representações e Publicidade

O professor: Assis Chateubriand.


Após mais de 40 anos da morte (faleceu em 4 de abril de 1968) de Assis Chateubriand, ícone da história da comunicação no Brasil, Chatô, como era conhecido, mostra que deixou marcas e estendeu seu sucesso a muitos de seus discípulos. Um deles: Jivaldo Capella, líder e idealizador da JC Representações e Publicidade, empresa com quase 30 anos de sucesso no mercado de representação publicitária brasileiro, que funciona como elemento de ligação entre os veículos de comunicação: jornais, rádios, emissoras de TV, principalmente do interior, e as agências de publicidade, os clientes representados por grandes firmas e por políticos.

“Chateubriand foi um grande professor. Ele me ensinou a trabalhar, a respeitar os outros. Aprendi muito com ele. Era uma pessoa espetacular. Mesmo depois de ter ficado doente, não parava de trabalhar e de escrever. Sinto muitas saudades do Chatô”, relembra Capella, o “velho”, como sempre foi carinhosamente chamado pela família, cuja união considera um dos ingredientes do sucesso da JC Representações e Publicidade desde a sua criação em 9 de maio de 1980. “Graças aos meus filhos Sérgio, diretor atual, Carlos, diretor comercial, infelizmente falecido, e a minha mulher Gesilda Capella, diretora de relações públicas, foi possível chegar até aqui com este reconhecimento” enalteceu ele.

Próximo de completar 77 anos em 30 de setembro (dia do meu aniversário), J Capella, formado em contabilidade pela Associação Cristã de Moços em 1951, acumulou ampla experiência profissional na área contábil, administrativa, jornalística, comercial e publicitária. Atuou como auxiliar de escritório nas Lojas Americanas, de 1949 a 1951, gerente da firma Cafeteira Brasileira S.A., de 1951 a 1954, contador chefe da Burroughs do Brasil S.A., de 1954 a 1958, e gerente do Boletim Cambial, de 1958 a 1959. Sempre teve interesse na área jornalística, quando foi à sede da Diários Associados, e foi contratado. Apesar de não ter exercido a profissão de jornalista diretamente, escrevendo eventualmente artigos e matérias como free lancer, começou a ter contato com a cultura da empresa de Assis Chateubriand e com profissionais como o senador João Calmon, primeira pessoa de Chatô, e Paulo Cabral, que se tornou presidente do Condomínio do Diários Associados. Teve também oportunidade de circular e fazer amizades com personalidades como Walter Clarck, Boni, Samuel Wainer, entre outros.

O legado continua: O jornalista paraibano Assis Chateubriand, mesmo 40 anos após a sua morte, continua vivo no coração de seus discípulos.

O legado continua: O jornalista paraibano Assis Chateubriand, mesmo 40 anos após a sua morte, continua vivo no coração de seus discípulos.

O Diários Associados foi uma grande escola para J. Capella. Lá foi contador da Taba Tupi Diversões S.A., assistente de direção administrativa dos Diários Associados, assistente da secretaria executiva do Condomínio Acionário da Emissoras e Diários Associados, assessor da superintendência das Rádios Tupi e Tamoio, além de pertencer a diretoria da ABERT (Associação Brasileira de Radio e Televisão). Acompanhou o trabalho desenvolvido pela SIMA (Serviço de Imprensa Associado) e pela SIRTA (Serviço de Imprensa Rádio e Televisão Associados), empresas criada pelo trio: Assis Chateubriand, João Calmon e Paulo Cabral para centralizar e intermediar a publicidade dos órgãos associados de todo o Brasil: jornal, rádio e tv. Um pioneirismo na época. Outras depois fizeram o mesmo, como a Cadeia Verde Amarela Representações, ligada à rede Bandeirantes.

Ao recusar o convite para ir trabalhar em Brasília, resolveu montar a JC. Atualmente, a JC Publicidade, conta com quatorze (14) funcionários no Rio de Janeiro, dois em Brasília, e um São Paulo, representando várias tv’s, rádios (200 a 300) e jornais (100 a 150) de quase todo o Brasil, principalmente, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Ceará. Apesar de estar crescendo o número de representantes comerciais no mercado brasileiro, ainda mais, após a mídia digital, a credibilidade junto às agências de propaganda é um diferencial. “É dificil afirmar quem é ou não idôneo no mercado. Eu recebo hoje e amanhã já estou pagando. Isso é um diferencial.” disse Capella, que considera o trabalho relacionado ao governo difícil, quando comparado com a iniciativa privada, pela demora no pagamento, e a Pereira de Souza, uma grande empresa de representação publicitária e a sua principal concorrente.

O “velho” Capella passou os ensinamentos para o filho Sergio, responsável em perpetuar o trabalho e o reconhecimento da JC.  No mercado publicitário não tem quem não conheça “Os Capella”, referência no setor de representação comercial. Trabalho e honestidade são os princípios básicos do sucesso. A fonte, agora sabemos, foi Assis Chateubriand. É, pelo jeito, o legado continua. Após mais de 40 anos de sua morte, Chatô continua presente no coração de seus discípulos. Um exemplo vivo: Jivaldo Gonçalves Capella, o Chatô da representação publicitária no Brasil.

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José Marcos Treiger: “A formação universitária multidisciplinar em Administração de Empresas com Comunicação está de acordo com o perfil do profissional de RI”

Em Entrevistas, junho 28, 2009 às 7:14 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

José Marcos Treiger é Engenheiro Civil pela PUC do Rio de Janeiro, com pós-graduação na Siemens AG (KWU) – em Erlangen, República da Alemanha. Como engenheiro atuou em alguns dos maiores projetos de engenharia e de infra-estrutura no Brasil, inclusive das Usinas Nucleares de Angra II e III. Atualmente, Treiger ocupa a posição de Diretor de Relações com Investidores da Multiner S/A, empresa de geração de energia elétrica sediada no Rio de Janeiro. Ocupou esse cargo anteriormente na Braskem S/A, na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional S/A) por duas vezes e na Aracruz Celulose. Um dos pioneiros na atividade de RI, um dos fundadores do IBRI e idealizador do Brazil Day em 2001, Treiger foi o primeiro profissional brasileiro a se tornar associado do NIRI – The National Investor Relations Institute dos EUA, sendo eleito melhor profissional de RI em 1999 e 2000 pela Abamec Rio e Minas Gerais. Acaba de lançar o livro Relações com Investidores: A arte de se comunicar com o mercado e atrair investidores, da Editora Campus-Elsevier, pela Coleção Expo Money. Apreciador de uma boa leitura e profissional de uma ampla cultura geral, o decano de RI, iniciou a entrevista citando Confúcio: “A essência do conhecimento é saber onde encontrá-lo” para enfatizar a importância da integração entre as diversas áreas do conhecimento. Com a palavra, José Marcos Treiger.

José Marcos Treiger, Diretor de RI da Multiner:Os jovens integrantes de RI têm acesso a conhecimentos estratégicos e profundos, ao trocar informações com representantes do mercado global e nacional. A profissão de RI é uma base extremamente eficaz como passaporte para outras áreas."

José Marcos Treiger, Diretor de RI da Multiner: Os jovens integrantes de RI têm acesso a conhecimentos estratégicos e profundos. A profissão de RI é uma base extremamente eficaz como passaporte para outras áreas."

EDUCAÇÃO E UNIVERSIDADE:

“A formação brasileira é muito voltada para o diploma universitário”

“O ensino técnico deveria ser mais valorizado”

Uma coisa no Brasil que eu acho muito séria é que a formação profissional é muito voltada para o diploma universitário. Não é assim no resto do mundo. Segundo Treiger, deveríamos valorizar mais os cursos técnicos. Estes se constituem numa excelente oportunidade profissional para os jovens.  Isto fortaleceria o setor técnico no Brasil e resolveria o problema da falta de mão de obra especializada que se torna cada vez mais preocupante e problemático. “São raros os produtos tecnologicamente sofisticados que o Brasil exporta. O país é competitivo em commodities, em produtos agrícolas, minérios, etc., que não exigem muita profissionalização. Nós fazemos parte do BRICs, mas a China e a Índia investem e investiram até aqui muito mais em educação. E gastam melhor que o Brasil. A Coréia, por exemplo, deu um salto tremendo. Passou a investir muito mais na formação básica das pessoas, nos cursos primários. Devemos valorizar bastante o ensino médio. Nossa população jovem é muito grande, e deveria ser muito melhor qualificada. Não podemos nos imaginar uma nação só de médicos, engenheiros, advogados, administradores”. Adicionalmente, Treiger considera a política de cotas nas universidades um grande erro e extremamente preconceituosa. “Ela transfere o problema para o próprio mercado de trabalho, que selecionará de forma preconceituosa esses profissionais”. Segundo ele, deveria ser feita uma grande reforma na educação no Brasil, com ênfase no aumento de vagas e na qualidade do ensino.

FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA MULTIDISCIPLINAR:

“Matérias de administração são importantes para qualquer profissão”

“Muitos empresários brasileiros não possuem visão contábil”

“Nos EUA você faz o bacharelado, mas nada impede que  o aluno escolha outras cadeiras e créditos complementares para a sua formação, com cadeiras importantes e básicas de Administração. Para mim é um grande absurdo, por exemplo, eu ter me formado engenheiro, sem ter a mínima noção de contabilidade. Tópicos fundamentais tais como Análise de Balanço, de Fluxos de caixa, conceitos de “Valuation”, Contabilidade básica, são fundamentais para qualquer profissão. Os currícula têm que ser mais articulados e mais compatíveis com as demandas profissionais do dia-a-dia das empresas”. Treiger sugere ainda que estágios profissionalizantes em empresas com avaliação das universidades – para ampliar a formação do aluno, de forma obrigatória – poderiam promover uma maior e mais eficaz integração escola-mercado. “Isto permitiria às pessoas se aprimorarem. No Brasil há muitos empresários que não possuem uma visão contábil. Que, não sabem analisar seus próprios balanços. Isso inclui o básico: ativo = passivo; diferença entre regimes de caixa e de competência, entre outros. Nos EUA, ao contrário, a gestão pela Contabilidade faz parte da cultura. Nesse sentido, a universidade pode exercer importante papel”.

O SURGIMENTO DA ATIVIDADE DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES

“Estrutura híbrida entre a área financeira e de comunicação”

“Um bom trabalho de Relações com Investidores facilita a captação de recursos”

O setor de RI começou nos EUA, na FORD Motor Co. “Na década de 50, logo após a Segunda Guerra Mundial, seu Presidente identificou que estava aumentando muito o numero de investidores pessoas físicas detentores dass ações da Companhia”. As famílias americanas passaram a investir mais em Bolsa. Os gestores da FORD perceberam que era necessário criar-se um setor capaz de lidar com esses investidores de forma mais simples e menos sofisticada, já que os graus de informação dos mesmos eram menores do que o nível de conhecimento dos analistas de mercado que trabalhavam para os Investidores Institucionais. O CEO da Ford percebeu que a área financeira e a área de comunicação não estavam preparadas para isso. A solução desenvolvida se deu através da criação de uma estrutura hibrida entre finanças e comunicação, dedicada ao atendimento das demandas de comunicação/informação ao mercado, em geral. Estava criada assim a primeira área de RI, a qual pouco a pouco se difundiu pelas demais companhias norte americanas e hoje se tornou uma função altamente reconhecida, valorizada e estratégica. Começou-se a perceber que as empresas que faziam um bom trabalho de RI eram mais bem entendidas pelos investidores institucionais e pelo público em geral, capturando com maior rapidez o valor intrínseco das suas ações, assim como reduzindo seus custos de capital. Além disso, as empresas com boas equipes de RI conseguiam enfrentar eventuais crises com maior facilidade.

O PIONEIRISMO DA ARACRUZ CELULOSE

“O acesso ao mercado de capitais estrangeiro dinamizou a economia brasileira”

“A Aracruz serviu de paradigma, verdadeira universidade”

Segundo Treiger, a especialidade de Relações com Investidores (RI) é recente no Brasil. “Antes, existia no Brasil a atividade de “Relações com Mercado”. Mas, esta era uma atividade esporádica, em geral conduzida pelos diretores financeiros de forma não programada, não estratégica.

A atividade específica de RI começou a tomar um vulto maior no nosso país, principalmente após a primeira listagem da primeira empresa brasileira na Bolsa de Valores de Nova York por meio de ADR’s (American Depositary Receipts). O que aconteceu em 1992 com a listagem das ações da Aracruz Celulose na NYSE, sob a direção do diretor financeiro Mauro Molchansky.

A listagem na NYSE em si foi um empreendimento corajoso, então. Na época registrava-se um alto índice de inflação no Brasil. Linhas de financiamento de curtíssimo prazo, denominadas de “linhas de hot money” sufocavam o crescimento da Companhia. Naquela época, poucos conheciam a contabilidade norte americana, US GAAP (“Generally Accepted Accounting Principles”). Adicionalmente, não havia ainda expertise em relação às exigências legais da SEC (“Securities and Exchange Commission”), dos EUA. Também não havia ainda quem auditasse os números da Aracruz seguindo as normas da contabilidade norte-americana”.

“Para complicar mais as coisas, no dia em que foi dado o “start do trading” dos novos ADRs da empresa brasileira em Nova York, a capa da revista Veja trazia Pedro Collor, denunciando seu irmão, o presidente Fernando Collor de Mello. Apesar dos questionamentos gerados, a Aracruz captou cerca de US$ 300 milhões e eliminou do balanço da empresa as linhas de endividamento mais curtas e mais caras.

Isto foi um marco importante porque no Brasil, isolada e localmente, era bem menor a capacidade de captação de recursos para investimentos. Em paralelo, ao se buscar recursos no exterior, o nível de exposição e de visibilidade tiveram que se tornar mais elevados e o potencial de captação tornou-se muito maior.

A Aracruz passou a chamar a atenção dos investidores para si própria e para outras companhias brasileiras, que vieram a listar seus ADRs em seguida. Obviamente, as exigências de transparência aumentaram. Passou-se a ter a necessidade de se estruturar áreas de RI internacionais, em várias companhias locais.

A Aracruz, portanto, serviu de modelo, de paradigma para as demais, ou uma verdadeira universidade, para as que vieram depois. Depois da Aracruz, outras empresas começaram a acessar o mercado estrangeiro, com muita freqüência. Graças a isso a economia brasileira começou a crescer e a avançar mais. Se permanecesse dependente apenas das disponibilidades de capitais no Brasil, dificilmente isto ocorreria. O próprio governo não dispunha de recursos para fazer seus investimentos. Em seguida, o sucesso do Plano Real e as privatizações iniciaram um ciclo de recuperação efetiva e de maior solidez para a nossa Economia.

Relações com Investidores – “A arte de se comunicar com o mercado e atrair investidores” – O Livro busca ser um manual abrangente para profissionais e interessados na área de RI, fornecendo uma visão mais prática do dia a dia das áreas de RI no mercado brasileiro e internacional.

Relações com Investidores – “A arte de se comunicar com o mercado e atrair investidores” – O Livro busca ser um manual abrangente para profissionais e interessados na área de RI, fornecendo uma visão mais prática do dia a dia das áreas de RI no mercado brasileiro e internacional.

PERFIL DO PROFISSIONAL E A ATIVIDADE DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES

“Três perfis integrados: finanças, comunicação e marketing”

“Informação é sinônimo de poder”

Segundo José Marcos, “RI é uma atividade estratégica”. Ela reúne três tipos de demandas  integradas: finanças, comunicação e marketing (financeiro e não financeiro).

“O RI tem que estar preparado para lidar com diversos públicos (analistas do “sell side”, do “buy side”, de dívida, de agências de risco; com investidores individuais, autoridades; com a mídia, autoridades, estudantes, etc.). Analistas locais e internacionais questionam sobre tudo: sobre a economia brasileira, sobre o nosso contexto político, sobre a concorrência, além de todos os dados econômicos e financeiros da empresa”. Treiger adicionou ainda que: “Na CSN eu tinha que saber muito sobre a concorrência (Usiminas, Gerdau, CST, etc.) – os investidores queriam comparativos”… “Em grande parte, o RI é um vendedor. Seu produto é a sua própria empresa: seus títulos, suas ações no mercado. Assim, o RI tem que repassar a imagem de grande conhecimento, segurança e credibilidade. É um profissional que necessita possuir uma visão profunda do seu negócio. O seu produto é a sua empresa”. Disse Treiger: “Eu não vendia aço, vendia CSN”; não vendia celulose, mas sim, vendia a Aracruz.

Segundo ele, idealmente o RI “estratégico” deveria possuir uma cultura geral grande, entender a economia de forma global, saber falar em público de forma confortável, não deixar-se envolver com perguntas “maldosas”, saber fazer apresentações de acordo com cada platéia, comandando-a e argumentando de forma convincente. Este profissional tem que ter uma boa relação interpessoal com seus pares na empresa, já que se relaciona com as mais diversas áreas na busca de informações. Como informação é sinônimo de poder, o RI tem que ser habilidoso para consegui-la. Quando as informações começam a fluir para a área de RI por iniciativa própria, espontâneamente, das outras áreas, começa-se a perceber o desenvolvimento da “Cultura de Capital Aberto” na empresa.

RELAÇÕES COM INVESTIDORES E MÍDIA

“Relações com Investidores tem uma dimensão jornalística”

A atividade de RI tem uma dimensão jornalística. Segundo Treiger, “É um erro das empresas “fugir” da mídia. A mídia é importante multiplicadora da imagem da Comapnhia. Se a empresa mantiver um bom contato com os jornalistas que cobrem a sua indústria, ela terá menos dificuldades em apresentar “seu lado da história” em momentos de Crise, por exemplo”. Por outro lado, adequar a informação para esse público é necessário, pois a visão dos jornalistas, em geral, costuma ser  diferente da visão dos analistas.

GOVERNANÇA CORPORATIVA E ATIVISMO ACIONÁRIO

“A Expomoney é muito importante”

“O investidor pessoa física tem que ser tratado igual aos grandes”

A Governança Corporativa está ligada a estratégia. O objetivo da Governança é assegurar o direito dos “stakeholder”, principalmente, dos acionistas minoritários, transparência na decisão dos diretores, no uso dos recursos financeiros, ética na condução do negocio, evitar fraude e definir responsabilidades claramente. Registraram-se recentemente no Brasil grandes progressos em relação ao tema. O IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) foi criado em 1995. No caso das Assembléias Gerais de Acionistas, ainda é pequena a participação dos minoritários. Isto se em parte, segundo Treiger, ao fato de que o nosso de mercado de capitais ainda é muito jovem, em comparação com o americano ou o britânico, por exemplo.

“Esta é uma cultura a ser desenvolvida. Eu acho que eventos como a Expo Money – que buscam levar a educação financeira para o mercado inteiro – são, portanto, muito importantes. Através da Expo Money, os investidores pessoas físicas passam a aprender como melhor investir, como avaliar suas escolhas. Hoje, esta parcela do mercado já representa cerca de um quarto do movimento da Bovespa. E, tende a crescer.

Adicionalmente, os investidores individuais têm que ser atendidos pelas áreas de RI da mesma forma que os grandes investidores institucionais. Hoje em dia, boa parte das empresas de capital aberto já possui nos seus web sites de RI informações e kits adequados para cada público alvo”.

ESTÍMULO PARA JOVENS EXECUTIVOS EM RI:

Passagem do livro Relações com Investidores: A arte de se comunicar com o mercado e atrair investidores

A função de RI, relativamente nova, pode ser bastante interessante para quem possuir as seguintes características: interesse, curiosidade permanente sobre a sua própria companhia, desembaraço, domínio de línguas, bons conhecimentos em finanças e bom nível cultural. Trata-se de uma função que obriga um conhecimento profundo e integrado da empresa.

O RI precisa se informar sobre todos os aspectos mais relevantes e estratégicos da sua companhia e interagir com praticamente todos os seus departamentos. Essa visão holística de sua empresa lhe trará imensos benefícios ao longo de sua futura carreira, mesmo que o jovem profissional não permaneça como RI ao longo de toda a sua carreira.

A experiência no time de RI permite a aprimoração das suas habilidades operacionais e como um excelente preparo, como um recurso valioso, nas mais diversas funções futuras; além de um crescimento profissional que pode vir a ser exponencial. “Não há outra área dentro de uma empresa que exija conhecimento e abrangência tão grande sobre a organização, com exceção da presidência”. Além disso, um jovem executivo de RI terá oportunidade de ter grande trânsito e exposição profissional, pois possui grande visibilidade externa. Os profissionais da equipe de RI convivem diariamente com a diretoria executiva, buy side, sell side e grandes investidores. Tal exposição somada ao  conhecimento que o profissional de RI agrega poderá lhe ajudar a voar mais alto que seus colegas. “Os jovens integrantes de RI têm acesso a conhecimentos estratégicos e profundos, ao trocar informações com representantes do mercado global e nacional. A profissão de RI, portanto, pode servir de uma base extremamente eficaz como passaporte para outras áreas.

Lançamento do livro sobre RI de José Marcos Treiger. Marcelo Guimarães, PRESENTE!

Lançamento do livro sobre RI de José Marcos Treiger. Marcelo Guimarães, PRESENTE!

Sérgio Abdon, ex ECO UFRJ, gerente geral de Consultoria de RH da InfoGlobo: “As empresas de comunicação não só estão aptas, como ávidas para absorver universitários com esta formação de Publisher

Em Entrevistas, junho 25, 2009 às 2:01 am

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Em entrevista exclusiva, concedida ao universitário Marcelo Martins Guimarães (ADM/ UFRJ) para a sua monografia: Integração Universidade-Empresa: A Importância da Formação Multidisciplinar – O Caso do Publisher, o diretor da área de consultoria de Recursos Humanos da InfoGlobo, Sergio Abdon, ex-aluno da Escola de Comunicação da UFRJ, estimulou uma maior aproximação do mundo universitário com o corporativo e destacou a importância da formação multidisciplinar. Ao comentar sobre o programa piloto de formação em Publisher (integração de Administração de Empresas com Comunicação UFRJ/ USP), Abdon afirmou que: “as empresas de comunicação estão ávidas por profissionais com este perfil”. Trabalhando há 20 anos nas organizações Globo, Abdon iniciou como fotógrafo e redator publicitário, foi gerente de operações comerciais e há 5 anos trabalha na área de Recursos Humanos da InfoGlobo. A InfoGlobo é responsável pelos seguintes produtos: Jornais O Globo, Extra, Expresso e Diário de São Paulo; O Globo on line e O Extra on line; Valor Econômico (junto com a Folha de São Paulo) e o site Zap (junto com O Estadão). Conheça melhor a visão do ex-universitário da UFRJ (da mesma turma do Professor Eduardo Refkalefsky). Com a palavra, Sérgio Abdon.

Como avalia a Integração entre a Universidade e a Empresa?

S.Abdon: Está em estágio embrionário. Existem inúmeras oportunidades inexploradas tanto por parte da empresa quanto da universidade. Poderia existir uma conexão maior. Acredito que o papel da universidade não seja essencialmente preparar para o mercado de trabalho, tem um papel de reflexão, de proporcionar o contato com conteúdos e teorias diversas que na escola não tivemos oportunidade, mas preparar melhor para o mercado de trabalho também é fundamental. Todos nós esperamos sair da universidade bem empregados. As universidades públicas, principalmente, adotam, muitas vezes, um discurso de aversão ao capitalismo, ao empregador, à relação de trabalho, que muitos profissionais saem da universidade com a visão de que todo o empresário e chefe são exploradores de mão de obra. É uma forma pouco construtiva de participar e ser ativo nos acontecimentos. Esse discurso está muito distante do necessário para o mercado de trabalho. Se houvesse uma comunicação mais construtiva, ambos os lados poderiam manter a sua essência, permitindo construir carreiras mais bem sucedidas e aumentar o percentual de emprego. Há certa resistência universitária em relação às empresas.

E no caso da Integração da InfoGlobo com a universidade?

S.Abdon: Ainda estamos engatinhando nessa integração. Há empresas muito mais avançadas nisto quando comparados com a InfoGlobo. Nossa presença nas universidades é muito tímida, restringindo-se, muitas vezes, a colar cartazes e divulgar programas de estágio anualmente. Poderíamos ter uma conexão mais forte com as universidades, dando uma visão para o universitário/ estagiário sobre o mercado de trabalho dentro da empresa, fazendo parcerias em pesquisas, grupos de trabalho, busca de conhecimento, inovações. Nós temos dificuldade de atrair estagiários de tecnologia. Por ser jornal, não é feita uma associação direta, mas a empresa é altamente impactada por tecnologia, mudando, nos últimos 10 anos, radicalmente, seu processo de produção com inúmeras inovações tecnológicas. Caso tivesse uma maior aproximação atrairíamos mais estagiários desta área. Temos que nos vender melhor. O conhecimento deste público universitário é fundamental para nós. O nosso consumidor de jornal está envelhecendo. Hoje os jovens não têm habito de ler jornais como antigamente. Temos que fazer com que este público nos conheça melhor e temos que conhecer melhor este público. Interessa-nos tanto como cliente como para mão de obra.

E o papel da universidade na capacitação profissional?

S.Abdon: Nesse papel a universidade não ajuda muito. A parte profissionalizante está muito aquém do que poderia ser. Deveria buscar maior contato com o mundo corporativo, através de maior contato com profissionais, disciplinas mais voltadas para o dia-dia do mercado de trabalho, entre outros. Eu atuo há 20 anos na empresa, sendo 15 anos na área comercial e há 5 anos na área de Recursos Humanos. Os profissionais dessas áreas ressentem muito dessa formação profissionalizante na universidade. No RH há muitos psicólogos, que tiveram uma formação na universidade com viés muito clinico, com pouca visão para o mercado de trabalho. É tudo aprendido na prática do dia-dia. É um desperdício ficar 4 anos na universidade com todo um preparo/approach sem discutir-se quase isso. Na área comercial, a mesma coisa. Ninguém faz faculdade para ser vendedor, mas diversos universitários vão trabalhar na área de vendas. Então um curso de publicidade, administração, entre outros, poderiam ter disciplinas eletivas que dessem essa opção. Não se trata de transformar as universidades em curso profissionalizante, mas tem que dar alternativas para que as pessoas, que tivessem mais esse perfil, acelerassem este processo e entrassem no mercado de trabalho mais preparadas.

Como as empresas buscam superar isto?

S.Abdon: Houve no mercado um movimento muito forte de montar universidade corporativa, ou modelos de educação corporativa. As empresas avançaram muito para isso porque as pessoas recém chegadas da universidade carecem de preparo profissional. A universidade corporativa tem um viés muito profissionalizante. Buscam-se o crescimento, a qualificação, o treinamento e o desenvolvimento das pessoas com o objetivo de se obter melhores resultados empresariais. Acho pretensioso chamar de universidade. Este termo tem um escopo mais amplo. Uma aproximação maior entre os dois modelos seria interessante. Trazer mais a universidade para dentro da empresa e vice versa. Aqui nós temos a Academia InfoGlobo. Convidamos vários professores universitários para darem aula na Academia. Temos aula de Antropologia do Consumo, Comportamento do Consumidor, Marketing de Serviços, Gestão do Conhecimento, entre outras, sempre buscando um viés mais profissionalizante. A universidade poderia fazer o mesmo. Manter a sua essência acadêmica, e avançar na parte profissionalizante. Há uma zona de fronteira mal trabalhada tanto do lado da empresa quanto do lado da universidade.

O que é a Academia InfoGlobo?

S.Abdon: É um modelo de educação corporativa, onde procuramos oferecer cursos específicos para diversas áreas da empresa. O objetivo é qualificar os profissionais buscando integrá-los mais a organização como um todo e fazer com que eles estejam aptos a aproveitar as oportunidades que surgem na organização. Por exemplo: um contínuo que fez o curso de fundamentos de excel, caso abra uma vaga para assistente administrativo, ele está capacitado a concorrer. A academia tem 5 anos e tem um portfólio de mais de 100 cursos de treinamento para diversas áreas. Desde os mais genéricos, como excelência em atendimento e negociação, até mais específicos, como manuseio de tintas para impressão e fotografia. Oferecemos um “empurrão inicial”, funcionando como se fosse um abridor de apetite. Não sairá um especialista no assunto. Não teríamos disponibilidade orçamentária, tempo, e nem é nossa intenção. Queremos profissionais que busquem seu auto-aperfeiçoamento, que sejam ativos na sua própria capacitação. A academia é muito valorizada pelos funcionários.

Como avalia as mudanças do setor de comunicação?

S.Abdon: O negócio tem se tornado mais complexo. Nós avisamos para todos que entram na empresa, principalmente jornalistas: o que você faz hoje, no máximo em 2 anos, será totalmente diferente. Não é jornal, é informação. Há 12 anos atrás nós éramos apenas um produto: Jornal O Globo. Durante mais de 70 anos. Juntando hoje nossos 4 jornais: Extra, Expresso, Diário de São Paulo e O Globo. Temos a mesma circulação média diária nacional do O Globo há 12 anos atrás: 750 mil. O negócio está muito mais difícil. Neste momento precisa-se, mais do que nunca, de novas idéias, de novas pessoas.  Nesse sentido, uma maior aproximação com as universidades é fundamental. Claro que sempre equilibrado com profissionais de experiência, que é essencial.

Como se estrutura as organizações Globo?

S.Abdon: Os grupos são muito separados. Não existe uma operação comum, centralização de decisões. Isto está ligado a própria historia das empresas. O Roberto Marinho sempre acreditou que nós estando no mercado dessa forma, há condições de conquistar um bolo maior de receitas, de clientes, de resultado, do que se fosse uma única empresa. Concorremos em disputar o mercado publicitário (TV/ Radio/ Jornal). A agência recebe o contato da Tv, da rádio e do jornal. E por isso cada um possui a sua estrutura e dinâmica própria. Talvez, somente no PanAmericano é que nós fomos ao mercado juntos, vendendo um pacote de mídia (TV, Internet, rádio, jornal). Mas não é a pratica.

A convergência de mídia atualmente vem colocando este modelo em xeque. Por exemplo, hoje na internet temos o G1 que é da Tv Globo e O Globo On line que é da InfoGlobo.

Como está estruturada a área de Recursos Humanos da InfoGlobo?

S.Abdon: São 2700 funcionários na empresa. Temos uma área única de Recursos Humanos. No Rio de Janeiro, a parte central, com 30 pessoas, um posto avançado em Brasília e outro em São Paulo, com 1 e 3 pessoas respectivamente. A estrutura básica é: Diretoria Geral e três grandes áreas: produto, serviço e consultoria.

Qual a função de cada área: produto, serviços e consultoria?

S.Abdon: Produto: aqui estão os especialistas de RH. É estabelecida a diretriz geral. A interação básica dessa área é com a diretoria e, às vezes, acionistas. Fala-se em nível mais estratégico, mas é um jargão que eu evito, pois para mim estratégia também é operação, devem andar juntos. Aqui são definidas as políticas, os produtos. Por exemplo: se o nosso Plano de Saúde será AMIL ou BRADESCO; se vamos trabalhar com a UFRJ ou IBMEC para fazer um curso; as políticas de treinamento, de benefícios, de remuneração, de recrutamento.

Serviços: o dia-dia do RH. Folhas de pagamento, restaurante, atendimento de balcão. Interação básica com os funcionários.

Consultoria: é a ponte entre o Recursos Humanos e os gestores das áreas. O perfil em consultoria é conhecer mais o negócio do que RH. Tem que traduzir a linguagem do negócio para o RH e vice versa. Aqui, a interação básica se dá com os gestores das áreas. Ex: A consultoria é como se fosse o setor de atendimento de uma agência de publicidade, que faz o briefing, além de levar para a criação e avaliar em relação ao que foi pedido pelo cliente. É área de meio de campo entre RH e outras áreas (Tecnologia, Marketing, Redação, Distribuição, Gráfica).

Quais têm sido os desafios da área de Recursos Humanos da InfoGlobo?

S.Abdon: O grande desafio do RH é aproximar-se da estratégia de negócios e traduzir isso em políticas de carreira, treinamento, que ao mesmo tempo, sejam alinhados com os desafios da empresa e sejam bem percebidos pelas áreas. Ter habilidade para entender o outro lado e fazer a ligação de uma área com a outra. Imagine levar um treinamento, avaliação de desempenho para um parque gráfico e redação. O perfil/ ego do profissional na redação, tecnologia, distribuição, gráfica são totalmente diferentes. Cada especialidade significa formação, perfil e vocação diferentes. Não tem como fazer com que a redação fale a mesma linguagem do RH e da Tecnologia. Isto nem seria positivo. Gerenciar isto é um papel do RH.

Como funciona o processo seletivo?

S.Abdon: No aspecto da contratação profissional nós trabalhamos em parceria com empresas de contratação e utilizamos muito o recrutamento interno  O nosso processo seletivo tem três grandes etapas: 1- análise de currículo, para avaliar adequação a vaga, em termos técnicos, de experiência. 2- Entrevista ou dinâmica de grupo com o RH. 3- Entrevista com o gestor. A decisão final sempre será do gestor. A condução do processo é pelo RH. A responsabilidade de ambos.

E na área de redação?

S.Abdon: Na redação sempre tem um jornalista como referência dos estagiários para acelerar o próprio aprendizado dos universitários. Tecnicamente o departamento de RH tem pouco a contribuir para a formação jornalística. Nós temos como premissa que as áreas melhor que ninguém sabe melhor as habilidades a serem desenvolvidas, tecnicamente. O RH é um viabilizador. Atualmente o Luis Paulo Horta é responsável pelo programa de estágio da redação do InfoGlobo.

Quais habilidades buscam avaliar no processo seletivo?

S.Abdon: Uma preocupação especial que temos é com o comportamento. Existe um jargão em RH que diz: “’nós contratamos pelo currículo e demitimos pela atitude.” Técnica é fácil fazer aprender, mas mudar comportamento é complicado. Depois dos 7 anos já é difícil, imagine depois dos 40 anos. É fundamental tentar identificar determinadas atitudes no processo de seleção. Nós fazemos entrevista por competência: um roteiro de perguntas, que busca traçar o perfil e o comportamento do candidato. Muitos profissionais que são ótimos técnicos não se saem bem em níveis gerenciais. Relacionamento interpessoal é muito importante. Temos buscado equilíbrio entre a técnica e o comportamento. É um desafio para o desenvolvimento de pessoas.

O Plano Diretor da UFRJ 2010/ 2020 prevê a concentração de todos os cursos de graduação na Cidade Universitária, com o objetivo principal de estimular formações interdisciplinares. Como avalia isso?

S.Abdon: Dentro de uma empresa é cada vez menos comum você ver um funcionário que começa com uma determinada formação e tarefa e continua sua carreira ao longo do tempo numa linha muito especifica. A gente procura dentro da organização dar ao funcionário uma visão mais ampla sobre o mercado em que ele está inserido para que entenda o impacto da sua função em outras funções. O fato de ter funcionários que já trabalharam em duas ou três áreas da empresa, faz com que entenda melhor a relevância do trabalho de outro departamento e o impacto do seu departamento no processo como um todo. Quando o universitário sai da universidade e entra no mercado de trabalho, achando que é o momento dele fazer uma opção, eu acho que é o momento para conhecer as alternativas. A universidade não oferece conhecimento suficiente sobre o que ele vai encontrar no mercado de trabalho. A universidade tem que ter a preocupação de ao mesmo tempo especializar e dar uma visão mais ampla do universo do mercado de trabalho para o jovem. Essa visão mais ampla e multifuncional é o que as empresas estão buscando.

Como você avalia esta minha formação em Publisher (Administração  de Empresas + Comunicação)? Acredita que as empresas estão aptas a absorver profissionais desse perfil?

S.Abdon: Não só aptas, mas ávidas para absorver profissionais deste tipo. Desde que estou no RH, isto é discutido. Claro que isto vai variar entre as organizações, falo do setor de comunicação. Cresce muito o número de funções que demandam essa visão multidisciplinar. Quando falamos em redução de nível gerencial, estamos falando nessa formação. No redesenho organizacional que tivemos recentemente, passamos a ter uma Diretoria de Desenvolvimento de Projetos e Negócios.  É necessário que este profissional entenda de jornal, a atividade fim, e também de outras áreas, como: vendas, marketing, finanças, entre outras. Hoje, se eu fizer um processo de seleção, o profissional que já tiver tido experiência na área de logística, comercial e RH, sairá na frente do que tiver experiência em uma das áreas. Este tipo de formação acadêmica é muito bem avaliada pela empresa, mas passará a ser realmente atraente quando for também prática.

Possuem programas de trainee que permita ter uma visão de todas as áreas da empresa?

S.Abdon: Não temos programas formais nesse sentido. Discutimos e queremos ter. A área de RH de produtos está pensando nisso. As iniciativas que temos que levam a uma maior interação entre as áreas são: a academia Infoglobo, que une numa mesma turma, profissionais de diversas áreas. Por exemplo: jornalistas e vendedores. O próprio recrutamento interno contribui para isso. Eu vim da área comercial para a área de RH. Outro programa chamado Novos Rumos, destinado aos profissionais que estão no último ano da faculdade, porém estão atuando numa área distinta na empresa, tem a oportunidade de estagiar na área do seu curso e optar por qual área ficar ao final do estágio. Tivemos um caso recente em que um jornalista, que fez sua segunda faculdade em direito, transferiu-se para a área jurídica, após o estágio.

Livro de Luiz Kaufmann, escrito em 1990, dá lições de gestão extremamente atuais para as empresas brasileiras. A formação estratégico gerencial nas universidades, ainda é um desafio na conquista do Passaporte para o Ano 2020

Em Entrevistas, junho 17, 2009 às 1:49 am

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

 

  

Escrito em 1990, livro mostra desafios gerenciais atuais. Alteraria o título para Passaporte para o Ano 2020 e manteria o conteúdo

Escrito em 1990, livro mostra desafios gerenciais atuais. Alterando o título para Passaporte para o Ano 2020, o conteúdo continuaria o mesmo

Livro de Luiz Kaufmann Passaporte para o Ano 2000: Como Desenvolver e Explorar a Capacidade Empreendedora para Crescer com Sucesso Até o Ano 2000, escrito em 1990, demonstra total atualidade, quase 30 anos depois, no presente contexto brasileiro, indicando que há, ainda, inúmeros desafios a serem superados na capacitação estratégico gerencial das empresas, principalmente, na formação de novas lideranças universitárias executivas. Se mudássemos o título para Passaporte para o Ano 2020, lançando um novo livro, o conteúdo e os desafios seriam, praticamente, os mesmos.

Em entrevista exclusiva concedida ao universitário Marcelo Martins Guimarães, Luis Kaufmann fala sobre a importância crescente da Integração Universidade Empresa e da necessidade de formarmos profissionais generalistas e multifuncionais, antecipando a visão estratégico-gerencial de negócios. Segundo ele, “São escassos profissionais deste tipo. Ainda mais, recém formados. Desenvolver, inicialmente, esta visão da floresta, para depois, aprofundar-se nos detalhes das árvores, ainda é um desafio”. Com a atual crise econômica o mercado encontra-se em pleno vapor para Kaufmann que, através de sua empresa, a L. Kaufmann Consultores Associados, diz não se envolver e desenvolver mais projetos de consultoria por falta de tempo “se o dia tivesse 72 horas, daria para tentar atender as demandas de projetos que surgem, mas como só tem 24 horas, não é possível”. No auge dos seus 63 anos, tem buscado conciliar mais suas realizações individuais com as profissionais, administrando melhor o seu tempo, citando caso, contado por Jorge Paulo Lehman, em encontro com Warren Buffett, à época, recém considerado o homem mais rico do mundo, em que se dirigindo ao Lehman, disse: “Sabe por que eu sou o homem mais rico do mundo? (Retirou uma mini-agenda preta do bolso, abriu e mostrou para Lehman com os horários totalmente vazios) Porque eu tenho total controle de meu tempo” ”.

Kaufmann tem como inspiração o poema Instantes, do Jorge Luis Borges, que tomou conhecimento através de um amigo, na época em quefoi submetido a uma cirurgia cardíaca em outubro de 1989, e encontrou tempo e estímulo para escrever seu livro: “Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros,…Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios”. Com a palavra, ou melhor, com as “previsões”, o executivo e consultor, que considera o valor de uma experiência inesquecível, Luiz Kaufmann.

Luiz Kaufmann: "Formação universitária generalista e  multidisciplinar é cada vez mais necessária"

Luiz Kaufmann: "Formação universitária generalista e multidisciplinar é cada vez mais necessária"

Qual sua visão sobre a integração entre a universidade e a empresa?

L.K.: A integração universidade-empresa precisa ser expandida fortemente, para que os universitários iniciem suas carreiras no mercado de trabalho, com uma formação mais adequada a realidade da vida empresarial. No meu caso tive o benefício de trabalhar em uma grande “escola” , que foi a Arthur D.Little. Em uma consultoria internacional, o profissional está permanentemente em contato e trabalhando lado-a-lado com pesquisadores, pensadores e especialistas dos mais diversos setores e áreas do conhecimento, para melhor liderar e gerenciar os seus projetos. Existe uma grande ligação entre conhecimento, expertise, reflexão e ação. Entre pesquisa e análise e tomada de decisão gerencial. A informação é necessária para uma melhor tomada de decisão. Nesse sentido, acredito que deveria haver uma relação mais próxima entre a universidade e empresa, – seria muito benéfica para ambos os lados. Para a empresa, que estaria constantemente se atualizando e aprimorando seus processos, e para a universidade que estaria diretamente ligada às questões empresariais, em nível de tomada de decisão, enriquecendo suas descobertas e seu arcabouço ,teórico de forma mais integrada. O que poderia ter um efeito multiplicador. Estou um pouco afastado da universidade, mas minha visão é que a Universidade, muitas vezes, fica à distancia da realidade empresaril, , desenvolvendo teses acadêmicas pouco relevantes, ou por vezes até inconsistentes com a realidade empresarial. Aquela famosa brincadeira: quem sabe faz, quem não sabe ensina..  O desafio é como conseguimos utilizar a capacidade de pesquisas e conhecimento nas universidades de forma integrada a realidade e necessidades das empresas.

A UFRJ está discutindo o Novo Plano Diretor (2010/2020). Está previsto a concentração de todos os cursos na Cidade Universitária (Ilha do Fundão). Busca-se com isso uma maior integração entre as diversas áreas do conhecimento e uma formação universitária mais flexível e interdisciplinar. O que acha disso?

L.K.: Acho de fundamental importância. O mundo está globalizado, é necessário que se tenha crescentemente visão global e mais generalista para ser competitivo. Apesar do grande avanço que tivemos na profissionalização das empresas brasileiras nos últimos anos, ainda são escassos os profissionais que possuam esta visão mais integrada. Eu mesmo se fosse voltar atrás em minha formação em engenharia industrial, e tivesse este grau de flexibilidade, buscaria fazer cadeiras em outras áreas, como: teatro, para se comunicar melhor, falar em publico, perder inibição; direito empresarial considerandoque noções , principalmente quando chegamos a cargos mais elevados na organização, e assim por diante.. Ter noções de finanças, planejamento, contabilidade, marketing, ou seja, entender os fundamentos básicos de uma organização. Comunicação. Comunicação é uma das grandes deficiências dos profissionais, principalmente a nível executivo, nas organizações. Uma boa capacidade de comunicação é essencial em todas as áreas.. Comunicar é um grande desafio. Adequar a linguagem para cada tipo de publico, de forma integrada. Acho que a universidade está no caminho certo em buscar uma formação multidisciplinar. É mais ou menos o que as grandes multinacionais buscam com seus programas de trainees gerenciais.

Por que considera a Arthur D Little sua grande escola?

L.K.: Depois de ter me formado em engenharia mecânica na Universidade Federal do Paraná, fui trabalhar em São Paulo na Serete Engenharia. Inicialmente exerci funções na área técnica. Fui fazer o mestrado em Métodos Quantitativos no Illinois Institute of Technology de Chicago. Quando voltei, fiquei responsável em implantar um Sistema de Informação Gerencial na empresa.Mesmo sem ter muita noção sobre planejamento, finanças, contabilidade fiquei responsável por sua implantação. Adquiri neste periodo sólida visão financeira, de planejamento e contábil. Minha formação não tinha me fornecido esses conceitos básicos. Depois desta experiência fui indicado para Diretor Financeiro da Serete e posteriormente convidado para ser diretor geral da Arthur D Little no Brasil, que buscava implementar-se e posicionar-se no Brasil. Foi uma grande escola, pois lidei com projetos dos mais diversos setores. De construção civil, telecomunicações, mineração, agropecuária, bancos, varejo, entre outros. Isto abriu a minha cabeça. Passei a ter uma visão mais estratégica e global dos negócios. Liderando projetos e equipes multifuncionais. Pessoas de diversas formações fazem parte da equipe: historiadores, biólogos, médicos, sociólogos. Não importa tanto a área de formação, mas sim suas habilidades pessoais, comportamentais, de liderança. Sem essa experiência na Arthur D Little, dificilmente, teria feito uma carreira executiva. Provavelmente seria um diretor da área técnica de uma empresa..  Outra experiência riquíssima em minha formação foi o programa patrocinado pela Associação Universitária Interamericana que selecionava, na década de 60, época da Guerra Fria, universitários com perfil de liderança para viajarem para os Estados Unidos, conhecer Washington, Nova York, Boston, intelectuais e personalidades diversas e fazer um curso de desenvolvimento econômico na Universidade de Harvard. Participaram também deste programa profissionais que viriam a ter destaque no Brasil como Pedro Malan, Marco Maciel, Cristovam Buarque entre outros (Foram 900 selecionados em 10 anos por Achim Fuersthental, psicólogo por formação, o mais famoso head hunter da época para multinacionais, responsável pelo processo de escolha dos bolsistas).

Quais projetos destacariam em sua experiência na Arthur D Little?

L.K.: Foram inúmeros projetos, de diversas áreas – Vale do Rio Doce, Unibanco, Alpargatas, Mendes Junior, etc..e finalmente o Banco Multiplic que foi o meu último cliente de consultoria. Dali fui convidado a ssumir a Direção Geral do grupo Multiplic, que também foi uma rica experiência. Foi a primeira instituição no país a ser gerenciada como banco múltiplo, antes da legislação permitir às instituições financeiras se organizarem sob essa forma. Eu era o coordenador do projeto. Depois fui convidado, em 1985, pelo Ronaldo César Coelho e o Antonio José, para assumir a direção geral da holding e a vice presidência do Conselho Diretor do Banco Multiplic. A Holding tinha a divisão financeira, divida em atacado e varejo. A divisão industrial. A divisão de mineração. A divisão agro-industrial. A divisão de outros negócios. Quatro anos após, em 1989, o grupo estava profissionalizado e estruturado e a sua principal empresa, o banco de investimentos, encerrava o ano como o maior banco do setor no país.

Como foi a sua experiência na Aracruz Celulose?

L.K.: Quando fui ser presidente da Aracruz Celulose em 1992, a empresa acumulava mais de US$ 1 Bilhão em dívidas. Estava numa situação financeira muito delicada após a queda do preço da celulose. Pagava juros de 33%. Tinha uma m entalidade de empresa paternalista, totalmente estatal, de baixa produtividade, sem foco em resultados. Implementamos um plano de ação em que foi feito um forte e rápido enxugamento de quadros. Reduzimos de 8000 para 2300 funcionários, aumentando a produtividade em seis (6) vezes. Direcionamos a organização totalmente para resultados, repensando toda a cultura anteriormente paternalista, introduzindo compensação variável e por desempenho. Terceirizamos funções secundárias. Eliminamos a burocracia. Redesenhamos a estratégia financeira e reconstruímos a credibilidade nos mercados financeiros com uma grande transparência. Lançou-se papéis na Bolsa de Nova York e captaram-se recursos a juros mais baixos no exterior para serem aplicados no Brasil, aproveitando as altas taxas de juros. A empresa passou a obter ganhos financeiros positivos e emergiu como uma das empresas mais saudáveis do setor, com 90% de suas vendas no mercado internacional. Foi uma rica experiência.

Qual a importância da comunicação e da transparência nas organizações ?

 

 

L.K.: Considero a comunicação um pilar fundamental para o bom funcionamento de qualquer organização. Tanto a comunicação com o público externo, quanto com o publico interno são essenciais para o sucesso das organizações. Infelizmente, poucas empresas têm dado atenção suficiente a este tema, que é tratado muitas vezes como algo complementar, sem ter importância estratégica. Um processo de comunicação transparente e consistente tem que permear toda a cultura da empresa no seu relacionamento com seus diversos públicos diretos e indiretos. Um forte departamento de Relações com Investidores, Assessoria de Imprensa, integrados diretamente com o CEO são fundamentais para atingir este objetivo, porém não suficientes. Um desafio é transformarmos gestores em comunicadores. Isso faz a diferença. Na comunicação externa é necessário que as empresas se aprimorem para serem mais competitivas e serem vistas com “bons olhos” por seus diversos públicos, incluindo investidores. Empresas que possuam características iguais, mas não sabem comunicar isso em benefícios para o mercado, não se diferenciarão. Os investidores estão cada vez mais exigentes. . Credibilidade é condição sine qua non para acessar os mercados, captar recursos junto à comunidade financeira e investidores nacionais e internacionais. Um processo de comunicação eficaz e descentralizado facilita com que as organizações se adaptem as mudanças e corrijam seus rumos, agilizando o processo decisório.

Quais os principais critérios de seleção de pessoal utilizados por você?

L.K.: Considero a seguinte escala nos critérios de seleção: primeiro, perfil pessoal, em especial caráter, transparência intelectual, transparência ; segundo, habilidades profissionais; e terceiro, habilidades acadêmicas.

Estabeleço como condições sine qua non no processo de seleção (reafirmando os critérios presentes em seu livro): caráter, integridade e lealdade. É necessário ter total confiança em quem contratar. Determinação e garra. Talento, iniciativa e criatividade. Respeito ao próximo. Vontade de aprender e capacidade de adaptação.

Utilizo como principal critério de seleção a realização de entrevistas pessoais diversas. É um procedimento muitas vezes falho. Muito importante o candidato ser entrevistado por várias pessoas de minha confiança. Quanto mais pessoas, de diferentes paradigmas e visões entrevistarem, reduz-se, apesar de não eliminar, as chances de erro. Referências, são também fundamentais.

Por que decidiu patrocinar o Corinthians quando foi Presidente da Medial Saúde?

L.K.: Este fato foi bem interessante, pois foi tudo decidido em menos de 24 horas. O Diretor de Marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rozenberg, nos ligou perguntando se não queríamos patrociná-los. Só que teria que ser decidido naquele dia. Não tinha visão nenhuma sobre Marketing Esportivo. Ligamos para vários especialistas do ramo e decidimos patrocinar. Investimos 16,5 milhões, quase 80% de nossa verba total de marketing. Foi um excelente investimento, gerando grande visibilidade, exposição e retorno para a marca. Inclusive fora do Brasil. Diversos conhecidos comentavam que a marca Medial estava sendo vista e divulgada lá fora, devido ás transmissões de TV.  O retorno em mídia que a marca teve com o Corinthians foi acima de 1 Bilhão de reais..

Considera a Cultura do Banco Garantia um marco no Capitalismo Brasileiro?

L.K.: Sem duvidas, considero a cultura do Garantia um marco no capitalismo brasileiro. Cultura desenvolvida, principalmente, pela personalidade e brilhantismo do Jorge Paulo Lehman e do Marcel Telles.O primeiro, um grande estrategista e pensador e o segundo um espetacular executivo. Os pilares fundamentais do Garantia são: valorização extrema das pessoas, identificação de talentos e formação de novos líderes; meritocracia de resultados; e transformação dos funcionários em sócios. Estes pilares permeiam toda a cultura das suas empresas até hoje, mesmo na nova geração.

O Sam Walton, criador do Wall Mart e o Warren Buffett possuem bastante influência no perfil do Jorge Paulo Lehman.

L.K.: O Jorge Paulo tem o seu próprio estilo, não precisa copiar ninguém. Mas também tem a modéstia necessária para ver o que os outros fazem de melhor e absorver este conhecimento.

Em seu livro, o executivo do século XXI tem o perfil dividido em: 1- áreas de conhecimento (expertise), 2-características pessoais, 3-estilo gerencial e 4-experiência. Considera que as características listadas continuam as mesmas?

Expertise – Formulação de Estratégias, Administração de Recursos Humanos, Marketing e Vendas, Negociação e Resolução de Conflitos

L.K.: Manteria todas as habilidades e acrescentaria capacidade de investigação, de buscar informação (biblioteconomia). Enalteceria também a importância de vendas, que muitas vezes é vista erroneamente por muitos de forma preconceituosa. Capacidade de vendas é essencial para qualquer profissional independente da área.

Características Pessoais – Ético, criativo, entusiástico, mente aberta, inteligente, inspirador, enérgico, encorajador.

L.K.: O executivo, o líder, tem que servir de exemplo para a equipe. Não basta falar, tem que fazer. Considero todas essas características fundamentais.

Tem se discutido a forma de melhor avaliar as habilidades pessoais como critério de seleção para os vestibulares. Considera-se que muitas pessoas podem apresentar capacidade empreendedora, que submetidos a uma universidade teriam um efeito multiplicador superior a pessoas que apresentam maior conhecimento técnico e teórico, sem ter certo perfil. Como avalia isso?

L.K.: Acho extremamente positivo. Muitas universidades americanas já têm feito isso. Os processos seletivos empresariais já o fazem. Não basta apenas avaliar conhecimento técnico ou acadêmico. . Vejo positivamente este tipo de avaliação.

Estilo Gerencial – Planejamento de carreiras e sucessão; desenvolvimento gerencial; vincular remuneração a resultados; delegar autoridade; ser um grande comunicador.

 

L.K.: Mais do que nunca o executivo tem que ligar os objetivos individuais com os organizacionais. Buscar esta sintonia é fundamental. Apesar disso não ser possível em muitas situações, principalmente, as que envolvem reestruturações, intervenções externas, em que o conflito e a ansiedade são parte do processo..

Experiência- Submetido a turnarounds (gerenciamento de crises e situações complexas); experiência em diferentes negócios e áreas funcionais; experiência internacional e em fusões e aquisições.

L.K.: Considero que são experiências ótimas para a formação completa de um executivo. A minha atuação na Arthur D Little me forneceu essas experiências.As multinacionais em seus programas de desenvolvimento propõem isso.

 Similar ao que ocorre nas universidades americanas, fiz uma formação hibrida, com área de concentração major em Administração de Empresas (foco em estratégia e finanças) e minor em Comunicação. Qual sua visão sobre este tipo de formação? Como avalia que será visto pela diretoria das empresas e o mercado em geral?

L.K.: São escassos os profissionais deste tipo. Ainda mais, recém formados. Desenvolver, inicialmente, esta visão da floresta, para depois, aprofundar-se nos detalhes das árvores, ainda é um desafio. Demandam-se cada vez mais profissionais com uma visão generalista e multidisciplinar para atuar nas organizações.. No aspecto da formação universitária para desenvolver este perfil, quanto antes desenvolver esta visão mais global e integrada, melhor. Entender o todo e como as partes se relacionam e se integram ao todo é fundamental. Muitas vezesnão é necessário um conhecimento profundo, técnico especializado sobre determinado assunto. É necessário entendermos a lógica de determinado negócio para fazer as perguntas relevantes para uma tomada de decisão adequada. Ter uma sólida base teórica para atuar nas organizações é de grande importância, apesar de não ser suficiente. . É necessário cada vez mais preparo e formação para atuar em nível estratégico. Como disse, se tivesse oportunidade de voltar atrás e tivesse esta mobilidade de direcionar meus estudos para outras áreas, o faria com certeza. É um diferencial este tipo de formação. O mercado precisa e precisará cada vez mais de profissionais desse tipo. A universidade deve seguir cada vez mais este caminho multidisciplinar.

Fale um pouco dos seus projetos atuais?

L.K.: Atualmente, estou como presidente consultivo da Santelisa Vale, a segunda maior do setor sucroalcooleiro do país, estando responsável em recuperá-la e reestruturá-la. Está com uma divida de mais de 3 bilhões de reais. É o projeto de consultoria que estou mais envolvido atualmente. Neste período de crise, aumenta-se a procura pelos serviços da L Kaufmann Consultores Associados, se o dia tivesse 72 horas, daria para tentar atender às demandas de projetos que surgem, mas como só tem 24 horas, não é possível. Tenho participado e tendo sido convidado a participar do conselho de administração de diversas empresas.

E o poema Instantes, do Jorge Luis Borges, continua válido? “Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros,…” “Correria mais riscos, viajaria mais. Contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios”

L.K.: Sem dúvidas, este poema tem grande importância em minha vida, pois remeto ao período de grande dificuldade, que me submeti a uma cirurgia cardíaca, em outubro de 1989,. Quando tive tempo e estímulo para escrever o livro. Fiz uma parada para balanço. A gente se dá conta que a vida é efêmera. É um belíssimo poema. Tiro uma grande lição dele.

Leonardo Pereira, diretor de RI da GOL: “O profissional de RI que não tiver uma visão estratégica e de mercado vira papagaio”

Em Entrevistas, junho 17, 2009 às 1:21 am

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Leonardo Gomes Pereira é Diretor Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores da GOL. Antes trabalhou por dois anos como Diretor-Presidente da Companhia do Vale do Araguaia, do ramo de florestas, e por seis anos como Diretor-Executivo Financeiro e de Relações com Investidores da NET Serviços, empresa líder de serviços via cabo na América Latina. Por cinco anos foi Diretor de Planejamento na Globopar, e esteve no Citibank por 13 anos em várias funções no Banco de Finanças Corporativas no Brasil, na Ásia, na América Latina e nos Estados Unidos, responsável pela área de Aviação para a América Latina. É membro do Comitê de Governança Corporativa da Câmara de Comércio Americana em São Paulo e membro do Conselho de Administração da M. Dias Branco. É formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Economia pela Universidade Candido Mendes, é mestre em administração de empresas (MBA) pela Warwick University, no Reino Unido. Fez cursos de extensão em Finanças no IMD, na Suíça, e de Gerência Geral na Wharton Business School, nos Estados Unidos, e na The Association for Overseas Technical Scholarship (AOTS), no Japão. Participou do Senior Executive Program na  University of Columbia em Nova York.

Leonardo Pereira diz possuir um estilo mais desbravador, de buscar objetivos. Praticante de trilhas acima de 5000 metros de altitude, encara seus desafios profissionais como estivesse se preparando para chegar ao alto de uma montanha: “Quando chego no alto da montanha, acabou o desafio. Passo a pensar na próxima. Isto me motiva.” Recém chegado de seu primeiro road show pela GOL, Leonardo, concedeu entrevista exclusiva na sede da GOL no aeroporto de Congonhas. Com a palavra, o RI “desbravador de montanhas”.

O RI Zé Carioca. "O profissional de RI que não tiver uma visão estratégica e de mercado vira papagaio"

O RI Zé Carioca. "O profissional de RI que não tiver uma visão estratégica e de mercado vira papagaio"

PERFIL E FUNÇÃO DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES

“Visão sociológica é importante”

O principal ponto numa função de RI é a estratégia. Por isso em algumas empresas o diretor de RI é o próprio presidente. Se não entender para onde a empresa está indo em nível estratégico, não é possível ser um bom profissional de RI. O RI que não tiver uma visão estratégica e de mercado vira papagaio. O RI tem que mobilizar as pessoas. Ter credibilidade: olhar nos olhos das pessoas e falar mesmo em tempo de crise. Visão sociológica para entender as diferentes culturas dos paises é de grande importância, podendo ser um diferencial ao lidar com o publico investidor. Uma apresentação no Japão, Coréia e Inglaterra serão diferentes. Profissionais de RI ainda são escassos no mercado. É preciso ter uma visão global e multidisciplinar. A formação nas universidades pode contribuir para isto.

ANALISTAS E INVESTIDORES POSSUEM DIFERENTES VISÕES

“Tem que estar preparado para convencer os investidores”

No Brasil ainda temos muito a avançar nesta área de RI. Eu fui numa feira de RI nos EUA. O profissional é muito valorizado. Existem inúmeras ferramentas para aprimorar a integração e a comunicação das empresas.

O investidor está preocupado com a criação de valor. Sua visão, muitas vezes, é diferente de um analista. O analista quer saber por que determinada questão contábil influenciou no orçamento e no resultado. Está preocupado em fazer um modelo e a partir deste modelo extrair um valuation. O approach do investidor é diferente. Ele pode ter alguma preocupação contábil, mas discute mais o nível estratégico.

Vou dar como exemplo um investidor estrangeiro que eu conversei há pouco tempo, disposto a investir no Brasil. Se nos primeiros 5 minutos eu não conseguir falar algo interessante para ele, chamando a sua atenção, dificilmente lhe convencerei a investir seus recursos em minha companhia. A concorrência é grande. Tem outras oportunidades de investimento. São feitas perguntas diversas, sobre economia, política, o setor como um todo, a concorrência, os planos da empresa. Tem que estar muito preparado para responder às perguntas dos investidores e convencê-los a investir.

CONHECER PROFUNDAMENTE O BUSINESS PARA ENFRENTAR OS INVESTIDORES

Enquanto eu não tiver acompanhado pelo menos 2 fechamentos trimestrais, não estarei preparado para lidar com determinados investidores, apesar da experiência em RI de outras empresas, é necessário conhecer profundamente a empresa e o business para ter poder de argumentação. Somente 4 meses depois de assumir a área de RI da Gol é que me senti preparado para fazer o primeiro Road Show. Tem que ter uma história de venda para apresentar ao investidor. Quando na apresentação você sente que não teve um certo encadeamento lógico nos argumentos e que o raciocínio não fluíram com uma grande sintonia, é um sinal que o profissional não está 100% preparado.

TRANSPARÊNCIA E COMUNICAÇÃO

“Responsabilidade, consciência, credibilidade e regularidade”

Transparência é fundamental. Adotar um padrão de comunicação que leve ao conhecimento do publico os pontos negativos e os positivos da companhia, é o caminho correto. Apesar de não ser agradável para as empresas fazerem isso, no longo prazo isto é essencial. Você tem que ter responsabilidade, consciência, credibilidade e regularidade no seu processo de comunicação.

HABILIDADES ACADÊMICAS E PROFISSIONAIS DE UM RI

Visão de Administração. Finanças. Contabilidade. Marketing. Ter experiência na área de RI de uma empresa para entender a parte operacional que é complicada e puxada. Experiência em research/ análise pode ser interessante. Experiência Contábil, em planejamento. Atuar em uma Corretora.

O Álvaro Bandeira disse  que na hora em que o time começa a ganhar, após árduo trabalho de levá-lo à vitória, você troca de time:

O meu estilo é mais desbravador, mais de objetivo. Eu faço trilha de alta altitude, de 5000 metros para cima.  Você tem um objetivo.  Eu me preparo. A montanha é meu inimigo. Vou devagarzinho. Quando chego no alto da montanha, penso qual será a próxima montanha. Isso é que me motiva. Acabou o desafio, ficou fácil. Encaro minha vida profissional desta forma.

Arleu Anhalt, presidente da FIRB: “Um bom RI tem que ter visão estratégica e conhecer profundamente o business da empresa”

Em Entrevistas, junho 16, 2009 às 11:55 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/UFRJ

Arleu Aloisio Anhalt é presidente da FIRB (Financial Investor Relations Brasil), consultoria de Relações com Investidores. Executivo com larga experiência nas áreas de finanças, controladoria, planejamento e relações com investidores de grandes companhias abertas, tendo atuado em grupos como Sadia e Thomson Financial. Pós-graduado em Administração Financeira e Mercadologia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenou o atendimento de mais de 100 companhias brasileiras em operações no mercado de capitais. Foi presidente executivo do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI) e membro da Comissão de Mercado de Capitais, da Associação Brasileira das Companhias Abertas/Abrasca  (Comec). Por sua atuação na área de Relações com Investidores , recebeu por dois anos consecutivos (1996 e 1997) o prêmio “Os Destaques do Mercado de Capitais”, concedido pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Atualmente é membro do conselho de administração do IBRI.

Arleu Anhalt, presidente da FIRB:"Na consultoria é um desafio, você vive várias indústrias ao mesmo tempo."

Arleu Anhalt, presidente da FIRB: "Na consultoria é um desafio, você vive várias indústrias ao mesmo tempo."

FORMAÇÃO E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL: De Chapecó a presidente da FIRB

“Luiz Fernando Furlan foi um grande professor”

Formei-me técnico em contabilidade no colégio Marista, em Chapecó, Santa Catarina. Depois fui fazer curso superior em contabilidade. Fiz também especialização em Administração Financeira e Mercadologia na FGV/ SP. Em função de meu desempenho neste colégio técnico, fui convidado para fazer parte da equipe da Sadia na área contábil de Santa Catarina. Depois de um ano e pouco na função, fui convidado para vir trabalhar em São Paulo. Terminei a faculdade aqui. Depois fui para a área de Planejamento e Controle. Estruturei o sistema de orçamento da Sadia que, à época, em 1984/ 85, era feito a partir da valorização da produção, contrariando a lógica de elaboração de orçamento. A produção é resultante de um plano de vendas e outros fatores. Invertemos a ordem. Passamos iniciar a partir do plano de marketing em direção à empresa e a produção. Depois trabalhei em outros diversos projetos. Com contato direto com a direção, conselho, alta gesta da companhia. Pelo próprio trabalho, lidava com finanças, mercado de capitais, desempenho da empresa, projetos. Minha entrada na área de Relações com Investidores da Sadia deu-se naturalmente. Fui convidado para coordenar a área em 1989. O Luiz Fernando Furlan era o diretor da área. Foi um grande professor. Trabalhei direto com ele de 1989 até 2000. Quando recebi o convite da Thomson Financial para montar uma consultoria de Relações com Investidores no Brasil.

O SURGIMENTO DA FIRB

A Thomson era líder mundial em consultoria de Relações com Investidores. Conforme se deu a abertura do mercado de capitais brasileiro buscou atuar mais ativamente no Brasil. Eu era diretor da área de Relações com Investidores da Sadia, quando surgiu o convite. Fui comandar uma empresa que já nasceu forte, pois era braço de um líder mundial em Relações com Investidores. Operamos no Brasil de 2000 a 2004 com a bandeira da Thomson. No final de 2004 recompramos a participação da Thomson e firmamos com ela só o uso de banco de dados, inteligência de mercado. O nome da FIRB era antes Thomson Financial Investitor Relation Brasil. Perdemos o Thomson e ficamos com Financial Investitor Relation Brasil. Fizemos uma associação com outra empresa de RI dos EUA, FRB do grupo McCann-Erickson, em projetos internacionais que exijam consultor de Relações com Investidores. Já assessoramos mais de 100 companhias em processos, ou de abertura de capital, ou de reposicionamento em bolsa. São de 70 a 90 funcionários diretos e indiretos envolvidos.

EXPERIÊNCIA NO IBRI E MBA EM RELAÇÕES COM INVESTIDORES

A entrada de recursos estrangeiros na década de 90 passou a exigir uma maior profissionalização. O mercado de capitais se fortaleceu.  Aumentaram-se as cobranças de analistas e investidores estrangeiros, os graus de transparência. Não se discute mais se a atividade de Relações com Investidores é importante ou não para a companhia, passou a fazer parte da estratégia. Fui um dos fundadores e presidentes do IBRI. Fui o primeiro presidente do IBRI São Paulo. Depois alteramos o estatuto, adotando duas Presidências: do Conselho e Executivo; e Vice-Presidências regionais. Isto foi determinante para ampliar a eficiência do trabalho do Instituto nessa época. Eu atuava como presidente executivo e o Alfredo Egydio Setúbal, como presidente do conselho. O modelo anterior, era similar ao adotado pela ABAMEC/ APIMEC. Valorizar a profissão (Mostrar o benéficio da função) e formar pessoal qualificado (Cursos) era a definição estratégica do IBRI. Daí a idéia de criarmos um MBA de Relações com Investidores. Formamos um grupo junto com a FIPECAFI, definimos o que achávamos o que deveria ter neste currículo, combinando conhecimentos de marketing, finanças, contabilidade, mercado de capitais, mercado financeiro. Toda sexta-feira nos reuníamos até formar este curso. A primeira turma com grande dificuldade. Depois avançou bem. A formação busca uma visão integrada dos negócios da empresa, do mercado financeiro e o processo de comunicação/ posicionamento.

TRANSPARÊNCIA EMPRESARIAL

“O profissional de RI é um líder deste processo”

“O presidente tem que acreditar”

Transparência é uma cultura, é um movimento dentro da empresa. O presidente tem que acreditar nesta visão. Se ele não acreditar, dificilmente, permeará para todos os níveis hierárquicos. A cada dia tem que estar mobilizando, catequizando as pessoas a entenderem os benefícios que isso traz. Essa definição se eu vou ser transparente ou não, não é o cerne da questão. O essencial é o seguinte: eu quero acessar capital de terceiros? Mesmo que não seja em bolsa, seja empréstimo de banco. O custo financeiro do banco é dado pelo risco visto pelo outro lado. Se não for transparente, posicionar-se  corretamente, transmitir confiança, tiver interesses abertos e claros, o seu custo financeiro vai ser maior que do seu vizinho. Se tiver uma visão estratégica, mesmo sem estar na bolsa, busca-se fazer um bom relatório anual, de administração, ter um bom processo de comunicação, uma apresentação bem estruturada, um site com todas as informações corporativas. Apesar do momento que eu faço isso, eu terei mais acesso a crédito com custos menores. Isto independe de ser companhia aberta. É da origem do trabalho relacionado com o capital de terceiros. Esta é a lógica. Ser transparente é questão de sobrevivência. Quem quer ter acesso a novos capitais tem que ser ativo e estar a frente deste tipo de movimento. O profissional de Relações com Investidores é um líder deste processo. O produto a ser vendido é a ação de sua companhia.

FORMAÇÃO DOS ATUAIS PROFISSIONAIS DE RI

É Heterodoxa. Não tem regra muito definida. O fundamental é conhecer profundamente o business da empresa. Tem que entender os seus fundamentos. Os investidores perguntam os mínimos detalhes. Se não estiver preparado para respondê-los, perderá credibilidade. Muitas vezes sugerimos para as empresas que assessoramos em abertura de capital, treinarem para a área de Relações com Investidores, funcionários da própria companhia, pois já conhecem o negócio, do que buscar externamente no mercado de capitais. É difícil iniciar em RI vindo de empresa de outro setor. Ainda é uma atividade recente. No Brasil temos 200 empresas que tem esta função desenvolvida. Mesmo com o crescimento da demanda, ainda é pouca gente.

PRINCIPAIS ATIVIDADES DO PROFISSIONAL DE RI

“Falar com as pessoas certas e emitir a mensagem correta”

“Depois do CEO é quem mais entende a companhia”

Resumo em dois pontos principais: a primeira é falar com as pessoas certas, a segunda é ter a mensagem correta. Se fizer as duas coisas combinadas, vai gerar bom retorno para a companhia. E para fazer isso existe uma série de ferramentas no mercado para identificar os investidores mais apropriados para a empresa, auferir como o mercado avalia a companhia. Após identificar como o mercado está entendendo os negócios da companhia, compara-se com o resultado esperado, identificam-se os gaps e inicia-se um processo de comunicação/posicionamento direcionado de acordo com o perfil (público alvo) e estilo dos investidores. A área de RI tem muito de Estratégia e de Marketing. Em tese, depois do CEO, é quem mais entende e posiciona a companhia. No caso da consultoria você vive várias indústrias ao mesmo tempo.

AVALIAÇÃO DO PROJETO PILOTO DE FORMAÇÃO INTEGRADA EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS UFRJ (Estratégia/ Finanças) e COMUNICAÇÃO USP (Publicidade/ Jornalismo Econômico)

“Um bom RI tem que ter esta visão estratégica e multidisciplinar”

Visão da floresta, e não somente da árvore”

Acho muito boa essa formação. Até porque todas as matérias são bem relevantes para qualquer profissional. É uma visão bem completa. Acho que para todas as funções isto funciona. Um bom RI tem que ter esta visão estratégica e multidisciplinar. Ser capaz de atuar em qualquer área da empresa. Comunicação, Finanças e Gestão. Visão integrada de tudo. Visão da floresta, e não somente da árvore. Tem que conhecer um pouco de várias disciplinas: marketing, finanças, contabilidade, mercado de capitais, mercado financeiro. Há uma defesa no mercado para criar-se uma área independente de Relações com Investidores. Não sou a favor. Caso crie é necessário que tenha contato direto com a presidência da empresa, participando ativamente do processo de gestão. Só integrado a estratégia que é possível fazer um trabalho positivo em RI. Talvez você ter no curso alguma matéria de RI dentro de um grupo um pouco maior, faz sentido. Até ter massa critica para ter um direcionamento só em RI.

RELAÇÕES COM INVESTIDORES E MÍDIA

Tem que estar integrada. Você abre o jornal e vê uma noticia da companhia. É a base para alimentar o dia-dia. As movimentações financeiras ocorrem com essas noticias. Tem que ter uma estratégia de comunicação bem posicionada e integrada, fazendo um trabalho de aproximação e preparação junto aos jornalistas, fazendo com que eles entendam o seu negocio, evitando eventuais surpresas de sair publicada alguma noticia errada. Cada vez mais essa integração com a mídia faz-se necessária. O profissional de Relações com Investidores, muitas vezes, o principal porta voz da empresa, tem que estar sintonizado e ativo nisso.

RELAÇÕES COM INVESTIDORES E PESQUISA DE MERCADO

Estudo de percepção junto aos analistas é importante. Fundamental para diagnosticar os problemas e reposicionar a companhia. Definir uma política de ação.

É o que buscamos fazer com nosso perception study. A coleta das opiniões junto ao mercado, identifica pontos “nevrálgicos” da empresa, leva a uma reflexão por parte da diretoria e auxilia na tomada de decisões. Feedback não se discute. Não pode discordar e contestar. Tem que mudar as atitudes para mudar a percepção.

MENSURAÇÃO DO RETORNO DO TRABALHO DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES

O mais comum é ter notas de desempenho para RI. Nós avaliamos pela FIRB: 1- política de disclosure da empresa (se ela está disponibilizando as informações corretas); 2- grau de acessibilidade à empresa (se está acessível, é ativo no mercado, responde teleconferência); 3- qualidade dos instrumentos do composto de comunicação: apresentação, site, relatórios, entre outros. Avaliam-se cada um deles. Depois se compara o resultado alcançado com o esperado pela companhia. A partir daí são traçadas as metas.

Álvaro Bandeira: “O profissional de Relações com Investidores é tão importante quanto o presidente da empresa”

Em Entrevistas, junho 16, 2009 às 4:28 pm

POR MARCELO GUIMARÃES

Universitário ADM/ UFRJ

Álvaro Bandeira, diretor da Ágora Corretora e ex-presidente da APIMEC Nacional considera o profissional de Relações com Investidores tão importante quanto o presidente da empresa.  Referência no mercado de capitais, onde atua há quase 40 anos, iniciou sua carreira num estágio na área de sinistros da SulAmérica Seguros, depois fez outro estágio na consultoria de projetos ASTEL, do João Paulo de Almeida Magalhães, até ingressar como analista de investimentos do Banco Brascan. Depois trabalhou no Banco de Investimentos Lar Brasileiro – CHASE e no Banco Bamerindus de Investimento. Em 1978 foi para a Lopes Filho e Associados – Consultores de Investimentos, conhecendo o Luiz Fernando Lopes Filho, a quem considera um grande incentivador e mestre. Formado em Economia pela UFRJ em 1973, fez Pós Graduação em Engenharia Econômica e Administração Industrial na COPPE em 1974. Em entrevista exclusiva ao universitário Marcelo Martins Guimarães, na sede da Ágora Corretora, para a sua monografia: Integração Universidade-Empresa- Formação Universitária Multidisciplinar do Profissional de Relações com Investidores, é possível conhecer melhor suas visões. Com a palavra, Álvaro Bandeira.

Álvaro Bandeira, Diretor da Ágora Corretora: "O profissional de Relações com Investidores é estratégico. Tem que estar sentado ao lado do presidente."

Álvaro Bandeira, Diretor da Ágora Corretora: "O profissional de Relações com Investidores é estratégico. Tem que estar sentado ao lado do presidente."

PERFIL E IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES:

“Generalista e Paciente”

O profissional da área de RI tem que ser um generalista, ser muito inteligente, ter cultura geral, muito conhecimento de administração, financeira, principalmente. Conhecer o produto e mercado de capitais de forma ampla e especifica relacionada a empresa dele. Fundamentalmente tem que ter uma experiência na área de administração e economia. Um RI de uma empresa petroquímica não pode ter a mesma vivência de um RI do setor têxtil. Tem que conhecer profundamente o negócio, a atividade fim. Como um garoto propaganda, uma ponta avançada, ele tem que vender confiabilidade, passar segurança ao investidor, conhecer tudo da empresa. Ele não pode ter dúvidas se as vendas foram de 1 bilhão ou de 1 bilhão e 200. Não pode ter dúvidas sobre o investimento feito. Se responder incorretamente a um investidor prejudica a imagem da empresa. O profissional de Relações com Investidores também tem que ter muita paciência para responder a mesma pergunta diversas vezes. Tem que saber lidar com o emocional das pessoas. Muitos querem reunião presencial um a um. Eu entendo que este profissional deveria ter um certificado assim como tem da ANBID. É uma responsabilidade enorme. Talvez seja mais importante que o próprio presidente da companhia. A figura de um RI de peso é fundamental. Vamos partir do seguinte principio. Uma empresa aberta, o produto que ela tem são suas ações. Daí deriva tudo. Então se as minhas ações não são boas eu não consigo captar recursos, eu não levanto dinheiro em banco, não consigo fazer investimento. O que eu mais posso vender é a imagem da empresa. A ponta avançada disso é o RI.

COMUNICAÇÃO e TRANSPARÊNCIA:

“Pode perguntar o que você quiser que eu  não vou responder nada”

“Tem um projeto de construção de uma fábrica de arame farpado para colocar todos os analistas lá dentro”

Na minha época quando eu comecei a avaliar empresas, não divulgavam nem o volume de vendas. Divulgavam um número chamado produto de operações industriais, equivalente hoje ao lucro bruto. Eu brinco com uma das minhas primeiras experiências no banco Brascan. Hoje em dia eu tenho certeza que fizeram de propósito. Marcaram uma reunião para eu fazer um estudo sobre a empresa, Industria Vilares. Eu, à época, um garoto, saí com a minha pastinha, fui falar com o Vice Presidente da companhia. Sentei na frente dele, ele disse: “Você pode perguntar o que quiser que eu não vou responder nada.” Na minha cabeça passou o seguinte filme: paguei uma passagem, gastei uma grana, tempo e não vou voltar com nada, com nenhuma informação a mais? O que meus chefes iriam pensar? Aos poucos, eu comecei a perguntar e ele foi respondendo, mas o primeiro impacto foi esse.

Em outro caso perguntava se tinha algum projeto novo na companhia, de diversificação, expansão, entre outros. Responderam da seguinte forma: “Sim, tem um projeto de construção de uma fábrica de arame farpado para montar um cercado e colocar todos os analistas lá dentro.” Eu peguei minha pastinha, saí da sala do responsável, que foi atrás de mim no hall do elevador para desculpar-se e dizer que tinha sido apenas uma brincadeira. Hoje, as coisas estão muito mais fáceis. As informações estão mais acessíveis.

Claro que depende muito da orientação das empresas. No aspecto de quanto e de que forma você vai abrir a comunicação, do grau de governança corporativa. Isto é um processo evolutivo ao longo do tempo. Em determinado momento é bom não ter uma abertura maior. Pode facilitar a concorrência. Embora nós, enquanto usuários da informação queiramos o máximo de acesso, no caso da empresa tem que ser dosado. Na Telemar/ Oi ocorreu isso.

ATIVISMO ACIONARIO:

“É uma união da cultura da empresa e do investidor”

O ativismo na ação está muito ligado com a estratégia da empresa e com a educação da população em relação ao mercado de capitais. Tem os dois lados: a cultura da empresa e a cultura do investidor. Fazer cursos, ter uma formação, facilita. Nesse sentido, a universidade poderia desempenhar um papel importante. Falta do lado da universidade cursos relacionados a uma formação de carreira dessas em RI e outras áreas mais multidisciplinares. Por exemplo, na Ágora, no ano passado, tivemos 381 eventos entre cursos, palestras, seminários. É um esforço fantástico para trazer o publico investidor. Para ver como se avalia uma empresa, uma ação. Ele passa a se sentir muito mais seguro e preparado para investir no mercado de capitais. Hoje as empresas estão buscando ampliar a sua base de acionistas, além dos mecanismos tradicionais de comunicação, conference calls, reuniões APIMEC, um a um, estão ampliando para outras regiões, além do eixo Rio – São Paulo.

HABILIDADES ACADÊMICAS E PROFISSIONAIS PARA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE UM RELAÇÕES COM INVESTIDORES

Na universidade: Gestão empresarial, gestão industrial, muita carga de economia, de percepção e avaliação de mercado.  Comunicação.

Na parte profissional, experiência em área financeira. Desde fluxo de caixa, contabilidade, análise de investimentos. Conhecer a área industrial. Trabalhar em varias áreas de uma empresa. Ter na bagagem uma experiência na área de Research também é fantástico. Só que para formar um profissional nesta área investe-se 3 anos em média. É um treinamento gradativo. Estudar sites, montar índices, freqüentar reuniões da APIMEC. Um bom analista não necessariamente será um bom RI. Habilidade de comunicação é fundamental.

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